Capturado ainda filhote na Ásia, Sandro terá espaço no Santuário dos Elefantes 40 vezes maior que zoo onde passou 4 décadas
Elefante deixou recinto externo de cerca de 1 mil m² e agora terá mais de 40 mil m² de área natural, com vegetação, pontos de água e espaço para explorar.
Capturado ainda filhote na Ásia, Sandro passou mais de quatro décadas vivendo em um zoológico até chegar ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães (MT). A mudança representa também uma transformação no espaço disponível para o elefante: ele deixou um recinto externo de cerca de 1 mil m² para ter acesso a mais de 40 mil m² de área natural – mais de 40 vezes o tamanho do espaço onde vivia.
No zoológico de Sorocaba (SP), onde viveu desde 1982, Sandro tinha cerca de 1 mil m² de área externa e passava parte do dia em um espaço interno de menos de 30 m², com piso de concreto. No novo lar, três áreas conectadas formam um habitat com mais de 40 mil m², além de um centro veterinário de mais de 600 m².

A nova rotina também muda a forma como Sandro se alimenta e se movimenta. No santuário, ele terá acesso à pastagem e à vegetação natural durante todo o dia, além de áreas com diferentes relevos, pontos de água e espaços para banho. A proposta é que o elefante caminhe, procure alimentos e explore o ambiente, com estímulos físicos e cognitivos ao longo do dia.
Para chegar até o Santuário, Sandro enfrentou uma viagem de cerca de 1,6 mil quilômetros, uma operação que envolveu dezenas de equipamentos e uma equipe preparada para transportar um animal de aproximadamente 4,8 toneladas.
E é justamente para contar como foram esses primeiros momentos dele no novo lar, que o Primeira Página reuniu os principais passos dessa adaptação. Assista abaixo:
A chegada a Mato Grosso
A viagem começou em Sorocaba e durou mais de dois dias. Sandro foi transportado dentro de uma caixa especial de cerca de 10 toneladas, equipada com dois aparelhos de ar-condicionado. Ao longo do caminho, a equipe fez paradas de acordo com as condições da estrada e a temperatura.
O comboio também levou gerador, uma caixa-d’água de mil litros, equipamentos de apoio e cerca de 700 quilos de alimentos para o elefante.

Na quinta-feira (17), Sandro chegou a Rondonópolis (MT), onde passou a noite. Na manhã seguinte, foi para Campo Verde e entrou na reta final do trajeto até Chapada dos Guimarães, onde fica o santuário.
Mas, ainda havia um desafio: o caminhão usado na maior parte da viagem era grande demais para passar por algumas curvas e acessos mais estreitos próximos ao santuário. Por isso, a caixa de transporte precisou ser transferida para um veículo menor.
Durante o transbordo, Sandro chegou a colocar a tromba para fora da caixa, curioso com toda aquela movimentação. Só que o comportamento mudou quando o barulho dos veículos e equipamentos aumentou. Ele ficou mais nervoso e a equipe pediu que o local tivesse o mínimo possível de ruído e que os drones, usados nas gravações de reportagem, mantivessem distância.
Depois da troca de caminhão, Sandro finalmente seguiu para o santuário.

Fora da caixa
Depois de tanto tempo na estrada, a caixa foi retirada do caminhão e levada para a área onde Sandro começaria a adaptação no santuário. A saída foi bem mais rápida do que muita gente poderia imaginar.
Assim que a porta foi aberta, Sandro saiu por conta própria em menos de um minuto e já começou a explorar o recinto, pegar terra, comer e se refrescar.
Foi também nesse primeiro momento que um comportamento chamou bastante atenção: Sandro passou quase 40 minutos jogando terra sobre o próprio corpo com a tromba.

