Elefante Sandro transforma água de bebedouros em piscinas no santuário
Elefante tem usado água dos bebedouros para formar pequenas piscinas no recinto e também está mais à vontade com o toque dos tratadores durante adaptação em MT.
Poucos dias depois de chegar ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães (MT), Sandro já encontrou uma maneira própria de se refrescar e brincar com a água. O elefante tem usado a água dos bebedouros para criar pequenas piscinas no recinto e foi flagrado à noite com partes do corpo molhadas e cobertas de lama.
O comportamento foi mostrado pelo Santuário de Elefantes Brasil em um novo vídeo compartilhado nas redes sociais. Nas imagens, apesar da pouca iluminação, é possível perceber áreas molhadas e enlameadas no corpo do elefante.
Segundo a equipe, a explicação provavelmente está nas pequenas piscinas que o próprio Sandro vem fazendo com a água disponibilizada nos bebedouros.

O registro foi feito durante uma das visitas noturnas dos tratadores. De acordo com o santuário, os elefantes costumam ser visitados perto da hora de dormir, quando recebem um pouco de comida e companhia.
A intenção é transmitir aos animais uma sensação de segurança e pertencimento ao novo ambiente. Naquela noite, Sandro aparentava estar tranquilo.
Sandro está mais à vontade com tratadores
As pequenas piscinas não são o único sinal de que Sandro está explorando e se adaptando ao novo lar.
O santuário afirma que o progresso do elefante desde a chegada tem sido significativo. Sandro estaria cada vez mais à vontade durante o trabalho realizado pela equipe de tratadores.
Essa aproximação já permite que os profissionais toquem no elefante durante os cuidados, enquanto ele permanece tranquilo no centro de tratamento.
Para a equipe, a mudança representa mais um avanço comportamental e emocional do animal durante o período de adaptação.
Sandro chegou ao Santuário de Elefantes Brasil no dia 19 de setembro, depois de deixar o Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), onde viveu durante décadas.
A viagem até Mato Grosso teve cerca de 1,4 mil quilômetros e mobilizou uma equipe de 13 pessoas. Desde então, o elefante passa por um processo gradual de adaptação antes de avançar para outras etapas da vida no santuário.
Lama, caminhadas e fortalecimento
Desde que chegou, Sandro também vem apresentando outros comportamentos naturais no novo ambiente. Logo nos primeiros momentos no recinto, por exemplo, tomou um longo banho de terra.
A equipe também vem estimulando o elefante a caminhar pelo terreno, inclusive por áreas com subidas e descidas, para trabalhar a musculatura das patas.
Agora, com as pequenas piscinas feitas a partir da água dos bebedouros e a maior tranquilidade na presença dos tratadores, Sandro segue avançando na adaptação ao espaço.
Ele permanece em uma área separada das elefantas Bambi, Maia e Guillermina. A aproximação entre os animais é conduzida de forma gradual pela equipe do santuário.
Relembre a trajetória do elefante Sandro
Foram mais de 40 anos vivendo em um zoológico, uma saída cercada por protestos, uma viagem de mais de dois dias pelas rodovias brasileiras e uma chegada que terminou com banho de terra, lama e a curiosidade das elefantas que já viviam em Mato Grosso. A transferência de Sandro para o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães, abriu um novo capítulo na história do elefante asiático.
Sandro deixou o Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), no dia 16 de setembro. Dois dias depois, chegou ao santuário como o primeiro elefante macho recebido pelo local.
Desde então, cada avanço na adaptação tem revelado mudanças na rotina do animal. Sandro já explorou áreas verdes, caminhou por terrenos com subidas e descidas, tomou longos banhos de terra e lama e começou a permitir uma aproximação maior dos tratadores.
Relembre a trajetória.
Antes da viagem, Sandro entrou sozinho na caixa
A preparação começou antes mesmo de o caminhão pegar a estrada. Nos últimos dias em Sorocaba, Sandro foi treinado para se familiarizar com a grande caixa metálica que seria utilizada no transporte.
O resultado chamou atenção da própria equipe: o elefante passou a entrar sozinho na estrutura. Mais tarde, o Santuário de Elefantes Brasil contaria que ele havia sido, entre os animais transferidos pela instituição, o mais rápido a entrar na caixa.
Naquele momento, Sandro vivia sozinho desde a morte da companheira, no zoológico onde permaneceu por mais de quatro décadas.
Saída de Sorocaba teve protestos e decisão judicial
A despedida ocorreu em 16 de setembro e foi marcada por manifestações.
Centenas de pessoas acompanharam a saída do elefante. Enquanto parte defendia a transferência para o santuário, houve também protestos contrários à retirada de Sandro do zoológico.
A viagem ocorreu com aval da Justiça e reforço de segurança. Sandro foi colocado em uma caixa de transporte de cerca de 10 toneladas, que seguiu sobre um caminhão rumo a Mato Grosso.
Ar-condicionado e centenas de quilos de comida na estrada
Levar um elefante por mais de 1,5 mil quilômetros exigiu uma operação especial.
A caixa utilizada no transporte contava com dois aparelhos de ar-condicionado para ajudar no controle da temperatura. A equipe também levou cerca de 700 kg de alimentos para Sandro durante o percurso.
Veterinários, biólogos, tratadores e outros profissionais acompanharam o animal, com paradas planejadas ao longo do caminho para alimentação, hidratação e monitoramento.
Durante uma das paradas, Sandro foi filmado explorando a caixa e fazendo uma pausa para jantar.
Sandro chega a Mato Grosso
Depois de cruzar São Paulo e Mato Grosso do Sul, Sandro finalmente chegou a Mato Grosso.
Ele passou por Rondonópolis e, na manhã de 18 de setembro, chegou a Campo Verde. Ali, a operação ganhou mais uma etapa: foi necessária a troca do caminhão utilizado no transporte.
A mudança foi planejada para facilitar a passagem pelas curvas e acessos mais estreitos no trecho final até o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães.
Menos de 10 minutos para sair da caixa
Depois de mais de dois dias na estrada, Sandro chegou ao destino no dia 18 de setembro.
E não demorou para conhecer o novo espaço.

