Estudo do Butantan revela hábito desconhecido e prato predileto de caninana
Pesquisa ampliou o conhecimento sobre a alimentação da caninana, uma das maiores serpentes do continente americano
Um estudo científico produzido por pesquisadores do Instituto Butantan ampliou o conhecimento sobre a alimentação da caninana, uma das maiores serpentes do continente americano, e revelou que aves, principalmente filhotes ainda no ninho, representam a maior parte de sua dieta conhecida.
A pesquisa analisou registros de diferentes países e descreveu dois casos inéditos de predação observados no Brasil e em Honduras.
O gênero Spilotes reúne três espécies de serpentes neotropicais de grande porte, com hábitos terrestres e arborícolas.
Entre elas estão a caninana (Spilotes pullatus), amplamente distribuída do México ao norte da Argentina, e a caninana-amarela (Spilotes sulphureus), presente em biomas como Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado.
Adultos dessas serpentes podem ultrapassar dois metros de comprimento e são ativos durante o dia, o que aumenta a chance de encontros com presas que utilizam árvores e áreas abertas.
Segundo o levantamento, mais da metade das presas registradas para ambas as espécies são aves. No caso da caninana (S. pullatus), cerca de 52% das presas eram aves, seguidas por pequenos mamíferos terrestres, como roedores, e morcegos. Já para a caninana-amarela (S. sulphureus), a presença de aves na dieta chega a aproximadamente 67% dos registros.
Um dos registros documentou uma caninana-amarela capturando um filhote de gavião-pernilongo a mais de 4,3 metros de altura.

A serpente ficou parcialmente suspensa no ar, segurando-se apenas pela cauda enrolada em um galho, enquanto agarrava o filhote pelo pescoço.
Os pais da ave atacaram repetidamente a serpente, derrubando-a da árvore em alguns momentos, mas a caninana não soltou a presa e completou a ingestão em cerca de dois minutos.
No segundo caso, uma caninana subiu aproximadamente 9 metros no tronco de um pinheiro-do-caribe até alcançar o ninho de um neinei (Megarynchus pitangua), espécie comum em áreas abertas e savanas arborizadas.
No ninho havia dois filhotes. Apesar das vocalizações de alarme e dos voos defensivos dos pais, a serpente conseguiu predar ambos os filhotes e permaneceu em um galho para a digestão.
Os pesquisadores apontam que a preferência por ovos e filhotes está relacionada ao custo-benefício energético: filhotes oferecem alto valor nutricional e exigem menos esforço para captura do que aves adultas, que são mais ágeis e capazes de fugir.
O estudo também sugere que a caninana localiza ninhos por pistas visuais e químicas, como o movimento dos filhotes, resíduos próximos ao ninho e o comportamento defensivo dos pais.
A habilidade de escalar árvores verticalmente amplia o acesso a ninhos localizados a vários metros de altura, comportamento semelhante ao de outras serpentes arborícolas.
Em resposta à predação, as aves adotam estratégias antipredatórias, como ataques diretos, vocalizações de alerta e o chamado “mobbing”, quando vários indivíduos tentam afugentar o predador. No entanto, os registros analisados indicam que essas estratégias nem sempre são suficientes para proteger os filhotes.
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