Santuário de onça-pintada envolvida em ataque a caseiro pede doações

Retirado da natureza após incidente com caseiro, animal vive em abrigo de reabilitação sem acesso ao público que agora enfrenta dificuldades e precisa de ajuda financeira para manter a estrutura.

Morada da onça-pintada Irapuã, felino que atacou e matou um caseiro em Aquidauana no ano passado, a ONG Ampara Silvestre, que serve de abrigo para outras onças que não podem retornar ao habitat por intervenção humana, precisa de ajuda para efetuar melhorias visando ao bem-estar dos animais recolhidos.

Onça-pintada Irapuã (Vídeo: Ampara Silvestre/Instagram)

Para transformar o cativeiro definitivo em um espaço de dignidade e estímulo, o mantenedor está passando por uma série de reformas e atualizações em sua estrutura. O foco é garantir que esses felinos tenham a máxima qualidade de vida, conforto e segurança.

Entre as melhorias que estão sendo executadas nos recintos, destacam-se:

  • Ampliação de lagos: essencial para que espécies que apreciam a água, como a onça-pintada, possam se refrescar e se exercitar.
  • Ampliação de áreas de manejo (cambeamento): espaços seguros e maiores que facilitam o trabalho da equipe técnica durante exames veterinários e alimentação, diminuindo o estresse dos animais.
  • Manutenção e aperfeiçoamento de grades: ajustes estruturais contínuos para garantir a total proteção dos animais e dos cuidadores.

A reestruturação vai proporcionar enriquecimento ambiental e oportunidades para que Irapuã, Maya, Gaia, Pacato e os demais possam expressar seus comportamentos naturais da forma mais fiel possível. Diferente de zoológicos tradicionais, o Mantenedor de Fauna da instituição adota uma política rígida de respeito à individualidade selvagem.

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No local, não há visitação pública e muito menos interação humana direta com os animais, operando estritamente nos bastidores. Essa ausência de público preserva a tranquilidade física e psicológica dos felinos, evitando o estresse causado pela exposição constante.

Irapuã: a onça-pintada

Onça-pintada Irapuã pouco antes de ser transferida para SP
Onça-pintada Irapuã (Foto: Saul Schramm/Governo de MS)

A onça-pintada foi capturada pela PMA (Polícia Militar Ambiental) no dia 24 de abril de 2025, três dias após o caseiro desaparecer em um pesqueiro. No local, foram encontrados apenas vestígios de sangue e pegadas do animal. Após o sumiço, equipes da PMA e pantaneiros encontraram a onça junto aos restos mortais de Ávalo no meio da mata.

Na ocasião, a onça chegou a ferir o braço de um dos homens que atuavam nas buscas. O motivo da captura, conforme o governo de Mato Grosso do Sul, foi prevenir que o animal voltasse a atacar humanos, já que havia indícios de que ela era cevada no pesqueiro (como é chamada a prática de alimentar animais silvestres).

Após 21 dias em observação no CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Campo Grande, o animal foi transferido para o instituto, onde foi batizado como Irapuã, de significado “agilidade e força” em tupi-guarani.

Onça-pintada em 2025, ainda no CRAS em Campo Grande (Vídeo: Reprodução)

A ONG

Onça-pintada que teria atacado caseiro
Onça macho capturada no local onde caseiro morreu. (Foto: Governo de Mato Grosso do Sul)

Fundada em 2016 como um braço estratégico do Instituto AMPARA Animal, uma das maiores organizações não governamentais (ONGs) de proteção animal do país, a AMPARA Silvestre é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) focada na reabilitação e preservação da fauna nativa.

Sem fins lucrativos e mantida integralmente por meio de doações e parcerias privadas, a instituição atua na linha de frente em cenários críticos, como no resgate de animais feridos em incêndios no Pantanal, e trabalha ativamente na mediação de conflitos entre produtores rurais e predadores.

No seu Mantenedor de Fauna, a ONG oferece um santuário de proteção vitalícia e sem visitação pública para grandes felinos que foram vítimas da ação humana e perderam as condições de sobreviver livremente na natureza.

Como ajudar

💚 Doação única ou mensal para fortalecer o cuidado geral.

🐆 Apadrinhamento direto de uma das onças acolhidas.

Onça que teria matado caseiro no CRAS
Onça-pintada que teria matado caseiro terá novo destino (Foto: Reprodução)

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