MT recebe 1ª SamuVet do Brasil financiada com dinheiro de multas ambientais
Equipamento será deslocado para áreas de incêndios e emergências para garantir atendimento rápido à fauna silvestre
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) entregaram nesta quarta-feira (1º), em Cuiabá, a primeira unidade móvel de atendimento veterinário para animais silvestres, a SamuVet.
O veículo foi entregue pelo Ibama e pela Sema-MT às equipes que atuam em operações de emergência ambiental e será usado em situações como incêndios florestais, enchentes e desastres naturais.

A unidade móvel foi projetada para atuar em emergências envolvendo animais silvestres, como incêndios florestais, enchentes e outras ocorrências, especialmente no âmbito da Operação Arca de Noé, voltada ao resgate da fauna no Pantanal. Com estrutura completa, incluindo energia solar, tanques de combustível duplos e sistema de captação e tratamento de água, a SamuVet permite atendimento direto em áreas remotas, sem necessidade de constantes retornos a centros urbanos.

Segundo o secretário-adjunto de Meio Ambiente de Mato Grosso, Alex Sandro Marega, os incêndios anuais na região do cerrado têm grande impacto sobre a fauna, tornando a parceria entre o estado e o Ibama essencial.
“Esse equipamento pode ser deslocado para regiões onde ocorrem grandes incêndios, proporcionando atendimento emergencial e, se necessário, transporte dos animais para o Hospital Veterinário de Cuiabá (Centras), que será o maior da América do Sul e será inaugurado no primeiro semestre de 2026”, afirmou.

Recursos de infrações financiam o projeto
O presidente nacional do Ibama, Rodrigo Agostinho, destacou que a SamuVet representa não apenas um avanço no resgate da fauna silvestre, mas também um exemplo de como os recursos das multas ambientais podem ser revertidos em benefício direto da natureza. Ele explicou que o projeto foi financiado integralmente por meio da conversão de penalidades aplicadas a infratores ambientais, mecanismo que permite transformar valores que seriam destinados ao pagamento de multas em investimentos em ações de conservação.
“Isso significa que o dinheiro de infrações contra o meio ambiente retorna para a própria natureza, em ações de conservação. Em vez de pagar apenas a multa, o infrator pode investir em projetos ambientais”, disse.

Segundo ele, a prioridade inicial será o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul, com veterinários e biólogos atendendo diretamente os animais feridos. “Com essa estrutura, podemos garantir um índice maior de sobrevida para a fauna afetada pelos incêndios florestais. A expectativa é expandir essa iniciativa para outras regiões do Brasil, priorizando estados mais afetados por incêndios”, afirmou.
A coordenadora-geral de Gestão e Monitoramento do Uso da Fauna do Ibama, Gracicleide Braga, reforçou que a unidade foi projetada para operar de forma autônoma em regiões remotas. “A energia renovável, o combustível e a água tratada permitem atendimento contínuo sem depender de infraestrutura local. Isso é um avanço no atendimento de emergências, especialmente em áreas impactadas por mudanças climáticas, como incêndios e enchentes”, disse.

A SamuVet integra uma estratégia mais ampla do governo do estado, que também inclui a construção de um centro integrado de atendimento em Poconé, no Pantanal, e o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) em Cuiabá, para fortalecer a gestão da fauna silvestre e garantir respostas rápidas a emergências em diferentes regiões do estado.
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