Registro inédito: batizada de Flora, fêmea de tatu-canastra é capturada em parque

O registro é fruto de um monitoramento por GPS iniciado no local em 2022.

Para comemorar o Dia do Cerrado, celebrado nesta sexta-feira (11), o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) divulgou a captura inédita de uma fêmea de tatu-canastra, realizada no último domingo (6), no Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas.

Veja momento em que a fêmea de tatu-canastra “Flora” é monitorada e devolvida à natureza em Três Lagoas (Vídeo: ICAS/Projeto Tatu-Canastra)

De acordo com o instituto, o exemplar, batizado de Flora, pesa 26 kg e é a 10ª capturada e monitorada pelo projeto no bioma. O registro é fruto de um monitoramento por GPS iniciado no local em 2022.

Os transmissores permitem acompanhar com mais precisão os trajetos e o uso da paisagem pelos animais, o que ajuda os pesquisadores a entender melhor o comportamento da espécie e suas necessidades de conservação.

Biólogos e médicos-veterinários examinando uma fêmea adulta de tatu-canastra em meio à vegetação nativa do Cerrado, durante ação de conservação do ICAS no Parque do Pombo.
Flora, fêmea de tatu-canastra de 26 kg, é a 10ª capturada e monitorada por GPS pelo projeto do ICAS no bioma do Cerrado. (Foto: Divulgação/ICAS)

Ainda segundo o ICAS, a equipe responsável pela captura foi formada pelos médicos-veterinários Raquel Muhlbeier e Henrique Rivas, pelas biólogas Amanda Melo e Millena Castro, além da voluntária argentina Juana Lima.

Ao todo, o parque conta com 80 câmeras instaladas. Juntos, os dados das armadilhas fotográficas e do GPS ajudam a revelar como os tatus-canastra utilizam o território, quais áreas são fundamentais para a espécie e como é possível contribuir para a conservação e a conectividade entre os habitats.

Tatu-Canastra

Imagem mostra tatu-canastra fêmea deitada, sedada, para passar por bateria de exames
Tatu-canastra fêmea sedada para bateria de exames (Foto: ICAS/Projeto Tatu-Canastra)

Segundo equipe do ICAS, mais de 100 espécies de vertebrados já foram registradas usando a toca do tatu-canastra ou seu entorno.

Agindo assim, eles alteram seu habitat natural e criam novos lares para outras espécies, que usam as tocas como refúgio térmico, abrigo contra predadores e recurso de alimentação.

O tatu-canastra cava três tipos de buracos:

  • Buracos de alimentação, com cerca de 60 cm de comprimento.
  • Buracos de descanso, profundos, com cerca de 1,70 m, usados geralmente por uma noite.
  • Buracos mais extensos, de até 4 m, usados por alguns dias.

Suas tocas têm formato semicircular e medem, em média, 40 cm de largura por 33 cm de altura.

Imagem mostra tatu-canastra fêmea deitada, sedada, para passar por bateria de exames
Tatu-canastra foi comparado a “criatura pré-histórica” por pesquisadores estrangeiros (Foto: ICAS/Projeto Tatu-Canastra)

Os abrigos são grandes porque a espécie é gigante!

Os adultos podem alcançar 1,50 m de comprimento — da ponta do nariz à ponta da cauda — e pesar, em média, 33 kg, com os machos geralmente maiores que as fêmeas.

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