Poderosa do Pantanal, onça-pintada também escolhe as presas “fáceis”
A dieta do maior felino das Américas varia de acordo com a localidade e as escolhas do animal priorizam o menor gasto de energia
A onça-pintada é forte, rápida, não tem nenhum predador natural, mas quando o assunto é dieta muitas vezes ela opta pelo “mais fácil”, ou seja, o que vai demandar menor esforço. De jacaré a peixe, nada escapa do maior felino das Américas.
O tenente-coronel da Polícia Militar Ambiental e doutor em Ecologia e Conservação, Edmilson Queiroz explica que a onça é predador de topo de cadeia. Isto quer dizer que, tecnicamente, todas as presas que compõem esta cadeia alimentar são passíveis de predação.
Recentemente a reportagem do Primeira Página divulgou o momento em que uma onça caça um jacaré no Pantanal de Mato Grosso do Sul. As cenas mostram ela se aproximando lentamente, sem tirar os olhos da presa, depois acelerando as passadas até abocanhar o animal.

“Mesmo sendo um predador de topo e muito forte ela procura sempre as presas mais fáceis: animais mais velhos, filhotes, animais deficientes e, em último caso, um animal mais forte. Porque quando precisa se alimentar, ela vai tentar capturar qualquer um”, diz, citando “princípio da economia de energia” usado instintivamente por todos os animais.
Queiroz explica que depois da captura, a onça se alimenta, divide a caça com os filhotes se houver, esconde o restante e fica vigiando. “Enquanto tiver proteína ali ela não vai sair em busca de outra presa. Assim funciona na natureza”, diz.

Outra “regra” da natureza tem relação com a disponibilidade das presas, conforme explica o médico veterinário e coordenador do programa Felinos Pantaneiros do Instituto Homem Pantaneiro, Diego Viana.
“As onças tendem a se alimentar mais de determinadas espécies, mas isso varia de acordo com a região onde elas estão. De acordo com a região, variam as presas disponíveis e a quantidade dessas presas”, diz.
O veterinário cita alguns trabalhos científicos sobre a dieta das onças que compara o local onde elas vivem com o que caçam. Na Estação Ecológica de Taiamã, no Mato Grosso, por exemplo, os pesquisadores observam que a prioridade das onças são jacarés e peixes.

Na região de Miranda, a tendência das onças é caçar pequenos e médios vertebrados como queixadas, catetos, capivaras e tatus. “A dieta é bem variada. Quando estão mais próximas da beira do rio a tendência é de que se alimentem de peixes e jacarés. Quando vão se afastando se alimentam mais de mamíferos”, enfatiza. “A dieta delas varia de acordo com o que tem no ambiente. As onças se adaptam bem a isso”, diz.
Uma predadora de respeito
Questionado sobre a força da mordida da onça, Diego Viana conta que é a terceira mais forte entre os felinos, ficando atrás apenas da do leão e do tigre. A comparação, segundo ele, é feita avaliando o impacto causado no crânio das presas. “Mas se a gente comparar o tamanho do animal, a massa corporal, a força da mordida da onça é mais forte”, finalizou.

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