Fotógrafo flagra rotina de uma família de ariranhas

As ariranhas, também chamadas como as maiores lontras aquáticas, lontras de água doce, onça-d'água, lobo-do-rio.

No vasto e misterioso Pantanal mato-grossense, um fotógrafo e guia de turismo especializado na observação de onças capturou uma cena rara e fascinante.

Em uma expedição, Roger Benedik encontrou ao que ele descreve como a “Toca das Ariranhas”, uma descoberta única sobre o comportamento desses animais. (Veja o vídeo no final da matéria)

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As ariranhas se alimentam principalmente de peixes. (Foto: Marcos Ardevino)

Ao Primeira Página, ele contou que em um dia de trabalho acompanhando um grupo de fotógrafos estrangeiros, Roger teve a sorte de se deparar com a maior família de ariranhas da região.

“Na região de Porto Jofre, monitoramos 15 famílias de ariranhas”, explica Roger. “Esta, em particular, é a maior delas. Na época da seca do Pantanal, pode ser mais fácil encontrá-las.”

As ariranhas, também chamadas como as maiores lontras aquáticas, lontras de água doce, onça-d’água, lobo-do-rio, são conhecidas por sua natureza social e sua posição como predadoras de topo dentro dos ecossistemas aquáticos.

As tocas da ariranhas. (Vídeo: Roger Benedik/ Instagram)

Para entender mais sobre o comportamento desses animais, conversamos com o guia de turismo, biólogo e fotógrafo de vida selvagem Marcos Pantanal, que tem vasto conhecimento sobre a fauna pantaneira.

As ariranhas são predadores de topo de cadeia, ou seja, não possuem muitos predadores naturais, com exceção de onças, jacarés-açu (na Amazônia) e, ocasionalmente, predadores terrestres como a onça-pintada e a onça-parda.

“A ariranha é um dos predadores topo de cadeia”, afirma Marcos. “Tem poucos outros predadores acima dela, como a onça-pintada e a onça-parda. Na região amazônica, ainda tem o jacaré-açu que pode predá-la, mas ela é um dos predadores de topo de cadeia. Ela se alimenta principalmente de peixe”, explica Marcos.

As ariranhas são animais sociais que vivem em grupos familiares, geralmente compostos pelo macho, pela fêmea e pelos filhotes. “Elas andam em bando, é um bando familiar”, explica o biólogo.

Em relação ao comportamento dessas criaturas, Marcos compartilha uma observação interessante: “Na região do Parque Estadual Encontro das Águas, os animais estão mais acostumados à presença de embarcações e não se assustam facilmente, o que possibilita uma observar aproximar elas em uma distância segura e tranquila. Esse fator facilita a observação do comportamento natural deles, como caçar e brincar nas margens dos rios.”

As ariranhas, que podem atingir até 1,80 metros de comprimento e pesar mais de 40 quilos, são as maiores lontras aquáticas do mundo. Elas são caçadoras eficientes, consumindo de 4 a 6 quilos de peixe por dia. “Elas utilizam a visão para caçar, mas também têm bigodes sensoriais, que ajudam a detectar as vibrações na água, facilitando a captura dos peixes”, explica Marcos.

Os bandos de ariranhas podem variar de 2 a 20 indivíduos, com filhotes mais velhos ajudando no cuidado dos mais novos. Marcos ressalta que a maturidade sexual das ariranhas ocorre em torno dos 2 a 2,5 anos de idade, e que as mães têm uma aninhada por ano, com 1 a 5 filhotes.

Além da importância ecológica, as ariranhas também possuem um histórico triste de perseguição. Durante as décadas de 60, 70 e 80, as ariranhas foram intensamente caçadas pela pele, que era muito valorizada pela indústria de moda.

Marcos reforça que, graças a uma maior proteção ambiental, as populações da espécie começaram a se recuperar nas últimas décadas, especialmente em regiões como o Pantanal e a Amazônia.

O biólogo também destaca a relação entre o turismo de observação e a preservação dessas espécies: “Hoje, com o ecoturismo, os animais têm uma chance melhor de sobreviver. O turismo depende de ambientes bem preservados, e a observação da vida selvagem ajuda a manter esses ambientes intactos”, afirma. A atividade de ecoturismo tem se mostrado uma forma eficaz de minimizar os impactos da caça ilegal e outras ameaças.

Apesar dos desafios, as ariranhas do Pantanal continuam a prosperar, proporcionando um espetáculo único para quem tem a chance de observá-las em seu habitat natural.

Graças ao ecoturismo, que incentiva a conservação do meio ambiente, é possível garantir a preservação desses animais e de seu ecossistema para as futuras gerações.

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