Vídeo mostra tatu-canastra rara correndo de volta para a toca após exames no Pantanal

A fêmea Stacy tem 32 quilos e é monitorada pelo Projeto Tatu-Canastra desde 2021

A tatu-canastra Stacy, uma fêmea de 32 quilos monitorada pelo Projeto Tatu-Canastra desde 2021, foi recapturada para passar por novos exames de saúde e pela troca do transmissor de GPS. Após o manejo, a reação do animal chamou a atenção: ela quase abriu a caixa sozinha e correu diretamente para sua toca, em uma cena registrada em vídeo pelos pesquisadores.

Tatu-canastra Stacy

Durante o procedimento, médicos-veterinários e biólogos realizaram a coleta de amostras biológicas e uma avaliação completa da saúde de Stacy. Felizmente, a tatu-canastra estava em excelentes condições.

Logo após os exames, ela foi devolvida ao seu habitat e retornou rapidamente para a toca, demonstrando conhecer perfeitamente o caminho de casa.

Monitorada há quase quatro anos

Tatu-canastra Stacy durante exames
Tatu-canastra Stacy durante exames (Foto: Reprodução/ICAS)

Stacy foi encontrada pela primeira vez no fim de uma expedição realizada em novembro de 2021. Naquela noite, uma forte tempestade obrigou a equipe do Projeto Tatu-Canastra a interromper as buscas e procurar abrigo.

Às 23h47, a fêmea saiu da toca e pôde ser capturada com segurança. No dia seguinte, passou pelo procedimento de instalação de um transmissor de GPS, que permitiu acompanhar seus deslocamentos e coletar informações importantes sobre a espécie.

Mãe de um filhote em registro raro

Stacy e filhote (Foto: Reprodução/Projeto Tatu-canastra)

Em agosto de 2024, Stacy protagonizou um dos momentos mais importantes da pesquisa. Ela deu à luz um filhote, apenas o quarto nascimento registrado em 13 anos de monitoramento de tatus-canastra pelo projeto.

Poucos dias depois, porém, os pesquisadores observaram um macho adulto, chamado Wolfgang, aproximando-se da área onde o filhote estava. A presença de machos adultos pode representar um risco para filhotes, já que há registros de infanticídio na espécie.

Como estratégia de proteção, Stacy abandonou a toca inicial e se deslocou cerca de 1.500 metros, uma distância considerada incomum para o comportamento da espécie.

Apesar do esforço da mãe, o desfecho foi triste. Após oito noites sem qualquer registro do filhote nas armadilhas fotográficas, os pesquisadores concluíram que ele provavelmente foi predado enquanto atravessava uma área aberta. Entre os possíveis predadores estão jaguatiricas, lobinhos e pumas.

Segundo os pesquisadores, as fêmeas de tatu-canastra costumam ter apenas um filhote a cada três ou quatro anos, tornando cada nascimento extremamente valioso para a conservação da espécie.

Conservação

Tatu-canastra Stacy

Cada recaptura representa uma oportunidade importante para ampliar o conhecimento científico sobre a espécie. Durante esses procedimentos, a equipe coleta informações sobre saúde, reprodução, deslocamento e comportamento, dados essenciais para orientar estratégias de conservação.

Recentemente, o tatu-canastra permaneceu classificado como Vulnerável à extinção na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. Por isso, o monitoramento contínuo é considerado fundamental para compreender sua ecologia e desenvolver ações capazes de garantir a sobrevivência da espécie.

O maior tatu do mundo

Tatu-canastra Stacy durante exames (Foto: Reprodução/ICAS)
Tatu-canastra Stacy durante exames (Foto: Reprodução/ICAS)

O tatu-canastra é o maior tatu existente e desempenha um papel essencial para o equilíbrio dos ecossistemas, especialmente no Pantanal. Apesar do porte impressionante, é um animal extremamente discreto e raramente observado na natureza.

Até poucos anos atrás, pouco se sabia sobre seu comportamento. Graças ao trabalho de monitoramento, pesquisadores vêm descobrindo detalhes inéditos sobre a espécie.

Suas patas dianteiras possuem garras que podem atingir até 14,5 centímetros de comprimento, utilizadas para cavar tocas, abrir cupinzeiros e procurar alimento.

Em apenas uma noite, um tatu-canastra é capaz de escavar até seis novas tocas em cerca de 15 minutos cada, estruturas que podem atingir aproximadamente 80 centímetros de profundidade e que, além de servirem como abrigo, acabam sendo utilizadas por diversas outras espécies do Pantanal.

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