Onça permanece três dias se alimentando de carcaça no Pantanal mato-grossense

Segundo especialista em turismo selvagem, comportamento é comum entre onças idosas e fêmeas com filhotes no Pantanal.

Quem nunca comeu por três dias seguidos as sobras de um churrasco de domingo? No mundo animal não é diferente, e fartura não se dispensa. Mesmo sendo uma caçadora eficiente, a onça-pintada também aproveita alimento já disponível para economizar energia e evitar riscos na natureza.

Prova disso é o registro de uma onça se alimentando de uma carcaça por três dias seguidos às margens do rio Cuiabá, na região de Porto Jofre, no Pantanal mato-grossense. As imagens foram publicadas pelo guia de turismo Redouane Lachgar, conhecido como “Marroquino”, que acompanha turistas e fotógrafos em expedições pelo bioma.

Onça-pintada foi observada por três dias se alimentando da mesma carcaça às margens do rio Cuiabá, em Porto Jofre, no Pantanal mato-grossense.
Onça-pintada foi observada por três dias se alimentando da mesma carcaça às margens do rio Cuiabá, em Porto Jofre, no Pantanal mato-grossense. – Foto: Reprodução/Instagram @redouane_lachgar

Segundo ele, a cena, apesar de impactante para muitos internautas, é considerada comum e importante para o equilíbrio natural do Pantanal.

“Na natureza, os animais precisam economizar energia e evitar riscos desnecessários. Caçar exige muito esforço e pode causar ferimentos, então aproveitar alimento disponível é uma estratégia inteligente de sobrevivência”, explicou em publicação nas redes sociais.

Além disso, ele complementa, nada é desperdiçado no ecossistema. O que sobra da alimentação da onça ainda serve para jacarés, aves e vários outros animais menores. Tudo aqui faz parte de um grande ciclo natural que mantém o Pantanal equilibrado”, diz ele em trecho da publicação.

Ao Primeira Página, o guia contou que o registro ocorreu durante passeio com uma fotógrafa chinesa que viajou ao Pantanal para fotografar onças-pintadas. Anualmente, entre maio e julho, ocorre a travessia do gado na região e, eventualmente, animais morrem e são levados pela correnteza dos rios.

“Essa onça estava tranquila. A gente observou ela por uns três dias comendo na mesma carcaça”, relatou.

De acordo com Marroquino, o comportamento de se alimentar de carcaças é mais frequente entre onças com filhotes ou animais mais idosos, justamente por ser uma forma de garantir alimento sem gastar energia em caçadas ou correr riscos de ferimentos.

Onça às margens do rio Cuiabá, em Porto Jofre, se alimentando de uma carcaça. – Vídeo: Reprodução/Instagram @redouane_lachgar

Observação da vida selvagem

Ele também destacou que as onças do Pantanal estão habituadas à presença humana e ao movimento das embarcações, já que convivem com o turismo desde pequenas. Ainda assim, reforçou a necessidade de manter distância para evitar interferências no comportamento natural dos animais.

“As pessoas precisam respeitar a distância dos animais, no mínimo entre 15 e 20 metros, para não atrapalhar”, alertou.

Segundo o guia, outro comportamento observado é que as onças costumam permanecer próximas à carcaça durante dias, evitando se afastar enquanto ainda há alimento disponível.

Ciclo natural da vida

Além do impacto visual, Marroquino afirma que registros como esse ajudam a conscientizar sobre a importância da conservação da espécie e do próprio Pantanal.

“A vida de uma onça-pintada tem um valor muito grande. Ela atrai turistas do mundo inteiro para o Pantanal e é um elemento muito importante no equilíbrio do bioma”, afirmou.

No ecossistema pantaneiro, o que sobra da alimentação da onça ainda serve para jacarés, aves e outros animais menores, formando um ciclo natural que contribui para a manutenção da biodiversidade da região.

Leia mais

  1. Drone flagra onça solitária cruzando imensidão do Pantanal; veja vídeo

  2. Hora do lanche: onça-pintada caça jacaré para alimentar filhote no Pantanal

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.