Elefanta encontra jato d'água e esquece caminhada em santuário de Chapada dos Guimarães
Guillermina chegou a MT com a mãe em 2022 e, quatro anos depois, segue avançando na exploração do santuário, onde agora se aproximou de um riacho, mas preferiu brincar na água e tomar banho de lama.
Uma caminhada pelo Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães (MT), terminou de um jeito diferente para Guillermina, um dos sete elefantes que moram no local atualmente, incluindo Sandro, o primeiro macho da turma. Ao chegar perto de um riacho, a elefanta mudou de ideia sobre o passeio, seguiu em direção à lagoa e aproveitou para brincar com a água antes de se cobrir de lama.

O momento foi compartilhado pelo santuário nas redes sociais e mostra mais um comportamento de Guillermina durante a rotina no espaço onde vive em Mato Grosso.
Segundo a equipe, a elefanta caminhava para atravessar o riacho e explorar áreas mais ao fundo do Recinto 5. Recentemente, ela passou algum tempo perto do caminho que leva até o local, algo considerado um avanço pela instituição. Desta vez, porém, a exploração ficou para outro dia. Guillermina preferiu seguir em direção à lagoa. Veja vídeo:
Água virou atração no caminho
Durante o período de estiagem, a equipe do santuário abastece as lagoas com maior frequência para garantir que os elefantes tenham acesso à água mesmo fora da estação chuvosa.
Para isso, são utilizadas tubulações que levam água até os locais. A estrutura é protegida por aço e cimento para evitar que as próprias elefantas consigam quebrá-la durante as brincadeiras. Guillermina já sabe exatamente onde a água chega.
Ao encontrar o local, ela brincou no jato d’água e tomou alguns goles. Depois de alguns minutos, atravessou para o outro lado e jogou grandes quantidades de lama sobre o próprio corpo. O banho de lama é um comportamento natural dos elefantes e ajuda, entre outras funções, na proteção da pele.

Guillermina ainda não atravessou riacho
Apesar da aproximação, o santuário explica que Guillermina ainda não parece pronta para atravessar o riacho e explorar as áreas mais distantes do recinto.
A elefanta vem conhecendo o espaço no próprio ritmo. Segundo a instituição, os avanços recentes mostram que ela está se aproximando cada vez mais do caminho.
Bambi e Maia, que também vivem no Santuário de Elefantes Brasil, já fizeram essa travessia anteriormente. Por enquanto, Guillermina prefere outro destino: a lagoa.
A rotina faz parte da adaptação e da possibilidade de os animais escolherem onde querem permanecer e quais áreas desejam explorar dentro dos espaços disponíveis no santuário.
Antes de brincar com a água, cobrir o corpo de lama e começar a explorar novos caminhos em meio à vegetação de Mato Grosso, Guillermina viveu uma história marcada por cativeiro, uma viagem internacional ao lado da mãe e uma perda poucos meses depois de chegar ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães.
Conhecida também como Guille, a elefanta asiática chegou ao estado em maio de 2022, acompanhada de Pocha, sua mãe. As duas vieram de Mendoza, na Argentina, onde haviam passado toda a vida em cativeiro.
Mãe e filha eram extremamente ligadas. Antes da mudança para o Brasil, tinham vivido praticamente apenas uma com a outra, com pouco contato com outros elefantes e com ambientes naturais. A transferência para Mato Grosso mudaria essa rotina.
Mãe e filha deixaram a Argentina juntas
Pocha, então com 55 anos, e Guillermina, com 22, deixaram Mendoza na noite de 7 de maio de 2022. A viagem atravessou a fronteira entre Argentina e Brasil e teve como destino o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães.
As duas entraram no país por Foz do Iguaçu (PR) e seguiram pelas rodovias brasileiras, acompanhadas por uma operação que contou com escolta de forças de segurança, incluindo a Polícia Rodoviária Federal.
A transferência era especialmente simbólica porque Guillermina havia passado toda a vida ao lado da mãe. Elas chegaram a Chapada dos Guimarães no dia 12 de maio.
Pocha estava cansada após a viagem
A chegada das duas foi acompanhada com cautela. Pocha demonstrava cansaço depois da longa viagem e inicialmente permaneceu dentro da caixa de transporte. A equipe decidiu não apressar o processo.
