Em silêncio e saudade: Kenya sente a ausência de Pupy no santuário

Santuário de Elefantes Brasil relata que elefanta africana está mais quieta e reservada após a morte da amiga, Pupy, em Chapada dos Guimarães

O Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães (MT), compartilhou nesta quarta-feira (15) uma atualização sobre o estado emocional de Kenya, a elefanta africana que perdeu a amiga Pupy, no último domingo (12).

As duas eram as únicas elefantas africanas que viviam juntas no local e haviam construído um vínculo de amizade e confiança após serem resgatadas de zoológicos da Argentina.

Segundo o santuário, Kenya tem estado mais quieta e reservada, ainda emitindo seus roncos característicos, mas com menos entusiasmo do que o habitual. Nesta manhã, ela se aproximou lentamente da cerca e, ao ouvir uma tratadora perguntar se queria “conversar um pouco”, encostou o rosto no alambrado e permaneceu roncando por cerca de 30 segundos.

“Embora todos estejamos tristes, sabemos que Kenya está passando por algo que não conseguimos compreender completamente”, diz o comunicado do SEB.

Perda e cuidado constante

A equipe do santuário explicou que a fase de luto de Kenya será acompanhada de perto. Situações como essa já ocorreram antes, quando Pupy perdeu sua antiga companheira, Kuky, e precisou de tempo para processar a ausência.

O SEB informou ainda que mantém contato com outras instituições e organizações de conservação para, no futuro, acolher novos elefantes africanos, de forma que Kenya volte a ter companhia. Contudo, a equipe reforça que esse processo leva tempo e depende de questões logísticas e judiciais complexas.

Amizade recente e intensa

A amizade entre Kenya, de 44 anos, e Pupy, de 35, em julho deste anoa, após ambas serem transferidas de zoológicos argentinos para o santuário mato-grossense. Elas viviam há décadas em cativeiro e, pela primeira vez, puderam explorar a natureza, conviver e expressar comportamentos típicos da espécie.

A relação das duas foi marcada por gestos de afeto e proteção. Após a morte de Pupy, Kenya permaneceu ao lado do corpo durante a noite, um comportamento comum entre elefantes que sofrem perdas no grupo.

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A foto mostra o instante em que Pupy deixou seus medos de lado e permitiu que Kenya ficasse sobre ela para protegê-la. (Foto: SEB)

A despedida de Pupy

Pupy vinha apresentando desconforto gastrointestinal nos últimos dias e possuía histórico de cólicas. Mesmo sob tratamento, teve uma piora repentina no domingo à tarde. Segundo o santuário, ela expeliu pedras escuras antes de perder as forças. A equipe tentou o atendimento emergencial, mas a elefanta faleceu em poucos instantes.

O corpo de Pupy passou por necrópsia, cujo resultado deve ser divulgado em até três meses. O SEB destacou que, embora sua passagem tenha sido breve, ela viveu seus últimos dias cercada de cuidado, liberdade e amor e pôde, enfim, experimentar o convívio com outra elefanta.

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