Onça que atacava gado e quase fez produtores irem embora reaparece com filhotes no Pantanal
Onça Cyntia havia causado perdas e levado uma família a pensar em deixar a propriedade, mas um projeto do Instituto Impacto protegeu o gado e permitiu a permanência da onça na região.
Uma história entre uma onça-pintada e dois produtores rurais se tornou o novo exemplo de coexistência no no Pantanal mato-grossense. Na sexta-feira (25), o Instituto Impacto compartilhou nas redes sociais a história da onça Cyntia, que inicialmente havia se tornado motivo de preocupação para o seu Zé e a dona Gonza, já que o felino predava o gado da família.
Diante disso, a propriedade recebeu a implantação de cercas elétricas por meio de um projeto científico desenvolvido pelo Instituto, que busca permitir que o maior felino das Américas continuem vivendo nos ambientes próximos de fazendas sem atacar animais como gados, porcos e galinhas.
Cerca de um ano depois, a onça-pintada Cyntia foi reencontrada pela equipe, acompanhada de dois filhotes. A descoberta, segundo o órgão, representa um resultado positivo na tentativa de conciliação da criação de animais e a presença da fauna silvestre nas proximidades da Pousada Piuval.
Coexistência no Pantanal
Quando a equipe conheceu a história, Cyntia estava predando animais de produção em uma pequena propriedade ribeirinha. Para seu Zé e dona Gonza, as perdas já começavam a pesar na rotina e no sustento da família.
A situação chegou ao ponto de os produtores considerarem deixar o local e se mudar para a cidade.
Foi nesse momento que o caso passou a ser acompanhado pelo Instituto Impacto, que buscou entender por que a onça estava atacando o gado e, principalmente, se havia uma maneira de impedir novas perdas sem que o animal precisasse ser retirado daquele território.
Por meio de estudos e monitoramento da área, a equipe identificou os períodos em que os animais estavam mais vulneráveis aos ataques e encontrou uma alternativa para protegê-los: a instalação de um curral elétrico de fechamento noturno, adaptado para impedir a entrada da onça.
A estratégia era concentrar a proteção justamente no período em que os animais ficavam mais expostos. Durante a noite, o gado passou a permanecer dentro do curral protegido por cercas elétricas.
O resultado mudou a relação da família com o problema: depois da instalação, seu Zé e dona Gonza não registraram nenhuma nova perda causada por predação de onça, segundo o Instituto.

Mas, havia uma segunda parte da história que também precisava ser acompanhada. Afinal, proteger o gado não significava que o objetivo era afastar Cyntia daquele território, como defendeu a organização.
Um ano depois, a surpresa 🐆
Pouco mais de um ano após os primeiros registros, a equipe voltou a encontrar a onça. Dessa vez, porém, a cena era diferente daquela que havia levado os produtores a procurar uma solução para a perda de gados: Cyntia estava acompanhada de dois filhotes.
O registro mostrou que, enquanto o gado permanecia protegido na propriedade, a onça continuava vivendo livremente na região e ocupando o mesmo território. Mais do que isso, havia conseguido criar uma nova geração.
Para o Instituto Impacto, o caso mostra na prática a proposta do Programa Integrado Pantanal de Coexistência (PIP Coexistência), iniciativa criada para apoiar produtores rurais na adoção de estratégias que reduzam conflitos com a fauna silvestre.
A experiência de Cyntia, seu Zé e dona Gonza começou com prejuízos que ameaçavam a permanência da família na propriedade e terminou com uma solução em que os animais de produção passaram a contar com uma barreira de proteção, enquanto a onça continuou vivendo livre no Pantanal.
Cercas elétricas ‘ensinam’ felinos no Pantanal
A implantação de cercas elétricas em propriedades rurais no Pantanal mato-grossense vem mudando a relação entre produtores rurais e onças-pintadas.
A tecnologia, que faz parte de um projeto científico do Instituto Impacto, reduz os prejuízos causados por ataques a rebanhos, além de evitar a morte dos felinos em decorrência dos conflitos nas regiões pantaneiras.
Na prática, as cercas são instaladas em áreas onde vivem animais mais vulneráveis, como bezerros, porcos, galinhas e outros animais de criação que representam a principal fonte de renda de muitas famílias da zona rural.
Em um vídeo publicado nas redes sociais em julho deste ano, o médico veterinário e pesquisador da instituição, Samuel Felipe Bressan, explica que as instalações das cercas elétricas fazem parte do Pograma Integrado Pantanal de Coexistência e funcionam como uma ferramenta de prevenção, protegendo tanto a produção rural quanto a fauna silvestre. Assista abaixo:
A eficácia da iniciativa e a capacidade das onças em entenderem a delimitação terrestre foram comprovadas cientificamente.
Um estudo desenvolvido pelo Instituto Impacto e publicado na revista National Geographic acompanhou o comportamento das onças-pintadas diante da instalação de cercas elétricas na Pousada Piuval, em Poconé (MT).
Os pesquisadores Paul Raad, Samuel Felipe Bressan e Fernando Cesar Cascelli de Azevedo, que assinaram o estudo, destacam que, embora a onça-pintada seja tradicionalmente descrita como um animal solitário, há contextos em que ocorre transmissão de comportamento entre indivíduos da mesma família.
No local, pesquisadores instalaram câmeras de monitoramento para observar tanto a eficiência das cercas quanto a reação dos felinos. O resultado da pesquisa mostrou uma redução de 83% na predação e nenhum ataque foi registrado dentro das áreas protegidas pelas cercas eletrificadas.
As imagens revelaram, ainda, que as onças demonstram capacidade de aprender com a experiência e adaptar seu comportamento diante das mudanças impostas pelo ser humano. Segundo o estudo, os felinos apresentam “capacidade de interagir socialmente, aprender com outras onças-pintadas e se adaptar coletivamente aos desafios impostos pelos humanos”.
Aprendizado por observação
Durante o monitoramento, pesquisadores do Instituto Impacto registraram o momento em que uma onça subadulta tentou acessar um curral protegido e recebeu um choque elétrico. A reação imediata foi de recuo. Outras onças, que acompanhavam a tentativa, passaram a se aproximar com cautela, cheirar a estrutura e evitar qualquer novo contato.
Nos registros posteriores, nenhuma das onças voltou a tocar a cerca. Para os autores do estudo, esse padrão indica aprendizado por observação, quando o animal reconhece o risco sem precisar vivenciá-lo diretamente.
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Comentários (1)
Os animais em primeiro lugar em tudo,o humano que não vale nada ,invadem o habitat deles constrangendo_os ,pasmem
Como não apareceu ninguém para atirar nesse bicho ?
Até parece que na minha propriedade a onça ia ser mais valiosa do que eu. Não ia nem reaparecer com ou sem filhote
Essas pragas perigosas precisam ser abatidas!!!
Um final feliz para todos. Vale lembrar que estamos invadindo o espaço dos animais e consequentemente diminuindo sua caça.