Quase 750 pinguins são encontrados mortos em praias
Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) aponta que animais estavam em decomposição, dificultando a identificação da causa; especialistas investigam hipóteses que vão da falta de alimento à interação com a pesca.
Um cenário preocupante marcou o litoral sul de São Paulo na última semana. Entre os dias 15 e 21 deste mês, o Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) encontrou 739 pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) mortos nas praias de Cananéia, Iguape e Ilha Comprida.

A grande quantidade de animais e o estado em que foram localizados acenderam um alerta entre biólogos e ambientalistas que monitoram a região.
De acordo com o comunicado oficial do IPeC, a maioria dos pinguins já se encontrava em estágio avançado de decomposição. Essa condição, segundo os técnicos do instituto, representa um grande desafio para determinar com precisão a causa das mortes, uma vez que muitas evidências biológicas se perdem com o tempo.
Apesar da dificuldade, os especialistas trabalham com um conjunto de hipóteses baseadas em necropsias de animais encontrados em melhor estado e no quadro clínico daqueles que chegam vivos para reabilitação. Uma das hipóteses levantadas para essas mortes pode ser os efeitos da migração por longas distâncias, dificuldade em encontrar alimento, parasitoses, quadros infecciosos e a interação com a pesca.
A jornada migratória e os riscos naturais
É importante contextualizar que a aparição de pinguins-de-magalhães nesta época do ano no litoral brasileiro é um fenômeno natural. Todos os anos, durante o inverno austral, milhares desses animais deixam suas colônias reprodutivas na Patagônia, principalmente na Argentina, e migram em direção ao norte em busca de águas mais quentes e abundância de alimento, como peixes e crustáceos.
Essa jornada, que pode se estender por milhares de quilômetros, é cheia de perigos, especialmente para os indivíduos mais jovens e inexperientes. Tempestades, predadores naturais e a própria exaustão da viagem podem debilitar os animais. A dificuldade em encontrar cardumes durante o trajeto pode levar a um quadro de desnutrição e hipotermia, tornando-os mais vulneráveis a doenças e outras ameaças.
Impacto na espécie e ameaças humanas
Embora o número de quase 750 mortes seja alarmante para um período tão curto, os especialistas do IPeC esclarecem que eventos como este, isoladamente, não colocam a espécie em risco de extinção.
A população global de pinguins-de-magalhães é estimada entre 2 e 3 milhões de indivíduos, com colônias robustas e protegidas em seu habitat natural.

O trabalho do IPeC e como ajudar
O IPeC é a instituição responsável pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) na região, realizando um trabalho vital de salvamento, reabilitação e conservação da fauna marinha. Além de cuidar dos animais vivos, o instituto também garante a destinação correta das carcaças encontradas, o que é fundamental para a saúde pública e para a coleta de dados científicos.
Caso algum cidadão encontre um animal marinho debilitado ou morto nas praias de Cananéia, Iguape e Ilha Comprida, a orientação é não se aproximar e acionar imediatamente a equipe especializada do IPeC.
- Telefone Fixo: (13) 3851-1779
- Ligação Gratuita: 0800 642 33 41
- WhatsApp: (13) 99691-7851
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