Sandro está preso? Entenda treinamento para elefante aceitar cuidados médicos em nova fase no santuário
As novas atividades que o elefante irá aprender são importantes para que ele possa passar por exames e receber cuidados médicos dos cuidadores de forma segura, diz santuário.
Novas imagens divulgadas pelo Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães (MT), nessa sexta-feira (25), mostram o início do treinamento para que o elefante Sandro avance na adaptação ao novo lar. O treinamento serve para que o animal entenda comandos e, gradualmente, aceite a presença e o toque da equipe de cuidadores.
Nas imagens, Sandro aparece dentro de uma baia com grades, o que despertou questionamentos de internautas nas redes sociais em relação a uma possível “prisão” do animal. Mas, como esclareceu a equipe, o elefante precisa aprender a permanecer nesse local por curtos períodos de tempo para passar por exames e avaliações de saúde, que só podem ser feitos ali.
A voz que surge no vídeo é de Scott Blais, presidente e cofundador do santuário, que conversa com Sandro enquanto ele corresponde com alguns sons que, até então, não haviam sido emitidos pelo animal desde a chegada ao santuário, no dia 18 deste mês.
Diante do comportamento do animal, Scott o chama de “amável” e “garoto incrível”.
Ao Primeira Página, a organização explicou que esses sons são sinônimos de que Sandro está bem.
Não, ele não está bravo. Os ruídos são ótimos, significam que ele está começando a se comunicar mais com os cuidadores do que antes.
– Santuário de Elefantes Brasil
As novas atividades que o elefante irá aprender são importantes para que ele possa passar por exames e receber cuidados médicos de forma segura. A área onde os elefantes recebem esses cuidados tem abertura para que eles entrem e saiam livremente, como reforçou a equipe.
Além dos centros de tratamento, as atividades também poderão ser realizadas em estruturas instaladas dentro dos galpões e em alguns pontos ao longo das cercas da área verde.
Por isso, apesar de Sandro poder ser visto “atrás das grades” durante parte do treinamento, o santuário afirma que esse período representa apenas uma pequena parte do dia do animal e será importante para ampliar os cuidados que ele poderá receber.
Treinamento começa do zero
O conforto de Sandro com os novos cuidadores é de extrema importância nesse novo momento de adaptação. No zoológico, onde o elefante viveu por mais de 40 anos, a equipe colocava comida em sua tromba, mas não mantinha contato físico com ele para realizar procedimentos médicos.
Segundo o santuário, há cerca de 10 anos Sandro teve um tratador que realizava cuidados com as patas em contato livre. Porém, com base nos registros médicos apresentados no caso do elefante e nas conversas com a equipe do zoológico, o santuário acredita que essa tenha sido a única pessoa que cuidou dele dessa maneira.
Agora, os novos cuidadores estão dando espaço para que Sandro a conheça e desenvolva uma relação de confiança. Se ele demonstrar que está receptivo, o toque será introduzido aos poucos.

A proposta é não forçar o contato. O santuário explica que, assim como não seria adequado tocar uma pessoa desconhecida sem que ela demonstrasse estar confortável, o mesmo princípio é aplicado a Sandro.
Dessa forma, o treinamento também busca estabelecer uma comunicação em que o elefante possa demonstrar quando está pronto para avançar para a próxima etapa.
Reforço positivo
Sandro também terá que aprender um método de treinamento que, segundo o santuário, ele nunca havia experimentado: o reforço positivo.
A técnica consiste em ensinar o animal a se aproximar de um estímulo positivo, o que pode ser mais complexo no caso de elefantes que tiveram experiências em circos, onde o treinamento poderia envolver o afastamento de estímulos negativos.
O santuário afirma que, pelo comportamento tranquilo de Sandro, a expectativa é que ele se adapte rapidamente. Ainda assim, ressalta que o processo será longo e precisará acontecer gradualmente.
Depois que ele compreender a dinâmica do treinamento, a equipe pretende ensiná-lo a apresentar diferentes partes do corpo, inclusive as patas. Isso permitirá visualizar as almofadas plantares e começar a avaliar as condições dos pés.
Saúde ainda tem incógnitas
A possibilidade de realizar esses exames é especialmente importante porque o santuário ainda não conseguiu avaliar completamente a saúde de Sandro desde que o processo de transferência dele de Sorocaba (SP) para Chapada dos Guimarães iniciou.
Ainda há muitas incógnitas sobre a saúde do elefante
O Santuário de Elefantes Brasil já identificou alguns possíveis problemas de saúde de Sandro, mas ainda não foi possível fazer uma avaliação completa.
Próximos cuidados
Por ser um elefante idoso, Sandro precisa passar por uma avaliação mais detalhada. A coleta de sangue poderá ajudar a equipe a verificar as condições de órgãos e do sistema imunológico.
Informações: Santuário de Elefantes Brasil
Sandro precisa recuperar força e peso
Nessa semana, o elefante também vem passando por uma nova rotina de alimentação e exercícios, pois precisará recuperar a força do próprio corpo para aproveitar tudo o que o Santuário de Elefantes Brasil tem a oferecer, como explicou a equipe.
Neste primeiro período de adaptação, Sandro ainda está recebendo a mesma base de alimentação que tinha no zoológico, mas em maior quantidade. A mudança acontece porque, segundo o Santuário Global de Elefantes, ele está abaixo do peso considerado ideal e apresenta tônus muscular fraco, mesmo pesando cerca de 4,8 toneladas.
A alimentação, porém, é apenas uma parte do processo. A equipe também pretende estimular Sandro a se movimentar cada vez mais pelo novo ambiente para que ele recupere força e condicionamento físico. Com o ganho de energia, a expectativa é que ele passe mais tempo fora do abrigo e explore melhor a área disponível no santuário.
Por enquanto, o cardápio inclui grama picada, legumes cozidos e frutas frescas. Entre elas está a melancia, que voltou a aparecer nas imagens divulgadas pelo santuário nessa quinta-feira (24). No vídeo, Sandro usa a tromba para enrolar e pegar os pedaços de alimento antes de levá-los à boca.

