Onça na varanda e ariranhas em alerta: comunicadora usa redes sociais para mostrar bastidores do Pantanal
Com imagens impressionantes que vão de felinos no quintal ao drama da redução de ariranhas na região, comunicadora mostra como o corredor ecológico entre MS e o Paraguai protege a biodiversidade.
Na era das redes sociais, o mundo animal tem ficado cada vez mais próximo dos seres humanos. Se tempos atrás era preciso ir até o Pantanal para explorar a beleza do bioma, hoje é possível acompanhar quase em tempo real a vivência dos animais na mata. O Instituto Delta do Salobra, por exemplo, aproxima os internautas da biodiversidade, mesmo à distância.
Atuante no local, a produtora de audiovisual Brendha Arruda, de 29 anos, compartilha a rotina do cotidiano pantaneiro nas redes sociais. Os vídeos das onças-pintadas, claro, são os campeões de visualizações. Para além das curtidas e comentários, ela aproveita a audiência para propagar a conscientização ambiental.

Em fevereiro, a aparição de uma onça-pintada na varanda da casa da comunicadora deixou o TikTok em alvoroço. O maior felino das Américas foi visto circulando na região, onde os avistamentos da espécie têm se tornado cada vez mais frequentes, consolidando o local como um refúgio seguro para a fauna pantaneira – assista acima.
Nem só de onça vive o Pantanal
Outro vídeo que bombou foi publicado quando Campo Grande sediou a COP 15, ocasião em que a ariranha entrou para a lista de espécies migratórias ameaçadas de extinção. Aproveitando que os olhos do mundo estavam voltados para a capital sul-mato-grossense, Brendha fez um apelo nas redes sociais.
“Uma decisão que transforma o que antes era debate em compromisso global. A cooperação internacional entre países é essencial!”, destacou.
Ela explicou, ainda, que até 2016 a população monitorada no Delta do Salobra era de cerca de 40 ariranhas na região.
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“Hoje estimamos que a população esteja em cerca de 20 indivíduos, sem sabermos se é apenas uma curva negativa cíclica local ou se há impactos diminuindo essa população. O que acontece globalmente se reflete localmente. E o que desaparece no local, desaparece do mundo.”

O papel dos corredores ecológicos
O trabalho desenvolvido pelo Instituto Delta do Salobra é considerado essencial para a conservação da área. A região funciona como um ponto estratégico que conecta quatro biomas diferentes em um verdadeiro corredor ecológico transfronteiriço, que se estende até o Chaco, no Paraguai.
Essa integração territorial é apontada por especialistas como o caminho mais eficiente para salvar espécies ameaçadas de extinção. Em vez de isolar os animais em ilhas de mata, os corredores ecológicos permitem que as onças expandam seu território, busquem alimento e cruzem com indivíduos de outras populações, o que amplia drasticamente as chances de sobrevivência e fortalece a diversidade genética da espécie.
A repetição desses flagrantes no Delta do Salobra coroa o esforço de ONGs, pesquisadores e propriedades parceiras, provando que a convivência harmônica entre o desenvolvimento regional e a preservação da biodiversidade é não apenas possível, mas necessária.

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