Briga entre “gangues” de ariranhas interrompe pescaria no Pantanal e vídeo impressiona
Especialistas acreditam que a confusão se deu por disputa territorial
Que pescaria é sinônimo de calmaria, isso muita gente já sabe. Mas na natureza, tudo pode ocorrer. Uma briga entre dois bandos de ariranhas no Paraguai Mirim, coração do Pantanal sul-mato-grossense, assustou um pescador que flagrou a cena de “camarote”, na tarde de sábado (16).
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Com uma vara na mão e o celular no outro, o empreendedor Everton José Androlage registrou o momento em que os grupos se encontraram. Ao lado do filho, ele registrou as ariranhas entrando em um verdadeiro combate, que segundo especialistas, indica disputa territorial.
“Aproximadamente umas 40 ariranhas, tinha bastante, eram dois bandos grandes. Começaram a brigar próximo do barco e paramos com a pescaria. […] O grito delas é alto. Para quem não tem costume, nunca se deparou com uma briga assim entre elas é diferente. Quem nunca viu se assusta”, declarou.
Everton contou, ainda, que a briga durou quase uma hora, até que um bando decidiu deixar o local. “Briga generalizada de bandão eu nunca tinha visto”, disse.
Fenômeno raro
Para os especialistas, o registro feito pelo pescador é um tanto quanto raro, uma vez que se trata de disputa territorial. As ariranhas vivem em grupos familiares e fazem atividades diárias em conjunto, sempre buscando demarcar trechos do rio como territórios próprios.
“Se um grupo intruso invadir seu território e for detectado, encontros como esse podem acontecer. Esses encontros são muito perigosos, por isso que eles investem muito tempo em demarcar os seus territórios justamente porque, como vocês podem ver, durante esses encontros, acontecem agressões físicas muito graves que podem levar à morte de um indivíduo”, disse a bióloga e presidente do Projeto Ariranhas, Caroline Leuchtenberguer.
Apesar de assustadora, a imagem também ajuda os especialistas a entender o comportamento da espécie no Pantanal.
“Inclusive se um dos indivíduos morrer for um macho, a fêmea dominante pode desintegrar o grupo completamente. Então registros como esses são raros e são muito importantes para a gente compreender o comportamento e a ecologia da espécie no seu ambiente natural”, finalizou.
As ariranhas
- Maiores membros da família Mustelidae
As ariranhas (Pteronura brasiliensis) são os maiores mustelídeos do mundo, podendo atingir até 1,8 metro de comprimento, incluindo a cauda, e pesar até 32 kg. Os machos geralmente são maiores que as fêmeas. 
- Padrões únicos de manchas no pescoço
Cada ariranha possui um padrão exclusivo de manchas claras na região do pescoço, semelhante a uma impressão digital, permitindo a identificação individual dos animais. 
- Comunicação vocal diversificada
As ariranhas são altamente vocais, utilizando uma variedade de sons, como gritos, guinchos e assobios, para se comunicarem entre si, alertar sobre predadores e coordenar atividades do grupo. 
- Estrutura social cooperativa
Vivendo em grupos familiares de até 10 indivíduos, as ariranhas exibem um comportamento social complexo, com um casal dominante e seus descendentes. Essa organização facilita a caça cooperativa e a proteção mútua.

- Predadoras de topo no Pantanal
No Pantanal, as ariranhas são predadoras de topo, alimentando-se principalmente de peixes, mas também de crustáceos, cobras e até pequenos jacarés, desempenhando um papel crucial no equilíbrio ecológico. 
- Dependência de habitats aquáticos preservados
As ariranhas preferem habitats com águas calmas e margens densamente vegetadas, onde constroem tocas para descanso e reprodução. A degradação desses ambientes representa uma ameaça significativa à sua sobrevivência. 
- Status de conservação preocupante
Classificadas como “em perigo” pela IUCN, as ariranhas enfrentam ameaças como a destruição de habitats, poluição dos rios e caça ilegal, tornando essencial a implementação de medidas de conservação para sua proteção.
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