Várzea Grande é a 4ª cidade do país com mais resgates de sucuris

Um levantamento realizado pelo biólogo Bruno Camera revelou que Várzea Grande ocupa a 4ª posição entre as que mais tiveram resgate de sucuris na zona urbana nos últimos anos.

Uma pesquisa desenvolvida pelo biólogo e doutor em biodiversidade e evolução, Bruno Camera, em parceria com outros estudiosos, revelou que Várzea Grande figura entre as cidades brasileiras com as maiores ocorrências de resgates de sucuris do Brasil.

Imagem ilustrativa

O levantamento foi feito com base em matérias jornalísticas publicadas entre os anos de 2008 e 2022, e colocou a cidade da região metropolitana de Cuiabá na 4ª posição, ficando atrás de Salvador (BA), Porto Velho (RO), Manaus (AM).

A pesquisa apontou que os principais responsáveis pelos resgates são Guardas Municipais e, principalmente, o Corpo de Bombeiros, que atuam na captura desses animais em áreas urbanas e fazem a translocação para ambientes naturais. Após a captura, as sucuris são levadas para locais adequados e devolvidos à natureza.

Bruno Camera explicou que apesar do resgate e soltura no habitat natural, não existe um acompanhamento desses animais.

O estudo apontou que após a captura, os animais costumam ser simplesmente translocados para áreas naturais, sem qualquer tipo de monitoramento posterior. Para o biólogo, a ausência desse acompanhamento impede saber se os animais retornam às áreas urbanas, se sobrevivem após a soltura ou se acabam gerando impactos ambientais em outros locais.

Problemas que a simples captura e soltura pode causar

Sucuri-amarela no Pantanal
  • Transmissão de doenças entre ambientes
  • Sobrecarga das áreas onde os animais são soltos
  • Mistura genética entre populações diferentes
Foto: Paul Road

Ações que podem ser adotadas

Para o pesquisador, o poder público deve mudar o modelo atual e investir em políticas baseadas em ciência, com ações planejadas e permanentes. Ele defende que os animais resgatados passem por centros de triagem, que poderiam atuar em parceria com universidades, centros de pesquisa e organizações não governamentais, além de servir como espaços de educação ambiental.

Segundo o biólogo, integrar a fauna silvestre ao planejamento das cidades é essencial para melhorar a convivência entre pessoas e animais. Ele lembra que a própria Constituição Federal, no artigo 225, garante o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, o que só é possível, afirma, quando o poder público trata as cidades não como ambientes hostis à fauna, mas como espaços que também respeitam e preservam a vida silvestre.

Expansão urbana

O major do Corpo de Bombeiros, Felipe Saboia, explicou que a expansão urbana pode ser um dos motivos do aumento dessas serpentes nas cidades.

“Quando a gente tem maior urbanização, a população vai invadindo o habitat que era natural desses animais e, consequentemente, ocorre mais encontro com esses animais”, disse.

Conheça mais sobre as sucuris

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