Marco histórico: cientistas capturam 45º tatu-canastra que pode revelar segredo da reprodução

Animal de 34 quilos recebeu um transmissor de GPS e poderá ajudar pesquisadores a confirmar a paternidade de futuros filhotes

Após 16 anos de pesquisas no Pantanal, o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas) alcançou um marco histórico ao capturar o 45º tatu-canastra monitorado na região da Nhecolândia, no Pantanal sul-mato-grossense. O macho, que mede 1,54 metro e pesa 34 quilos, poderá contribuir para responder uma das maiores dúvidas sobre a biologia da espécie: como ocorre sua reprodução na natureza.

O novo indivíduo já havia chamado a atenção dos pesquisadores. Em maio deste ano, ele foi registrado interagindo com Amy, uma fêmea acompanhada pelo Programa de Conservação do Tatu-canastra.

Como o encontro ocorreu durante o período reprodutivo da espécie, o registro ganhou grande importância científica.

Agora, com a captura do macho e a coleta de material genético, os pesquisadores poderão confirmar, por meio de exames de DNA, se ele será o pai de um eventual filhote de Amy.

Pesquisadores capturam 45º tatu-canastra no Pantanal
Pesquisadores capturam 45º tatu-canastra no Pantanal (Foto: Divulgação/Icas(

“Agora sabemos que o macho que capturamos é o mesmo indivíduo que observamos interagindo com a Amy. Se ela tiver um filhote nos próximos meses, poderemos utilizar as análises genéticas realizadas a partir do material coletado para confirmar a paternidade. Isso permitirá responder perguntas fundamentais sobre a reprodução do tatu-canastra, um dos aspectos que ainda conhecemos muito pouco na biologia da espécie”, explica o biólogo Gabriel Massocato, coordenador das ações do Programa de Conservação do Tatu-canastra no Pantanal.

GPS vai revelar como os machos procuram parceiras

Após a captura, o animal recebeu um transmissor de GPS que permitirá acompanhar seus deslocamentos com alta precisão ao longo dos próximos meses.

Tatu-canastra capturado pelo Icas no Pantanal
Tatu-canastra capturado pelo Icas no Pantanal

O monitoramento ajudará os pesquisadores a entender quais áreas o macho utiliza, como organiza seu território e, principalmente, como localiza fêmeas durante a época reprodutiva.

“Acompanhando esse indivíduo por GPS, teremos a oportunidade de entender melhor seus deslocamentos e descobrir como os machos procuram as fêmeas”, destaca Massocato.

Outra fêmea no período reprodutivo

Além de Amy, os pesquisadores acompanham Stacy, uma fêmea monitorada desde 2021 no Pantanal. Durante uma recaptura recente, a equipe identificou alterações fisiológicas compatíveis com a aproximação de um novo ciclo reprodutivo.

Tatu-canastra Stacy

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Segundo os cientistas, caso o macho recém-monitorado passe a frequentar a região onde Stacy vive, será possível acompanhar uma nova interação reprodutiva em ambiente natural.

Stacy havia perdido seu último filhote apenas oito dias após o nascimento, tornando uma nova gestação especialmente importante para os estudos sobre a espécie.

Tatus-canastra foram monitorados

Com a nova captura, o programa alcançou a marca de mais de 50 tatus-canastra monitorados ao longo de 16 anos de pesquisa.

São 45 indivíduos acompanhados no Pantanal e outros cinco no Cerrado, em áreas de estudo localizadas no Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas, e em uma paisagem formada por fragmentos de Cerrado e plantações de eucalipto na região de Ribas do Rio Pardo.

Engenheiro do ecossistema

Tatu-canastra cavando toca durante o dia no Pantanal
Tatu-canastra cavando toca durante o dia no Pantanal (Foto: Reprodução/Icas)

Além de ajudar a compreender a reprodução da espécie, o projeto também revelou outra descoberta importante: as enormes tocas escavadas pelo tatu-canastra, que podem ultrapassar cinco metros de profundidade, servem de abrigo para mais de 100 espécies de animais.

Por esse motivo, o tatu-canastra é considerado um verdadeiro “engenheiro do ecossistema”. Sua atividade modifica o ambiente e favorece a sobrevivência de diversas espécies, desempenhando um papel essencial para a conservação da biodiversidade do Pantanal, do Cerrado e da Mata Atlântica.

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