Finalmente em casa: Pocha e Guille chegam ao Santuário dos Elefantes
A espera, enfim, acabou. Depois de passarem a vida em condições degradantes, Pocha e Guillermina, mãe e filha, chegaram nesta quinta-feira (12) ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães, a 65km de Cuiabá. Agora, vão se juntar a outras cinco fêmeas da mesma espécie e, finalmente, ficar em meio à natureza. As negociações […]
A espera, enfim, acabou. Depois de passarem a vida em condições degradantes, Pocha e Guillermina, mãe e filha, chegaram nesta quinta-feira (12) ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães, a 65km de Cuiabá. Agora, vão se juntar a outras cinco fêmeas da mesma espécie e, finalmente, ficar em meio à natureza.

As negociações para trazer as duas tiveram início em 2020. Elefantas asiáticas, ambas moravam no Ecoparque de Mendoza, na Argentina, com pouco espaço para locomoção e sem terem, de fato, uma vida de elefantas.
A viagem cansativa, mas tranquila, começou na noite de sábado (7) e pôde ser acompanhada via redes sociais no trajeto de 3.366 km até o Santuário. O caminhão em que as fêmeas estavam, acomodadas em caixas de transporte separadas, mobilizou curiosos e forças de segurança, que fizeram a escolta do veículo.
Na chegada ao município mato-grossense, nova espera. Afinal, não é fácil lidar com animais desse porte e a prioridade é manter as duas elefantas em segurança. Para tirar de cima do caminhão a caixa de transporte, que sozinha pesa cinco toneladas, por exemplo, foi preciso um guindaste.

Eram por volta de 12h15 quando foi aberta a caixa onde estava Pocha, de 55 anos, nascida na Alemanha e que vivia na Argentina desde 1968. Do lado de fora, havia feno, frutas e folhagens à espera dela – e muita expectativa por parte de todos os presentes sobre como seria a hora da saída.
Foram momentos de avanços e recuos, e de muitas brincadeiras com areia, com a água da chuva e lama. Pocha chegou a arrancar um cano também. Até a publicação desta reportagem, ela não tinha saído completamente da caixa. Sem pressa e sem pressão. É preciso o respeitar o tempo dela.
“Muito natural [a demora]”, explicou o americano Scott Blais, responsável pelo Santuário. “Ela está analisando o ambiente, e foi uma viagem muito cansativa”, acrescentou. “Ela está com os olhos abertos, alertas, mas sem estresse. São sons diferentes, ambientes diferentes”.
Para Guillermina, a expectativa é ainda maior. Ela nasceu e passou todos os seus 22 anos de vida de forma limitada, com pouco campo de visão, sem saber sequer o que é pisar na terra. Como ela vai reagir ao deixar a caixa de transporte é uma incógnita, mas a expectativa da administração do Santuário é a melhor possível.
“Elas ficavam como se fosse num fosso. Então, o campo de visão que elas tinham ou era inclinado ou era das pessoas que ficavam na borda desse recinto. Elas ficavam subjugadas, sempre abaixo. Esta é a primeira vez que Pocha e Guillermina ficam no nível das pessoas, vendo muita vegetação, coisas que nunca viram”, disse Daniel Moura, diretor e biólogo do Santuário.
No Santuário já vivem as elefantas Bambi, Lady, Maia, Mara e Rana, num recinto de 280 mil metros quadrados. Porém, Pocha e Guillermina devem ficar um tempo isoladas antes de se unirem às demais. Não é possível precisar quando e como isso vai ocorrer.
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Veja ao vivo: elefantas Pocha e Guille já estão em Chapada dos Guimarães
“Em algum momento, as outras vão chegar perto da cerca para ver as duas e aí vamos observar o comportamento delas. E não tem como saber o que vem depois. Elas podem ficar desconfortáveis ou começar a explorar logo” disse Scott.
Há muitos anos atuando na causa dos elefantes, Scott se emociona ao falar sobre as novas moradoras do Santuário.
“A vida delas foi mais restrita que qualquer outro elefante que já conheci. Elas viviam num buraco de concreto, numa área muito pequena. E é incrível ver como elas se saíram bem mesmo numa área assim. Elas são relativamente bem ajustadas. E tudo aqui é vastamente novo para elas”, disse.
Apesar de, aparentemente, não haver nada grave em relação à saúde de mãe e filha, o confinamento provocou consequências. Ambas estão acima do peso – graças à combinação de pouca mobilidade, dieta inapropriada e falta de estímulo para se locomoverem – e com lesões na pele, entre outras coisas.
“Não dá para ver a espinha da Guille [por causa do peso]. Ela é adorável, uma bola gigante”, brinca Scott sobre a elefanta. Daqui para a frente, mãe e filha serão submetidas a exames e monitoramento.
O Santuário tem uma área de 1100 hectares e o lema é: “Ajudando elefantes a serem elefantes de novo”. É o que se espera para Pocha e Guillermina a partir de agora.

Próximos moradores
As próximas a virem para o Santuário são duas elefantas africanas que vivem no Ecoparque de Buenos Aires. O treinamento delas está pronto, mas elas precisam receber a permissão para fazer a mudança ao Brasil. Assim que isso ocorrer, já estarão liberadas para ir. A expectativa de Scott Blais é que elas cheguem ainda neste ano.
Outro que deve vir é Tamy, pai de Guillermina, que está no Ecoparque de Mendoza. As negociações estão em andamento, assim como uma campanha online para financiar a viagem.
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Comentários (1)
Ótima matéria, que mostra que ainda tem ser humano bom que se preocupa com os animais.