A estratégia era permitir que a mãe saísse primeiro para que Guillermina se sentisse segura para fazer o mesmo. A partir dali, mãe e filha começariam juntas a adaptação a uma realidade completamente diferente daquela que conheciam na Argentina.
Cinco meses depois, Guillermina perdeu a mãe
A nova vida das duas juntas em Mato Grosso durou apenas alguns meses. Em outubro daquele mesmo ano, Pocha começou a apresentar alterações no comportamento e na alimentação. Segundo informações divulgadas pelo santuário na época, ela já havia demonstrado alguns sinais preocupantes de saúde ainda na Argentina, embora nenhum problema tivesse sido diagnosticado.
Nos dias anteriores à morte, Pocha estava mais cansada e seletiva com o feno, embora continuasse pastando e aceitando frutas e legumes.
Na noite de 6 de outubro de 2022, ela morreu no santuário. Guillermina havia perdido a companheira que esteve ao lado dela durante toda a vida.
Guille chamou pelas outras elefantas
As horas seguintes à morte de Pocha mostraram que Guillermina já não estava completamente sozinha. Segundo o relato divulgado pelo santuário e publicado pelo Primeira Página, Guille emitiu longos chamados. Do outro lado, as outras elefantas responderam.
Quando os portões foram abertos, Bambi, Mara e Rana estavam esperando para se aproximar. Rana foi até Pocha acompanhada de Guillermina. Depois, Bambi se aproximou e, posteriormente, Mara permaneceu com mãe e filha.
Ao longo daquela madrugada, as demais elefantas ficaram próximas. Maia também chegou ao local antes das quatro horas da manhã.
Foi um dos momentos mais marcantes da história de Guillermina no santuário: depois de passar praticamente toda a vida tendo a mãe como principal companhia, ela estava cercada por outros elefantes justamente quando perdeu Pocha.
Uma nova família começou a se formar
A partir dali, Guillermina precisou construir novas relações. A socialização é uma parte importante da vida dos elefantes. Na natureza, as fêmeas costumam viver em grupos familiares e manter relações sociais complexas.
No santuário, os animais têm espaço para escolher onde permanecer e com quais companheiras querem interagir, enquanto recebem acompanhamento das equipes.
Com o passar dos anos, Guille estabeleceu vínculos com outras moradoras e passou a integrar a rotina das elefantas que vivem nas grandes áreas de vegetação do santuário.
Quatro anos depois, um cheiro diferente
Em setembro de 2026, outra mudança movimentou a rotina de Guillermina. Sandro, primeiro elefante macho recebido pelo Santuário de Elefantes Brasil, chegou a Chapada dos Guimarães depois de viver mais de quatro décadas no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP).
Ele ficou inicialmente separado das fêmeas. Mesmo a cerca de 50 metros de distância, porém, sua presença parece não ter passado despercebida.
Guillermina, Bambi e Maia foram filmadas caminhando com as trombas erguidas e farejando na direção do espaço onde estava o novo morador. O comportamento foi associado pela equipe à tentativa de identificar o cheiro do macho recém-chegado.
Quatro anos depois de deixar a Argentina, Guillermina continua apresentando avanços na exploração do espaço. Recentemente, ela começou a passar mais tempo perto do caminho que leva ao riacho e às áreas mais profundas do Recinto 5.
Bambi e Maia já fizeram essa travessia. Guillermina, por enquanto, ainda demonstra cautela. Em um dos passeios recentes, ela chegou até a região, mas decidiu mudar de direção e seguir para a lagoa. Ali, mostrou que conhece bem outro ponto do território.
Durante a estiagem, o santuário utiliza uma tubulação para abastecer as lagoas. Guillermina encontrou o jato de água, bebeu, brincou e, depois, atravessou para o outro lado. A sequência terminou com a elefanta jogando grandes quantidades de lama sobre o próprio corpo.
A cena atual contrasta com a história de Guille quando chegou a Mato Grosso. A elefanta que desembarcou no estado aos 22 anos tendo a mãe como sua principal referência agora circula entre outras companheiras, conhece os pontos de água do recinto e, aos poucos, decide até onde quer explorar.
A travessia do riacho ainda não aconteceu. Como em outros momentos desde que chegou ao santuário, Guillermina segue no próprio ritmo.
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