Sucuri devora cão de estimação: 'Beethoven, nosso preferido'
Imagens registradas em fazenda de Mato Grosso mostram o momento em que uma sucuri ataca um cachorro; especialista explica o comportamento.
Um vídeo impressionante registrado na Fazenda do Cristalino, localizada em Cocalinho (MT), e publicado nas redes sociais nesta terça-feira (10), mostra o momento em que uma sucuri ataca e mata um cachorro próximo à sede da propriedade rural. As imagens repercutiram nas redes sociais e acenderam o alerta entre moradores da região sobre a presença de animais silvestres durante o período chuvoso.

Na gravação, é possível ouvir cães latindo enquanto o autor do vídeo se aproxima do local e percebe a cobra enrolada no animal. Surpreso com a cena, ele comenta sobre o tamanho da sucuri e lamenta a morte do cachorro, evidenciando o impacto do episódio. Confira o vídeo completo abaixo:
Casos como esse tendem a chamar atenção pela força do predador, mas especialistas explicam que situações semelhantes podem ocorrer naturalmente em áreas rurais, especialmente em regiões próximas à mata.
Chuvas favorecem encontros com animais silvestres
O aparecimento de cobras e outros animais silvestres em propriedades rurais é considerado um fenômeno natural, principalmente em áreas preservadas. Segundo o biólogo especialista em fauna silvestre Gustavo Figueirôa, a presença desses animais está ligada ao próprio funcionamento do ambiente.
De acordo com ele, locais mais conservados costumam registrar maior circulação de espécies, enquanto áreas degradadas apresentam menos animais ou apenas aqueles capazes de se adaptar às mudanças ambientais. “Muitas vezes existe a impressão de que os animais estão aparecendo mais, mas, na verdade, estamos convivendo diretamente dentro do habitat deles”, explicou.
Durante o período chuvoso, os encontros podem se tornar mais frequentes. Após as chuvas, muitos animais deixam suas tocas em busca de alimento, movimento que acaba sendo seguido pelos predadores.
Além disso, com cheias e áreas alagadas, espécies que não possuem hábitos aquáticos procuram terrenos mais altos e secos, aproximando-se naturalmente de casas, currais e sedes de fazendas. “Quando a área de vida diminui por causa da água, os animais ficam concentrados nas áreas secas, e os predadores vão atrás das presas”, afirmou o biólogo.

Como a sucuri captura suas presas
Figueirôa explica que a sucuri não é uma cobra venenosa. A espécie captura suas presas por constrição, utilizando a força muscular para imobilizar e sufocar o animal antes da ingestão.
Ataques a cães podem acontecer em zonas rurais e fazem parte do cenário de convivência entre humanos e fauna silvestre. “O ser humano está vivendo dentro do ambiente natural desses animais, então é esperado que esses encontros aconteçam. Isso ocorre em áreas rurais do Brasil inteiro”, disse.
O especialista também faz um contraponto sobre a percepção comum nesses casos. Segundo ele, embora episódios envolvendo predadores causem grande repercussão, o impacto humano sobre a fauna é muito maior.
“A quantidade de animais silvestres mortos por pessoas e por animais domésticos é infinitamente maior do que o número de animais domésticos ou pessoas mortos por animais silvestres. A conta é muito desigual”, destacou.
De acordo com o biólogo, cães e gatos soltos representam um dos principais fatores de pressão sobre espécies nativas, já que predam diversos animais silvestres. Manter os pets próximos à residência ou em áreas cercadas ajuda a reduzir conflitos e aumenta a segurança para ambos os lados.
O que fazer ao encontrar uma cobra
Caso uma cobra de grande porte seja encontrada próxima à propriedade, a orientação é evitar qualquer tentativa de captura ou confronto. O ideal é manter distância e recolher os animais domésticos, permitindo que o animal siga seu caminho naturalmente.
“Se ela não estiver dentro da casa, normalmente vai embora sozinha. O importante é não tentar mexer e evitar que os cães se aproximem”, orientou Figueirôa. Em situações de risco, a recomendação é acionar o Corpo de Bombeiros ou profissionais especializados para realizar a retirada segura.
Para o especialista, a coexistência entre pessoas e animais silvestres envolve desafios, principalmente em regiões rurais, mas pode ser equilibrada com informação e prevenção. “Coexistência não significa ausência de conflitos, mas entender que eles existem dos dois lados e buscar formas de reduzir esses encontros”, concluiu.
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