Hora do tetê: onça-pintada é flagrada em momento íntimo com seu "gatinho"

Cena foi registrada no refúgio ecológico Caiman, em Miranda, Pantanal de Mato Grosso do Sul

Num cenário em que é comum assistir às onças-pintadas em seu comportamento mais visceral, uma cena chamou a atenção do biólogo e guia no projeto Onçafari, Pedro Oliveira. Diante de suas lentes, uma onça, num golpe de doçura, amamentava seu filhote.

Oncinha mamando na mamãe (Vídeo: Pedro Oliveira/Onçafari)

“Hora do tetê do gatinho”, brincou o profissional ao postar o vídeo em suas redes sociais. O registro foi feito no refúgio ecológico Caiman, em Miranda, Pantanal de Mato Grosso do Sul.

Onças e mamas

Assim como para outros mamíferos, amamentação é o pilar que sustenta o desenvolvimento dos futuros predadores de topo, garantindo que a linhagem da espécie continue a procriar.

Ao nascerem, as oncinhas são totalmente vulneráveis e dependentes da mãe. A amamentação começa imediatamente após o parto, momento em que, a exemplo dos seres humanos, os pequenos ingerem o colostro, leite primordial rico em anticorpos que fortalece o sistema imunológico contra doenças locais.

Mas a dona onça é imponente em tudo! O leite da espécie é uma “superfórmula” natural: extremamente calórico e carregado de gorduras e proteínas. Essa densidade nutricional é o que permite o desenvolvimento muscular acelerado, necessário para que o animal aprenda a caçar e se defender em um ambiente competitivo.

Até os 3 meses de idade, o leite materno é a única fonte de alimento das onças-pintadas. Entre o segundo e o terceiro mês, a fêmea começa a trazer pequenas presas para que os filhotes comecem a experimentar proteína sólida.

onca mama
Filhote mamando no Pantanal (Pedro Oliveira/Onçafari)

Embora comecem a comer carne, os filhotes podem continuar mamando de forma complementar até os 5 ou 6 meses. Mais uma vez como na vida humana, durante todo o período de amamentação, a fêmea enfrenta um desgaste energético massivo. 

Ela precisa caçar com muito mais eficiência para sustentar a própria saúde e a produção de leite para a ninhada, formada geralmente por dois filhotes. É nesta fase que o vínculo entre mãe e filhote se consolida, uma conexão que dura cerca de dois anos, até que o jovem se torne independente.

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