Relembre os primeiros dias no santuário
Capturado ainda filhote na Ásia, Sandro passou mais de quatro décadas vivendo em um zoológico até chegar ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães.
A mudança representa também uma transformação no espaço disponível para o elefante: ele deixou um recinto externo de cerca de 1 mil m² para ter acesso a mais de 40 mil m² de área natural – mais de 40 vezes o tamanho do espaço onde vivia.
Sandro agora é o único macho entre os elefantes que vivem no santuário, mas não terá contato físico com as seis fêmeas. Inicialmente, ele ficará em um recinto localizado a aproximadamente 50 metros da área delas.

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Cada galpão do Santuário tem algumas baias de tratamento, espaços onde os elefantes ficam para receber cuidados médicos. É também por onde eles entram e saem do galpão. Sandro precisará passar por exames extensos e receber cuidados médicos personalizados, por isso é importante que se acostume a permanecer nessa área por curtos períodos.
O treinamento não acontecerá apenas nos centros de tratamento. Temos estruturas de treinamento no galpão e ao longo das cercas em alguns pontos (vocês vão notar trechos das cercas com mais barras do que o normal). A vantagem do centro de tratamento é permitir o acesso a todos os lados de Sandro ao mesmo tempo, possibilitando exames de corpo inteiro. Então, embora algumas pessoas possam questionar por que Sandro está “atrás das grades”, essa é uma parte muito pequena do seu dia e permitirá uma melhora significativa no nível de cuidados que podemos oferecer.
Neste vídeo, Scott fala sobre começar a fechar Sandro no centro de tratamento para que ele se acostume com o espaço e possamos avançar com seu treinamento. Como muitos de vocês já sabem, por falta de instalações seguras, a equipe de Sandro no zoo não conseguia tocá-lo para oferecer cuidados médicos, cuidados com as patas ou realizar exames. Há cerca de 10 anos, Sandro teve um tratador que fazia o trabalho com as patas em contato livre, mas, além dele, de acordo com os registros médicos apresentados no caso de Sandro e as conversas com a equipe do zoológico, acreditamos que essa tenha sido a única pessoa que cuidou dele dessa maneira.
Alguns dos problemas de saúde de Sandro já foram mencionados: a possível ausência de dentes, episódios anteriores de cólica, problemas articulares e artrite, baixo peso, pouca musculatura e sinais de problemas nas patas. Mas, como ainda não conseguimos examiná-lo adequadamente, há muitas incógnitas sobre sua saúde. Como Sandro é um elefante idoso, é importante podermos coletar amostras de sangue para avaliar, entre outras coisas, as condições dos rins, do fígado e do sistema imunológico.
Embora a prioridade seja permitir que ele se sinta confortável no novo ambiente e garantir que esteja recebendo alimento suficiente para começar a ganhar peso, também precisamos iniciar esse tipo de cuidado. E todo esse processo começa com algo bastante básico: ajudá-lo a se sentir confortável com o toque humano.
A equipe do zoológico colocava comida na tromba de Sandro, mas não o tocava de fato. Estamos dando a ele espaço para conhecer seus novos tratadores e construir uma relação de confiança. Se ele se mostrar receptivo, o próximo passo será introduzir o toque. Assim como não seria apropriado simplesmente chegar a um desconhecido e começar a acariciar seu braço, não é respeitoso presumir que um elefante queira ser tocado. Parte de ajudar Sandro a entender que sua voz importa e que o Santuário significa uma comunicação aberta e de mão dupla é não forçar nada até que ele demonstre estar pronto. É tudo parte de um processo.
Como Sandro nunca passou por treinamento com reforço positivo, teremos que começar do início. Isso pode ser mais complexo com elefantes que tiveram um passado em circos. Nesse ambiente, ele teria sido treinado a se afastar de estímulos negativos, enquanto o reforço positivo ensina o elefante a se aproximar de um estímulo positivo. Com o jeito tranquilo de Sandro, esperamos que ele se adapte rapidamente, mas ainda será um processo longo. Quando compreender o conceito, trabalharemos para que ele apresente diferentes partes do corpo, incluindo as patas, para que possamos visualizar as almofadas das patas e começar a avaliar sua condição.
Não, ele não está bravo. Os ruídos são ótimos, significam que ele está começando a se comunicar mais com os cuidadores do que antes.
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