Das florestas aos centros urbanos: adaptação da Arara-Canindé chama atenção
Ave símbolo da biodiversidade brasileira encontra abrigo em áreas urbanas, mas especialistas alertam para a necessidade de conservar seus habitats naturais.
Com peito amarelo e asas azuis, a Arara-Canindé é uma espécie “tipicamente brasileira”. Como se vestisse a camiseta da Seleção Brasileira, a bicuda ostenta também penas verdes, brancas e pretas, semelhante às cores da bandeira do Brasil.
No entanto, tem sido cada vez mais comum avistar essa ave em áreas urbanas, praças, parques e até mesmo em centros movimentados e locais de grande circulação de pessoas. Normalmente, as araras buscam palmeiras para se abrigar e construir seus ninhos.
Os avistamentos dessas aves tem sido cada vez mais recorrentes, inclusive no centro de Cuiabá.
De acordo com o biólogo Hélder Cintra de Freitas, o nome Arara-Canindé vem do Tupi Guarani e está relacionado a uma tribo indígena que habitava o Ceará. No entanto, por sua fácil adaptação, a ave se espalhou por diversas regiões do país.
Com uma expectativa de vida que gira em torno de 30 a 40 anos na natureza, e em cativeiro pode chegar aos 70 anos, as araras frequentemente são vistas em pares.
“A monogamia e próprio da família dos psitacídeos, que são as araras, papagaios e periquitos. Na maioria das vezes coloca de 2 a 4 ovos por ano quase sempre com taxa de reprodução de 50% que é alta e por ser monogâmica o casal segue em reprodução dos 4 anos de idade quando atinge a maturidade sexual até os 25 a 30 anos de idade”, cita Helder.
Para além da beleza, a ave é extremamente inteligente e desempenha um papel ecológico fundamental como dispersora de sementes, consumindo polpa dos frutos e voando longas distâncias, deixando cair as sementes intactas, o que ajuda a regenerar a vegetação e plantar novas árvores na natureza.
Adaptação em áreas urbanas
Segundo o biólogo, com a destruição dos habitats elas vem se adaptando às cidades principalmente pelo fato de que, cada vez mais as palmeiras são usadas como plantas ornamentais em praças e ruas. Dessa forma, as araras encontram abrigo mesmo em meio a vida caótica das cidades.

A presença cada vez mais frequente das Araras-Canindé nas cidades é um lembrete de que a natureza busca caminhos para sobreviver, mesmo diante das transformações provocadas pelo ser humano.
“Com a destruição dos habitats elas se adaptaram as cidades principalmente por cada vez mais as palmeiras são usadas como plantas ornamentais em praças e ruas”, explica Helder.
Como ajudar na preservação dessas aves?
Conforme o biólogo, uma forma de a população auxiliar essas araras seria plantar as palmeiras regionais nos quintas e ruas, para fornecer abrigo.
Além das palmeiras, ele cita espécies como bocaiúva, babaçu e buriti são plantas frequentemente utilizadas pelas Canindé para sua morada.
O plantio dessas árvores em quintais, áreas verdes e espaços públicos pode ampliar os locais de abrigo e reprodução das aves.
No entanto, mesmo assim, é importante alertar para a preservação das matas e florestas.
Mais do que admirar o colorido e a beleza dessas aves, é preciso reconhecer seu papel no equilíbrio dos ecossistemas.
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