Elefante Sandro acelera o passo em santuário e exercita músculos pouco usados no zoológico

Elefante Sandro apresenta dificuldade nas patas traseiras e é estimulado a percorrer subidas e descidas para fortalecer a musculatura durante adaptação no santuário.

O elefante Sandro voltou a surpreender durante a adaptação ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães (MT). Em uma nova caminhada pelo recinto, ele acelerou o passo enquanto explorava diferentes tipos de terreno, movimento que, segundo a equipe responsável pelos cuidados, ajuda a exercitar músculos que provavelmente não eram exigidos dessa forma havia muito tempo.

Elefante Sandro tem sido visto comendo melancia em Santuário de Chapada dos Guimarães. - Foto: Instagram/Reprodução
Elefante Sandro tem sido visto comendo melancia em Santuário de Chapada dos Guimarães. – Foto: Instagram/Reprodução

A cena chama atenção porque Sandro apresenta dificuldade em uma ou possivelmente nas duas patas traseiras. Por isso, a equipe tem estimulado o elefante a percorrer áreas com pequenas subidas e descidas, sempre no ritmo escolhido por ele.

Durante a atividade, Sandro decidiu caminhar mais rápido em alguns momentos. Ele também explorou bebedouros e áreas de lama e entrou em uma lagoa pela primeira vez desde que chegou ao santuário.

A movimentação faz parte de uma rotina voltada à recuperação física do elefante. Poucos dias depois da chegada a Mato Grosso, a equipe informou que Sandro estava abaixo do peso considerado ideal e apresentava tônus muscular fraco, apesar de pesar cerca de 4,8 toneladas.

Desde então, ele passou a receber alimentação reforçada e estímulos para caminhar e explorar cada vez mais o ambiente.

De cerca de 1 mil para mais de 40 mil m²

A possibilidade de caminhar por diferentes terrenos representa uma mudança importante na rotina de Sandro.

No Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), onde viveu durante mais de quatro décadas, ele tinha cerca de 1 mil m² de área externa. Parte do dia também era passada em uma área interna de menos de 30 m², com piso de concreto.

No santuário em Mato Grosso, três áreas conectadas formam um espaço de mais de 40 mil m², com vegetação, terra, diferentes relevos e pontos de água. O local conta ainda com um centro veterinário de mais de 600 m².

A diferença de terreno é justamente um dos pontos explorados agora pela equipe. A ideia é permitir que Sandro caminhe, procure alimentos e escolha onde quer ficar, enquanto fortalece o corpo aos poucos.

Capturado filhote e levado para um circo

A história de Sandro começou muito antes da chegada ao zoológico paulista. Ele foi capturado ainda filhote na Ásia e, em janeiro de 1982, chegou ao zoológico de Sorocaba após ser adquirido de um circo. A idade dele atualmente é estimada em cerca de 55 anos.

Durante aproximadamente 20 anos, Sandro dividiu o recinto com a elefanta Haisa. Ela morreu em dezembro de 2020 e, depois disso, ele passou a viver sem a companhia de outro elefante.

A morte de Haisa também marcou o início de uma discussão que se estenderia por anos sobre a transferência de Sandro para o Santuário de Elefantes Brasil.

Disputa pela transferência durou anos

Ainda em 2020, o Ministério Público recomendou que Sandro fosse levado para o santuário em Mato Grosso. Nos anos seguintes, houve manifestações favoráveis e contrárias à mudança e uma longa disputa judicial.

Em 2022, a Justiça chegou a negar um pedido para a transferência imediata. Na época, foram considerados, entre outros pontos, os possíveis riscos de uma viagem longa e da adaptação de um elefante já idoso a outro ambiente.

Elefante Sandro fez uma de suas últimas interações com público enquanto se prepara para deixar zoológico em SP. - Foto: Instagram/Reprodução
Elefante Sandro fez uma de suas últimas interações com público enquanto se prepara para deixar zoológico em SP. – Foto: Instagram/Reprodução

O cenário mudou após uma nova perícia determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O laudo apontou que as condições oferecidas a Sandro eram insuficientes para garantir a qualidade de vida do animal e destacou a diferença entre o recinto do zoológico e a área disponível no santuário.

Em abril de 2025, a Justiça determinou a transferência. O caso ainda teve novos recursos e, em dezembro daquele ano, a Prefeitura de Sorocaba foi autuada pelo Ibama por maus-tratos após uma perícia no recinto. Em junho de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo voltou a autorizar a mudança.

Viagem de mais de 1,6 mil quilômetros

Sandro deixou definitivamente o zoológico no dia 16 de setembro deste ano. A saída foi acompanhada por centenas de pessoas e marcada tanto por manifestações de apoio à transferência quanto por protestos de moradores que defendiam a permanência dele em Sorocaba.

A viagem até Mato Grosso durou mais de dois dias e percorreu cerca de 1,6 mil quilômetros. Sandro foi transportado em uma caixa especial de aproximadamente 10 toneladas. O comboio levou ainda gerador, caixa-d’água e cerca de 700 quilos de alimentos.

Vìdeos postados pelo Santuário mostram o elefante Sandro se adaptando e jantando em estrada. – Vídeo: Santuário dos Elefantes

Já em Mato Grosso, a operação exigiu até uma troca de caminhão antes da chegada a Chapada dos Guimarães, porque o veículo usado na maior parte do percurso era grande demais para vencer alguns acessos e curvas próximos ao santuário.

Ao chegar ao novo lar, Sandro não demorou a explorar o espaço. Assim que a caixa foi aberta, ele saiu por conta própria e começou a caminhar, comer e jogar terra sobre o corpo. Em um dos primeiros momentos registrados pela equipe, passou quase 40 minutos em um banho de terra.

Recuperação acontece aos poucos

Desde então, cada novo comportamento tem ajudado a equipe a entender as condições físicas do elefante.

Nos primeiros dias, os profissionais observaram alterações no caminhar e nos dedos das patas, mas ainda não há um diagnóstico fechado. Para que exames mais detalhados sejam feitos, Sandro precisa primeiro aprender, por meio de treinamento e reforço positivo, a permitir que a equipe examine patas, unhas, boca e dentes com segurança.

Enquanto isso, a recuperação acontece também na rotina diária. Sandro recebe alimentação reforçada e é incentivado a se movimentar pelo recinto.

Agora, ao escolher acelerar o passo enquanto atravessa um terreno diferente, ele começa justamente a exigir do corpo movimentos que, segundo o santuário, podem não ter feito parte da rotina dele durante muitos anos.

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