O Primeira Página apurou que a Fujona deve ser levada para um dos tanques de exposição do Bioparque na próxima semana. O procedimento de quarentena ocorre para todos os animais que chegam ao espaço e precisam se adaptar.
Nesse período, uma equipe técnica especializada composta por biólogos e médicos veterinários realiza exames e acompanhamento.
“Assim que ele chegar ao Bioparque, começam as observações comportamentais, principalmente alimentares, e também comportamentos que podem ser decorrentes do estresse da captura e do transporte, o que é comum entre espécies de animais selvagens. Ele vai passar por alguns exames; vamos recolher material biológico para enviar a laboratórios de bacteriologia, análises clínicas e até exames de imagem, se for necessário. Assim que o animal estiver saudável e pronto para ir para os tanques do Bioparque Pantanal, ele será liberado pelo setor de veterinária”, explicou o veterinário Edson Pontes.
Tanque Grandes Rios, a nova casa da Fujona (Vídeo: Bioparque Pantanal)
Fuga digna de cinema
O peixe vivia em um pesqueiro de Campo Grande e ganhou “fama” após saltar de um carro em movimento no cruzamento da Avenida Mato Grosso com a Rua Doutor Paulo Coelho Machado.
A personal trainer Edria Coletti registrou a situação inusitada, e o flagrante viralizou. A tentativa de “fuga” ocorreu enquanto o peixe estava sendo levado para a Festa do Peixe, na Feira Central.
O empresário Adelmo de Oliveira, dono do pesqueiro onde o pirarucu vivia, lembra da situação curiosa. O peixe rompeu a cobertura improvisada feita no tanque em que era transportado para a festa.
“Foi um motociclista que emparelhou comigo e avisou: ‘seu peixe ficou lá atrás’. (…) Filmaram, e no outro dia todo mundo já sabia o que tinha acontecido, viralizou. O Bioparque nos procurou e achamos melhor doar para eles. Agora o pessoal pode conhecer o peixe fujão”.
Com a repercussão do caso, a administração do Bioparque demonstrou interesse no animal para que ele possa ser usado em atividades educativas, conforme a diretora-geral do atrativo, Maria Fernanda Balestieri.
“O pirarucu é uma espécie invasora nos rios de MS. A ideia é fazer uma parceria com o pesqueiro para que possamos trabalhar o caráter educativo da espécie no Bioparque Pantanal, que tem como um de seus pilares a educação ambiental. Ele será usado em visitas com crianças, por exemplo, nas quais será explicado por que não se deve soltá-lo em biomas como o Pantanal e toda a problemática que ele pode causar”, afirmou Maria Fernanda.
O nome Fujona foi um apelido dado por internautas que acompanharam o caso nas redes sociais. Por isso, o Bioparque decidiu manter a nova identidade da pirarucu.
Por ser nativo da Amazônia, região onde as temperaturas costumam serem altas, devido à presença do clima tropical das florestas, Beto, o pirarucu que vive no Bioparque Pantanal, é mantido em tanque cujo clima fica acima dos 26°C.
“É um tanque todo preparado que contém uma estufa para manter a temperatura externa também do ambiente, principalmente durante o período de inverno, porque esse peixe pode morrer se ele respirar um ar muito gelado”, disse Heriberto Gimenes Júnior, biólogo e curador do complexo aquático.
Piracuru Beto no Bioparque Pantanal (Foto: divulgação)
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