Vídeo mostra dezenas de peixes mortos no Rio Paraguai após atraso das cheias

Registro foi feito por pescador e mostra mortandade no rio; especialista explica que fenômeno natural do Pantanal ocorreu mais tarde neste ano após atraso das cheias.

Um vídeo publicado nas redes sociais neste sábado (7) pelo pescador Diovanny Goloni mostra dezenas de peixes mortos às margens do Rio Paraguai, em Cáceres (MT). As imagens chamaram a atenção de moradores e internautas e levantaram questionamentos sobre o que poderia ter provocado a morte dos peixes na região pantaneira.

Nas imagens, é possível ver diversos peixes boiando ou já mortos próximo ao barco utilizado pelo pescador. De acordo com o doutor em Recursos Hídricos e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Ibraim Fantin, o fenômeno mostrado no vídeo está relacionado a um processo natural do Pantanal conhecido como decoada, comum durante o período de cheia.

Veja o vídeo:

Nas imagens é possível ver diversos peixes mortos próximo do barco do pescador. – Imagens: Arquivo Pessoal

Segundo ele, quando os rios começam a subir e avançam sobre a planície pantaneira, entram em contato com grande quantidade de matéria orgânica acumulada durante a estação seca.

“A decoada é um processo natural que acontece no Pantanal no período da cheia. Quando o rio começa a encher e invade a planície, ele entra em contato com a matéria orgânica acumulada durante a seca, como folhas, galhos e vegetação”, explicou o pesquisador.

Esse material passa por decomposição e, nesse processo, consome grande parte do oxigênio dissolvido na água, o que pode provocar a morte de peixes e outros organismos aquáticos.

Fantin destaca que o fenômeno costuma ocorrer com maior frequência entre os meses de novembro e dezembro. Neste ano, no entanto, a dinâmica das chuvas provocou um atraso no ciclo natural de inundação do Pantanal.

Pantanal
O pantanal é considerado a maior planície alagável do mundo, tendo eu seu ciclo os períodos de cheia e seca – Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT

“No histórico do Pantanal, isso normalmente acontece em novembro ou dezembro. Mas neste ano houve um atraso significativo do período chuvoso, o que também atrasou o início da inundação. Só agora esse fenômeno está acontecendo”, comentou o professor.

Outro aspecto comum durante episódios é o odor forte próximo à água, causado pela liberação de gases durante a decomposição da matéria orgânica.

Mudanças climáticas 

O especialista também alerta que mudanças recentes no regime de chuvas têm provocado alterações no ciclo hidrológico da região, o que pode afetar o funcionamento natural do ecossistema pantaneiro. Além do impacto direto no processo de reprodução dos peixes, o ciclo de estiagem prolongado também preocupa especialistas.

“Nos últimos anos temos observado chuvas mais intensas, porém mal distribuídas, e um prolongamento do período de estiagem. Isso acaba desregulando o ciclo natural do Pantanal e pode impactar processos ecológicos, como a reprodução dos peixes”, finalizou o professor.

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