Murais em MS homenageiam tatu-canastra e biodiversidade do Cerrado

Série “Cores do Cerrado – Arte, Natureza e Comunidade” transformou as cidades de Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas e Brasilândia

A série de murais “Cores do Cerrado – Arte, Natureza e Comunidade” transformou as cidades de Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas e Brasilândia em galerias a céu aberto. Criadas pelo artista Fernando Berg, em parceria com o Projeto Canastras e Colmeias, as obras prestam homenagem ao tatu-canastra, espécie ameaçada e símbolo do Cerrado, e à importância das abelhas e dos apicultores na conservação da biodiversidade.

Mural em Ribas do Rio Pardo
Mural em Ribas do Rio Pardo (Foto: Icas)

Ribas do Rio Pardo inaugurou o último mural da série nesta quarta-feira (20), que representa o encontro de dois seres solitários: o tatu-canastra e a abelha-do-óleo (Centris analis). Entre eles, um fluxo de pólen simboliza a troca de energia, conhecimento e sabedoria.

Ao lado, a orquídea Cattleya nobilior — flor símbolo de Mato Grosso do Sul — é visitada por uma abelha-das-orquídeas (Euglossa), reforçando o elo vital entre biodiversidade e polinização. O fundo verde remete tanto ao Cerrado quanto à bandeira sul-mato-grossense.

“Esse mural é sobre encontro. Depois de uma vida solitária, esses animais guardam sabedorias que agora podem compartilhar. É o primeiro passo para a transformação coletiva”, explica o artista Fernando Berg.

Mural em Três Lagoas
Mural em Três Lagoas (Foto: Projeto Tatu-Canastra)

Em Três Lagoas, conhecida como a “capital do mel”, a narrativa evolui. O tatu-canastra surge carregando em suas costas uma flor de ipê-amarelo — árvore símbolo do estado — polinizada pela mamangava (Bombus morio), espécie de comportamento semi-solitário.

Ao lado, a abelha tujuba (Melipona rifuventris), altamente social e capaz de formar colônias de até 5 mil indivíduos, abre passagem para um portal em forma de colmeia, simbolizando a transição do individual para o coletivo.

Neste cenário, o tatu compartilha seus aprendizados com o tamanduá-bandeira Alvinho, e juntos atravessam para um novo nível de convivência. O fundo azul faz referência ao azul da bandeira de Mato Grosso do Sul.

Mural em Brasilândia
Mural em Brasilândia (Foto: Projeto Tatu-Canastra)

A trilogia se completa em Brasilândia, cidade escolhida em homenagem aos primeiros apicultores parceiros do projeto. Ali, o tatu-canastra aparece em ascensão, voando ao lado de abelhas sociais.

Entre elas estão a mandaçaia-da-terra (Melipona quinquefasciata), que constrói ninhos no solo, e a manduri (Melipona orbignyi), símbolo de vida em comunidade. Frutos e flores de guavira, ícone da flora sul-mato-grossense, orbitam ao redor do tatu, simbolizando abundância e renovação.

No fundo amarelo, inspirado na estrela da bandeira estadual, Alvinho ressurge transformado, agora com asas de abelha, protegido pela mandaçaia — uma metáfora de continuidade e esperança.

Arte que traduz ciência

Mural em homenagem ao cerrado de MS em Ribas do Rio Pardo (Foto: Projeto Tatu-Canastra)
Mural em homenagem ao cerrado de MS em Ribas do Rio Pardo (Foto: Projeto Tatu-Canastra)

Para o ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), os murais vão além da estética: são uma ponte entre a ciência e a comunidade. O Projeto Canastras e Colmeias surgiu em 2015, após pesquisas revelarem conflitos entre o tatu-canastra e colmeias em áreas rurais.

“Escolhemos essas três cidades pela força na produção de mel e pela parceria com apicultores locais. O mural é também uma homenagem a eles, que protegem nosso gigante da biodiversidade”, destaca Arnaud Desbiez, presidente do ICAS.

Mato Grosso do Sul está entre os principais produtores de mel do Brasil, com floradas únicas e sabores marcantes, que agora também ganham espaço na arte urbana.

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Comentários (2)

  • Edna

    Parabéns pelo trabalho, ótimo iniciativa, além da beleza que proporciona as cidades.

  • Edna

    Parabéns pelo trabalho, ótima iniciativa, além da beleza que proporciona as cidades.

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