Cercas ativadas à noite reduzem ataques de onças no Pantanal
Ao delimitar áreas de maior risco, cercas ajudam produtores do Pantanal a evitar ataques de onças ao gado e reduzem episódios de retaliação contra os animais.
No Pantanal, uma solução simples tem feito diferença na convivência entre produtores rurais e a vida selvagem. Cercas construídas em áreas estratégicas vêm ajudando a reduzir ataques de onças ao gado, evitando prejuízos econômicos e, principalmente, a morte desses grandes felinos ameaçados.

A iniciativa tem como base a prevenção. As cercas não têm o objetivo de afastar ou ferir os animais, mas de delimitar áreas de maior risco, especialmente próximas a matas ciliares e corredores naturais usados pelas onças para caça e deslocamento. Ao impedir o acesso fácil ao gado, o projeto diminui conflitos e reduz reações violentas contra a fauna.
Segundo o médico veterinário e coordenador do Instituto Impacto, Paul Raad Cisa, as cercas utilizadas são eletrificadas e funcionam apenas no período noturno, justamente no horário em que as onças costumam caçar.
Ele explica que a estrutura é montada em áreas pequenas, com cerca de um hectare, formando o que os especialistas chamam de “fechamento noturno para o gado”, onde os animais ficam protegidos dentro do curral durante a noite.
“As cercas ficam ativadas só a noite no horário de caça da onça e, durante o dia, os bezerros ficam soltos”, afirmou ao Primeira Página.
A estratégia impede que a onça tenha acesso fácil ao gado, reduz ataques e evita a morte tanto dos animais domésticos quanto dos grandes felinos, promovendo a convivência no Pantanal.
Ataques costumam ocorrer quando o gado permanece solto em áreas de passagem das onças, principalmente à noite. Com as cercas, os animais domésticos passam a ser mantidos em locais mais seguros, enquanto os predadores seguem utilizando seu habitat natural.

Uma imagem que ilustra bem essa convivência foi publicada pelo Instituto Impacto e registrada na Pousada Piuval, mostrando uma onça em seu ambiente natural, observando a paisagem cercada por estruturas de proteção. A fotografia reforça a mensagem de que coexistir é possível quando há planejamento e responsabilidade.

A estratégia já apresenta resultados positivos. Produtores relatam queda nos prejuízos e redução de episódios de retaliação contra onças-pintadas e onças-pardas. Para organizações ambientais, ações como essa mostram que conservação e produção podem caminhar juntas.
O Pantanal abriga uma das maiores populações de onças do mundo, e preservar esses animais é essencial para o equilíbrio do bioma. Ao investir em medidas preventivas, o homem deixa de reagir ao problema e passa a antecipá-lo, protegendo tanto o gado quanto a vida silvestre.
Leia mais
-
Ânimos se exaltam e onça-pintada Aracy separa briga entre irmãos na Caiman
-
Onça ‘colabora’ com ciência ao se esfregar em armadilha no Pantanal
-
Ano novo, onça nova: filhote Tingu surge e surpreende turistas
-
Onça-parda invade casa em Nova Xavantina e é capturada pelos bombeiros
-
Pequenas, mas corajosas: ariranhas mostram força em grupo ao enfrentar onça-pintada no Pantanal
Mais lidas - 1 As 6 feras aliadas da ciência na preservação da onça-pintada na Caatinga
- 2 “Olha a grossura da criança”, sucuri interrompe pescaria de amigos no portal do Pantanal
- 3 Filhote cai do ninho e não consegue ser salvo por harpias no Pantanal
- 4 Filhotes de papagaio presos em fios são resgatados por bombeiros em MT; vídeo
- 5 VÍDEO: onça-parda e espécies raras são registradas em Chapada dos Guimarães
- 1 As 6 feras aliadas da ciência na preservação da onça-pintada na Caatinga
- 2 “Olha a grossura da criança”, sucuri interrompe pescaria de amigos no portal do Pantanal
- 3 Filhote cai do ninho e não consegue ser salvo por harpias no Pantanal
- 4 Filhotes de papagaio presos em fios são resgatados por bombeiros em MT; vídeo
- 5 VÍDEO: onça-parda e espécies raras são registradas em Chapada dos Guimarães





