Vídeos mostram tamanduá e jaguatirica em momentos inusitados em toca no Pantanal

Registros noturnos mostram animais aproveitando as tocas escavadas pelo tatu-canastra

Câmeras instaladas pelo Projeto Tatu-Canastra flagraram cenas curiosas e divertidas da vida selvagem no Pantanal. Os registros noturnos mostram animais aproveitando as tocas escavadas pelo tatu-canastra para descansar, se limpar e até observar a câmera antes de seguir caminho.

As imagens, divulgadas nesta segunda-feira (6), revelam comportamentos raramente vistos na natureza e reforçam a importância do maior tatu do mundo para diversas espécies do bioma.

Em um dos vídeos, um tamanduá-bandeira para em frente à toca para aliviar a coceira. Depois de se esfregar no solo, e com as próprias unhas gigantes, o animal chega a ficar apoiado apenas nas patas traseiras, em uma pose inusitada que chamou a atenção dos pesquisadores.

Outro registro mostra uma jaguatirica bastante à vontade. Ela aproveita o local para fazer a higiene íntima e, logo em seguida, parece notar a presença da câmera. Curiosa, observa o equipamento por alguns instantes antes de deixar a frente da toca.

Em outra gravação, um tamanduá-bandeira aparece deitado de barriga para cima enquanto utiliza o focinho comprido para alcançar e limpar partes do corpo de difícil acesso, em mais um comportamento pouco registrado na natureza.

A importância das tocas do tatu-canastra

As cenas só foram possíveis graças ao trabalho de engenharia do tatu-canastra. O maior tatu do mundo escava, em média, uma nova toca a cada três dias.

Muito além de servirem como abrigo para o próprio tatu, essas estruturas funcionam como verdadeiros refúgios para dezenas de espécies da fauna do Pantanal.

As tocas oferecem proteção contra predadores, ajudam a amenizar as temperaturas extremas e ainda são utilizadas como locais de descanso e alimentação.

Por isso, é comum que diferentes animais sejam registrados utilizando esses espaços ao longo do dia e da noite.

Tamanduá em cena engraçada no Pantanal
Tamanduá em cena engraçada no Pantanal (Foto: Reprodução)

Segundo o Projeto Tatu-Canastra, as armadilhas fotográficas são fundamentais para compreender o comportamento da fauna sem interferir na rotina dos animais.

“Essas armadilhas fotográficas nos permitem observar comportamentos raros, acompanhar diferentes espécies sem interferir em sua rotina e reunir informações essenciais para a conservação. A cada registro, elas revelam a incrível dinâmica da vida noturna e reforçam, mais uma vez, a importância do tatu-canastra para o equilíbrio dos ecossistemas”, destacou a equipe do projeto nas redes sociais.

Como essas tocas são construídas?

Toca de tatu-canastra
Toca de tatu-canastra (Foto: Divulgação/Icas)

as tocas do tatu-canastra são cavadas em áreas florestadas, onde a temperatura ambiente é naturalmente mais baixa do que em áreas abertas.

Com 1,5 metro de profundidade e até 4 metros de comprimento, as tocas atingem camadas de solo mais frescas e úmidas, mantendo uma temperatura constante de 24ºC.

Nos dias frios, as tocas também oferecem proteção, pois a floresta retém calor, criando um refúgio quente para os animais.

Essa constância de temperatura foi comprovada após a instalação de termômetros nas tocas pelo projeto.

Por que tantos animais usam as tocas do tatu-canastra?

Mais de 100 espécies de vertebrados e 300 de invertebrados foram registradas usando essas tocas.

Jaguatiricas, cachorros-do-mato, roedores, aves, serpentes e anfíbios utilizam as profundezas para se proteger do frio e do calor intensos.

Já animais maiores, como tamanduás-bandeira e queixadas, preferem descansar na areia fresca em frente à entrada, sob a sombra das árvores.

Além de abrigo, as tocas também são fontes de alimentação. Muitos insetos habitam esses locais, atraindo predadores em busca de alimento.

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