Quando a caixa foi aberta, o elefante saiu por conta própria em menos de dez minutos. Segundo o santuário, Sandro também se tornou o elefante que mais rapidamente deixou a caixa de transporte entre os animais recebidos pela instituição.
Assim, terminou a viagem e começou a adaptação ao novo lar.
Quase 40 minutos de terra e lama
Um dos primeiros comportamentos de Sandro depois de sair da caixa também se transformou em uma das imagens mais simbólicas da chegada.
O elefante começou a jogar terra sobre o próprio corpo.
Foram quase 40 minutos de banho de terra, além de lama. Segundo a equipe do santuário, o comportamento é natural entre elefantes e ajuda nos cuidados com a pele.

Depois de décadas vivendo no zoológico, Sandro começava a explorar um ambiente diferente daquele ao qual estava acostumado.
Patas passaram a ser acompanhadas
As primeiras caminhadas também permitiram que a equipe observasse mais atentamente a condição física de Sandro.
Profissionais identificaram sinais que poderiam indicar alterações nas articulações e nos dedos das patas. Naquele momento, ainda não havia diagnóstico fechado.
A idade do elefante e os anos vivendo em ambiente com piso de concreto estavam entre os fatores considerados pela equipe. Uma avaliação mais detalhada dependeria da adaptação e do treinamento de Sandro para permitir os exames necessários.
Elefantas perceberam que havia um macho por perto
Sandro chegou ao santuário como o primeiro macho do local e ficou inicialmente em uma área a cerca de 50 metros das elefantas.
Mesmo sem contato físico, a novidade não passou despercebida.
Bambi, Maia e Guillermina foram filmadas caminhando com as trombas erguidas, comportamento associado à tentativa de captar odores. Segundo o santuário, elas percebiam o cheiro do novo morador.
A aproximação ocorre de forma gradual e Sandro permanece separado das fêmeas.
Área verde e novos terrenos
Com o avanço da adaptação, Sandro deixou o espaço inicial e começou a explorar uma área verde maior.
A mudança também passou a ter importância para a condição física do elefante. O terreno do santuário apresenta diferenças de nível, com subidas e descidas que exigem movimentos diferentes daqueles feitos durante a rotina no zoológico.
No fim de setembro, Sandro foi filmado acelerando o passo entre as árvores.
Segundo a equipe, as caminhadas por terrenos variados ajudam a trabalhar músculos que provavelmente não eram exigidos da mesma maneira havia muito tempo. O elefante apresenta dificuldade nas patas traseiras e vem sendo estimulado a se movimentar para fortalecer a musculatura.
De um recinto em Sorocaba às próprias escolhas em MT
A transferência também continuou repercutindo em Sorocaba. Depois da saída de Sandro, um telão com imagens do elefante foi instalado no antigo recinto do zoológico.
Dias depois, Luisa Mell divulgou imagens do local onde Sandro vivia anteriormente e afirmou que o elefante chegava a permanecer fechado durante 15 horas à noite.
No santuário, segundo a instituição, a dinâmica é diferente: Sandro passa a ter possibilidade de escolher entre diferentes áreas disponíveis durante o processo de adaptação.

Adaptação continua
Menos de duas semanas depois da chegada, Sandro já acumulava mudanças na rotina: deixou a caixa rapidamente, tomou banho de terra e lama, explorou áreas verdes, começou a percorrer terrenos irregulares e despertou a curiosidade das elefantas.
A adaptação, porém, continua sendo feita gradualmente.
A equipe acompanha tanto o comportamento quanto as condições físicas do elefante e trabalha para que ele se acostume aos procedimentos necessários aos cuidados de saúde.
Agora, Sandro também demonstra estar mais confortável com os tratadores. A equipe relata que ele permite o toque durante os cuidados e permanece tranquilo no centro de tratamento.
E o novo ambiente já rendeu até um hábito curioso: Sandro passou a usar a água dos bebedouros para formar pequenas piscinas no recinto, onde acaba se molhando e se cobrindo de lama.
Depois de uma viagem que atravessou estados e encerrou mais de quatro décadas no mesmo zoológico, a história de Sandro em Mato Grosso ainda está apenas começando.
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