Pode parecer apenas um banho, mas para ele é muito mais do que isso. Segundo o biólogo Daniel Moura, o banho de terra ajuda a remover tecidos mortos acumulados na pele e funciona como uma espécie de esfoliação natural, além de ajudar na proteção do corpo.
Sandro também teve contato com a lama e voltou a fazer esses banhos na manhã seguinte. Foram momentos que o animal não viveu por mais de quarenta anos, já que não tinha acesso a isso no pequeno espaço onde ficava no zoológico paulistano.
Primeira noite e manhã seguinte
Apesar do longo deslocamento e da mudança brusca de ambiente, a equipe informou que Sandro permaneceu calmo e colaborativo durante boa parte do transporte. No santuário, porém, ele ainda precisava de tempo para entender aquele novo espaço.
Inicialmente, o elefante ficou em uma área de adaptação, separado das seis fêmeas que vivem no local: Maia, Rana, Mara, Bambi, Guillermina e Baby.
O recinto dele fica a aproximadamente 50 metros da área das fêmeas e como explicou a organização, mesmo sem contato físico, os animais conseguem perceber a presença uns dos outros principalmente pelo olfato e também pela visão.
A ideia é que essa proximidade permita uma adaptação gradual. Sandro é o único macho entre os elefantes asiáticos do santuário e não há previsão de que ele seja colocado no mesmo recinto das fêmeas. Um dos motivos é para evitar possíveis reproduções.
Novos passos
Depois de passar a primeira noite no santuário, o elefante deixou a área de adaptação e começou a explorar o espaço verde preparado para recebê-lo.
O portão foi aberto e, de novo, em menos de um minuto, Sandro saiu por conta própria, totalmente disposto a conhecer cada canto do novo lar, como definiu a própria equipe durante uma live transmitida na manhã desse sábado (19) nas redes sociais.

Nas primeiras imagens dessa nova fase, ele aparece caminhando pelo espaço, explorando o ambiente e comendo capim. Depois de mais de 40 anos vivendo em um zoológico, aquele era um dos primeiros contatos com uma área aberta e com elementos que agora passam a fazer parte da rotina dele.
E talvez uma das maiores mudanças na vida de Sandro esteja justamente no espaço que ele passa a ter à disposição.
Para se ter uma ideia, a área externa do recinto onde ele ficava no zoológico tinha cerca de 1.000 metros quadrados. E parte do dia era passada em um espaço interno de menos de 30 metros quadrados, com piso de concreto.
Agora, no santuário, a realidade é bem diferente. Sandro passa a ter acesso a uma área muito maior, com árvores, vegetação, terra e diferentes espaços para explorar. E isso muda não só o tamanho do lugar onde ele vive, mas também as possibilidades da rotina.
Em vez de permanecer em um espaço delimitado, ele pode caminhar, escolher onde quer ir, explorar o ambiente, procurar alimentos e tomar os famosos banhos de terra e lama que já apareceram nos primeiros dias.
E as patas?
A adaptação também permitiu que a equipe começasse a observar Sandro de uma maneira diferente. Ao vê-lo caminhando pelo novo espaço, os profissionais perceberam sinais que podem indicar alterações nas articulações e nos dedos das patas.
Ainda não existe um diagnóstico e, segundo o santuário, será necessário primeiro estabelecer uma relação de confiança com Sandro para que os profissionais possam realizar exames e tratamentos com segurança.
O processo será feito por meio de treinamentos que envolvem condicionamento com reforço positivo, inclusive para permitir que a equipe examine e cuide das patas e das unhas do elefante.
Esse acompanhamento pode levar meses, como lembrou o biólogo Daniel Moura. Além das patas e articulações, os profissionais também pretendem avaliar a boca e a dentição de Sandro para identificar possíveis alterações ou infecções.
Relembre a história de Sandro
A chegada de Sandro ao santuário encerra uma história de mais de quatro décadas em Sorocaba e começa uma fase completamente diferente da vida dele.
Capturado ainda filhote na Ásia, Sandro chegou ao zoológico em janeiro de 1982, depois de ser adquirido de um circo. Nos anos 2000, passou a dividir o recinto com a elefanta Haisa, com quem viveu por cerca de 20 anos.

Depois da morte de Haisa, em dezembro de 2020, começaram as discussões sobre a transferência de Sandro para o santuário. O caso passou por protestos, decisões judiciais, perícias e recursos até que a transferência fosse autorizada.
Agora, depois de toda essa espera, Sandro já está em Mato Grosso. E os primeiros registros mostram que apesar da adaptação estar só começando, Sandro já vem dando os primeiros passos, literalmente, nessa nova vida.
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Comentários (13)
Que o Sandro seja muito feliz
Parabéns a todos os envolvidos nesse projeto. Os animais merecem todo nosso respeito. Seja bem vindo Sandro.
Sandro era muito bem tratado, e continuará muito bem tratado nesse zoológico “particular”.
ESSE LINDO ELEFANTE NOS TRÁS MUITA PAZ E ALEGRIA..
O SANDRO ESTÁ MUITO FELIZ, IMAGINA NOSSA NAÇÃO,LINDO TRABALHO DE TODOS QUE SE EMPENHARAM..