Onça-pintada faz charme para câmera e escala árvore em segundos no coração do Pantanal
Serelepe, a onça Tata faz charme, mas logo mostra que não está para brincadeira!
Não se engane com os olhos de gatinho! As garras afiadas foram protagonistas nesta bela cena eternizada durante um safari ecológico. Uma das estrelas do projeto Onçafari deu o ar da graça em um show de habilidade ao subir no alto de uma árvore.
O momento foi registrado pelo guia Mário Nelson Cleto, que atua no roteiro de safaris no refúgio ecológico Caiman, em Miranda, Pantanal sul-mato-grossense.
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Serelepe, a onça Tata faz charme, mas logo mostra que não está para brincadeira! Escala o tronco de uma árvore em segundos e se exibe lá de cima.
As onças e as árvores
No Onçafari, cada onça-pintada tem um nome e uma história. Tata é filha de Nusa e vem sendo monitorada pelo projeto equipe desde o nascimento, em 2022.
A espécie tem habilidade em escalar locais mais altos para, além de descansar em segurança, fugir do calor e dos mosquitos, caçar, proteger filhotes e observar o território.
As fêmeas, inclusive, usam a altura para se protegerem dos predadores e também dos machos agressivos. Em locais com potencial de alagamento, a estratégia engloba fugir das inundações.
As garras retráteis servem nesta hora para aderir aos troncos, como uma espécie de gancho.
Estudo comprova!
Pesquisa realizada entre 2013 e 2020 no refúgio ecológico Caiman monitorou 252 eventos de escalada por meio de observações diretas e armadilhas fotográficas instaladas em troncos e galhos.
Os dados são reveladores: filhotes têm 7,91 vezes mais chances de subir em árvores do que adultos. O estudo sugere que as árvores funcionam como extensões verticais do território das onças, servindo como verdadeiros “quartos do pânico” para fêmeas e filhotes. No topo, eles ficam protegidos contra:
- Infanticídio: assédio e agressão de grandes machos adultos, que podem ser fatais para os filhotes.
- Predadores terrestres: ataques de animais como queixadas (porcos-do-mato) e gado.
- Conflitos com outros indivíduos da espécie: a presença de outras onças aumenta em 3,26 vezes a probabilidade de um indivíduo buscar as alturas.
Enquanto as fêmeas, que pesam entre 54 e 70 kg, sobem com agilidade, machos adultos raramente são vistos nas árvores. Apenas 1,98% dos eventos de escalada registraram machos.

O motivo é físico: um macho de 140 kg corre alto risco de queda, já que muitos galhos não suportam seu peso. Quando sobem, geralmente é para seguir uma fêmea no cio, garantindo a reprodução.
Principais desafios para os machos adultos:
- Risco de quedas e lesões: o impacto de uma queda é mais perigoso devido à maior massa corporal.
- Fragilidade dos galhos: muitos galhos não suportam o peso de machos adultos, que podem pesar entre 102 e 140 kg — cerca de 36% a mais que a média das fêmeas.
- Dificuldade de locomoção: seu tamanho dificulta a escalada e o deslocamento vertical.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do projeto Onçafari.
Além da segurança, as árvores proporcionam um ambiente de aprendizado: enquanto as mães descansam na sombra fresca da copa, os filhotes praticam suas habilidades de escalada, essenciais para sua futura sobrevivência.

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