De Pequi a Mangaba, votação vai escolher nome de onças-pintadas trigêmeas do cerrado

Nascimento raro dos três filhotes em uma só ninhada é acompanhado por especialistas da região

Sobreviventes de um raro evento da natureza, três onças-pintadas, que são trigêmeas, agora esperam por um nome que pode ser escolhido por votação popular. Os animais vivem no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais. 

Vídeo: divulgação/onçafari

Nascidas em 2025, os felinos foram descobertos através de câmeras traps, instaladas em pontos estratégicos na natureza para acompanhar o desenvolvimento da fauna. Desde então, especialistas acompanham o crescimento do trio, uma vez que esse tipo de nascimento é considerado incomum e bastante raro. 

As oncinhas, que atualmente são chamadas de 22, 23 e 24, sempre aparecem nas imagens acompanhadas da mãe, mas em muitas vezes, não todas na mesma cena. 

“Os filhotes permanecem sob os cuidados da mãe e observamos que ela adota uma estratégia de proteção incomum ao não sair com toda a ninhada simultaneamente. Na maioria das vezes não estão os três filhotes juntos, a mãe sai apenas com um filhote ou dois, garantindo que ao menos um estará protegido”, explicou Edu Fragoso, biólogo do Onçafari e coordenador do projeto.

Entre as opções, estão nomes inspirados na flora e referências do Cerrado, como Pequi, Magaba, Jaborandi, Murici, Kokwã, Mambai, entre outros. A votação estará aberta até o dia 10 de maio. Para votar, clique aqui.

A iniciativa do Onçafari tem como objetivo transformar dados científicos em narrativas que engajem a população na proteção da fauna brasileira.

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As Onças-pintadas

As onças possuem um RG natural. As rosetas, manchas icônicas que cobrem seu corpo, funcionam como as impressões digitais humanas. O padrão de formas e pontos de uma onça nunca se repete em outra. É através dessa “biometria visual” que pesquisadores conseguem monitorar e identificar cada indivíduo na natureza, garantindo a preservação da espécie.

A mordida mais poderosa entre os felinos

Onça-pintada Aroeira e filhotes
Onça-pintada Aroeira e filhotes Jatobá e Jacarandá. (Foto: Giovanna Leite/Onçafari)

Proporcionalmente, a onça-pintada possui a mordida mais forte do mundo entre os grandes gatos, superando gigantes como o tigre e o leão. Sua mandíbula é uma ferramenta evolutiva implacável, capaz de perfurar couros grossos de jacarés e até quebrar cascos rígidos de tartarugas com uma facilidade impressionante.

O ciclo do “banquete ou fome”

Onça-pintada Joca Ramiro revelando presa (Foto: Onçafari)
Onça-pintada Joca Ramiro revelando presa (Foto: Onçafari)

A rotina alimentar desses predadores é intensa e estratégica, seguindo o conceito de feast or famine, banquete ou jejum. Uma onça pode passar até uma semana sem ingerir um grama de proteína, mas, quando abate uma presa, é capaz de devorar dezenas de quilos de carne em uma única sentada para repor suas reservas de energia.

O recuo de um império

Fera e Ferinha são mãe e filho e vivem na região de Miranda, no Pantanal de MS (Foto: Onçafari)

Embora hoje o Pantanal seja seu grande refúgio, as onças já dominaram territórios muito mais vastos. Antigamente, elas eram comuns no sul e oeste dos Estados Unidos (em estados como Texas e Arizona) e em países como El Salvador. Infelizmente, a caça e a perda de habitat as dizimaram nessas regiões; hoje, aparições nesses locais são raríssimas e tratadas como eventos históricos.

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