Fotógrafo vira voluntário no Pantanal após ficar desempregado durante incêndios

Após perder o emprego durante as queimadas de 2024, Fábio Paschoal reencontrou no Pantanal e nas onças-pintadas um novo propósito

Desempregado após as queimadas que devastaram 85% da fazenda onde trabalhava como guia de turismo no Pantanal em agosto de 2024 e o fim da edição brasileira da National Geographic, Fábio Paschoal decidiu recomeçar.

Fotógrafo vira voluntário no Pantanal após ficar desemprego durante incêndios - Foto: Reprodução/Fábio Paschoal
Fotógrafo e biólogo Fábio Paschoal decidiu recomeçar como voluntário no Pantanal após ficar sem emprego durante incêndios – Foto: Fábio Paschoal/ Instagram

A tragédia não só lhe tirou o emprego, encerrando as atividades da propriedade, como também custou a vida da onça-pintada Gaia, um dos animais mais emblemáticos da região. “Foi muito difícil aceitar essa perda. Gaia era monitorada desde o nascimento pelo Onçafari e tinha uma presença marcante no Pantanal. Vai fazer muita falta”, conta.

A tragédia também deixou sequelas em outros animais. A onça Itapira teve as patas queimadas, mas foi resgatada, tratada e, felizmente, reintroduzida à natureza. Sem trabalho, Fábio foi para a Amazônia atuar como guia. Foi lá que conheceu Helena, coordenadora do Jaguar Identification Project, que o convidou a retornar ao Pantanal no fim de 2024 como voluntário no monitoramento de onças-pintadas. Em dezembro daquele ano, ele voltou ao bioma, e foi nesse momento que viu o Ousado pela primeira vez.

Mas a história de Ousado começou antes.

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A onça-pintada “Ousado” que sobreviveu ao fogo no Pantanal se tornou exemplo de superação – (Foto: Fábio Paschoal)

Relembre as queimadas de 2020 no Pantanal mato-grossense

Em 2020, o Pantanal mato-grossense enfrentou uma das maiores tragédias ambientais de sua história. As queimadas devastaram cerca de 25% de todo o bioma. No Parque Estadual Encontro das Águas, epicentro da destruição, muitos animais morreram carbonizados. Outros, como o Ousado, conseguiram sobreviver. Ele foi resgatado com queimaduras de segundo grau nas patas pela equipe de fauna da Ampara Silvestre, levado ao NEX (Núcleo de Excelência em Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres), e, após mais de 20 dias de tratamento, foi reintroduzido na natureza ainda naquele ano.

O renascimento de Ousado

Hoje, Ousado é símbolo de resistência no Pantanal. Seu comportamento de caça único, ele se aproxima de jacarés por baixo d’água, atrai pesquisadores e turistas do mundo todo. “Eu já conhecia a história dele e sonhava com esse encontro. Quando vi o Ousado pela primeira vez, foi como reencontrar uma parte de mim”, relembra Fábio.

Mesmo após episódios difíceis, como ver Ousado mancando depois de uma briga com ariranhas, o reencontro foi marcante. “No dia seguinte ele já estava melhor, comendo uma carcaça de jacaré. Foi um alívio.”

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Após queimadas, fotógrafo reencontra esperança no Pantanal – Foto: Fábio Paschoal

Recomeço em meio às cinzas

Antes das queimadas, Fábio passou cinco anos como repórter e editor da National Geographic Brasil, realizando o sonho de inspirar pessoas a cuidar do planeta. Com o encerramento da edição brasileira da revista e o impacto do incêndio em sua vida pessoal, ele viu tudo desmoronar. De volta a São Paulo, sem perspectivas, doou móveis, alugou o apartamento e vendeu parte do equipamento fotográfico para retornar ao Pantanal, o lugar que tanto amava.

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Queimadas unem destinos de fotógrafo e onça no Pantanal – Foto: Fábio Paschoal

“Voltei com um único propósito: usar a fotografia como ferramenta de transformação. Quero que as pessoas se apaixonem por essa natureza e lutem por ela”, afirma.

Hoje, Fábio trabalha como guia turístico no Parque Estadual Encontro das Águas, conduzindo visitantes que sonham ver o Ousado e vivenciar a beleza única do Pantanal Norte. “Cada vez que vejo o Ousado, lembro que é possível resistir. Ele sobreviveu. E eu também.”

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