Onça subterrânea: pesquisadores esclarecem 6h de felino em toca de tatu-canastra
Comportamento inédito foi documentado no Cerrado brasileiro, e chama a atenção para a importância ecológica
Pesquisadores registraram, pela primeira vez, uma onça-pintada utilizando a toca de um tatu-canastra como abrigo, possivelmente para se proteger do calor. O comportamento inédito foi documentado no Cerrado brasileiro, e chama a atenção para a importância ecológica dessas estruturas naturais em um cenário de aumento das temperaturas.

O registro foi feito por meio de armadilhas fotográficas instaladas na entrada de uma toca escavada por um tatu-canastra.
As imagens mostram um macho adulto de onça-pintada entrando e saindo do abrigo ao longo de um dia inteiro, permanecendo por mais de seis horas no interior da toca.

De acordo com o estudo, o felino passou cerca de 419 minutos dentro da toca e outros 161 minutos nas proximidades, entre a manhã e o fim da tarde.
O comportamento foi observado em uma área de campos abertos, com pouca oferta de sombra natural. As temperaturas máximas registradas nos dias do monitoramento variaram entre 28,3 °C e 33 °C.
Os pesquisadores avaliam que a toca tenha sido utilizada como refúgio térmico, já que estruturas escavadas pelo tatu-canastra mantêm temperaturas internas mais estáveis, entre 25 °C e 26 °C, mesmo em períodos mais quentes. Além de oferecer um microclima mais fresco, o local também pode servir como abrigo seguro para descanso.
O tatu-canastra é considerado uma espécie engenheira do ecossistema. Suas tocas, que podem chegar a até cinco metros de profundidade, modificam o ambiente e criam novos habitats utilizados por diversas espécies de vertebrados.
Mesmo em regiões onde o tatu-canastra é raro, essas escavações permanecem no ambiente e continuam exercendo papel ecológico relevante.

Antes desse registro, outras espécies de mamíferos, como tamanduás, tatus menores e carnívoros de médio porte, já haviam sido observadas usando tocas de tatu-canastra para abrigo ou descanso.
No entanto, não havia relatos de interação desse tipo envolvendo a onça-pintada, o maior predador terrestre das Américas.
O animal registrado no estudo era um macho relativamente pequeno para a espécie, com cerca de 70 quilos, o que pode ter facilitado o uso da toca.
Ainda assim, os pesquisadores destacam que não é possível afirmar se o comportamento é comum entre outras onças ou se se trata de uma característica individual.
O estudo ressalta que, com o aumento das temperaturas previsto em cenários futuros de mudanças climáticas, as tocas de tatu-canastra podem se tornar ainda mais importantes como refúgios térmicos, reservatórios de umidade e abrigo contra condições climáticas extremas para diversas espécies do Cerrado.
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