Ovos de papagaios salvos do tráfico viram aves e se preparam para a soltura; assista
Ao ser questionada pelos agentes, a mulher tentou enganar a fiscalização alegando que se tratavam de "ovos de galinha"
O que começou como um crime ambiental flagrado no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, se transformou numa jornada de sobrevivência para a biodiversidade brasileira. Nove filhotes de papagaios de espécies ameaçadas, que foram resgatados ainda dentro de ovos escondidos sob as roupas de uma traficante, estão agora em fase avançada de reabilitação e se preparam para, no futuro, retornar à natureza no tão esperado voo à liberdade.
A apreensão ocorreu em 26 de outubro do ano passado, quando uma passageira estrangeira, portadora de passaporte suíço, foi flagrada durante a fiscalização antes do embarque. Escondidos em meias de nylon presas ao próprio corpo, estavam 24 ovos de aves silvestres.
Ao ser questionada pelos agentes, a mulher tentou enganar a fiscalização alegando que se tratavam de “ovos de galinha”. Contudo, os exemplares já estavam em estágio avançado de desenvolvimento e foram imediatamente entregues ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Após o resgate, uma força-tarefa composta pelo instituto e parceiros especializados iniciou uma corrida contra o tempo para garantir o nascimento das aves. Devido às condições precárias de transporte impostas pelo tráfico, apenas 12 dos 24 ovos chegaram a eclodir e, destes, nove filhotes sobreviveram.

Com o crescimento das aves, os técnicos conseguiram identificar que os animais pertencem a espécies raras e protegidas, como o papagaio-charão e o papagaio-de-cara-roxa. Ambas as espécies são classificadas como vulneráveis e estão incluídas no Apêndice I da Cites, que reúne os animais com maior risco de desaparecimento no planeta.
Atualmente, os filhotes se tornaram aves jovens e saudáveis. Eles foram encaminhados ao Zoológico de São Paulo, onde passam por uma rigorosa etapa de reabilitação. No local, os pássaros serão submetidos a avaliações genéticas e treinos de voo e alimentação para verificar a viabilidade de reintegração ao ambiente natural.

A previsão é que, após este processo, os animais sejam destinados a áreas compatíveis com o seu habitat original, dentro de programas oficiais de conservação.
Crime
Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), o comércio ilegal de fauna movimenta cerca de US$ 2 bilhões por ano, sendo as aves o principal alvo.
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