Raro e fatal: tatu-canastra é atropelado na BR-262 e acende alerta

Atropelamento preocupa especialistas porque tatu-canastra está classificado como Vulnerável à extinção

O maior tatu do mundo, o tatu-canastra, foi encontrado morto após ser atropelado na BR-262, entre Três Lagoas e Água Clara. O animal, que é raríssimo de ser visto na natureza, foi localizado por pesquisadores do ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) durante monitoramento na região.

Tatu-Canastra atropelado na BR-262
Tatu-Canastra atropelado na BR-262 (Foto: Divulgação/Projeto Tatu-Canastra)

A equipe realizou a coleta de material biológico no local, retirando fragmentos de músculo e orelha, preservados em etanol para análise genética.

Segundo a pesquisadora Carla Gestich, os dados ajudam a avaliar a variabilidade genética da espécie no Cerrado e entender o estado de saúde das populações.

O atropelamento preocupa especialistas porque o tatu-canastra está classificado como Vulnerável à extinção pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) e pelo ICMBio. Cada perda representa um impacto significativo para a biodiversidade.

Segundo o presidente do ICAS, Arnaud Desbiez, a morte de um único tatu-canastra representa uma perda significativa para a biodiversidade do Cerrado, já que a espécie tem uma reprodução lenta.

“Uma fêmea só atinge maturidade sexual entre sete e nove anos e tem apenas um filhote a cada três ou quatro anos. Isso significa que a população cresce lentamente e não consegue se recuperar diante das pressões humanas, como o desmatamento e as colisões com veículos”, alerta Desbiez.

BR-262 é ponto crítico para fauna

O tatu foi encontrado em um dos trechos mais perigosos do país para a fauna silvestre. Em uma única viagem, pesquisadores do ICAS já registraram 11 antas atropeladas em um mesmo trecho da BR-262.

De acordo com o Instituto, o aumento de colisões está relacionado ao tráfego pesado ligado à rota da celulose, o que ameaça tanto os animais quanto os motoristas. Colisões com grandes mamíferos podem causar acidentes graves e fatais também para humanos.

Atualmente, existe um plano de mitigação de atropelamentos na BR-262, mas ele é aplicado apenas no sentido Campo Grande–Corumbá, deixando outros trechos vulneráveis.

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