Onça que teria matado caseiro é reclusa, mas se adapta bem ao novo lar

Onça Irapuã vive em um recinto mantido pelo Instituto Ampara, em São Paulo

A onça-pintada Irapuã, capturada em abril deste ano e suspeita de matar o caseiro Jorge Ávalo, de 60 anos, na região de Touro Morto, no Pantanal de Aquidauana (MS), está se adaptando bem à nova casa, um recinto mantido pelo Instituto Ampara, em São Paulo.

Conforme o responsável técnico e médico-veterinário do instituto, Jorge Salomão Júnior, o felino ainda está recluso, mas a adaptação está evoluindo conforme o esperado.

“Do ponto de vista clínico, ele está evoluindo muito bem, está comendo cada vez melhor. Ele chegou com episódios de diarreia, e isso foi sendo corrigido também. Hoje, as fezes já estão firmes. Então, ele vem se apresentando bem — e a parte comportamental também, né? Ele vem se adaptando super bem.”

Jorge Salomão Júnior.

O encaminhamento do animal para o espaço atendeu às definições e critérios de destinação indicados pelo Programa de Conservação do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), coordenado pelo CENAP (Centro de Pesquisa, Manejo e Conservação de Espécies de Mamíferos Carnívoros) que ocorrem no país.

Esse programa faz parte do Plano de Manejo Populacional para a Onça-Pintada, uma ação do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Grandes Felinos. O Instituto Ampara Animal é signatário do programa e promove a manutenção das onças-pintadas sob orientação do ICMBio.

Ataque e captura da onça-pintada

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Onça sendo medicada no CRAS de Campo Grande. (Foto: Saul Schramm)

A onça-pintada foi capturada pela PMA (Polícia Militar Ambiental) no dia 24 de abril, três dias após o caseiro desaparecer em um pesqueiro. No local, foram encontrados apenas vestígios de sangue e pegadas do animal. Após o sumiço, equipes da PMA e pantaneiros encontraram a onça junto aos restos mortais de Ávalo no meio da mata. Na ocasião, a onça chegou a ferir o braço de um dos homens que atuavam nas buscas.

O motivo da captura, conforme o governo de Mato Grosso do Sul, foi prevenir que o animal voltasse a atacar humanos, já que havia indícios de que ela era cevada no pesqueiro — como é chamada a prática de alimentar animais silvestres.

Após 21 dias em observação no CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Campo Grande, o animal foi transferido para o instituto, onde foi batizado. Irapuã significa “agilidade e força” em tupi-guarani.

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