Viu um tatu-bola? Pesquisadores pedem ajuda para mapear espécie ameaçada

Icas lançou questionário para registrar a presença ou ausência da espécie em diferentes regiões do país

Quem já avistou um tatu-bola, ou mesmo deixou de vê-lo em áreas onde antes era comum, pode contribuir com uma pesquisa nacional que busca evitar a extinção da espécie no Brasil. O Icas (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) lançou nesta quarta-feira (11) um questionário para registrar a presença ou ausência do tatu-bola (Tolypeutes matacus) em diferentes regiões do país.

Tatu-bolinha (Foto: Icas)
Tatu-bolinha (Foto: Nina Attias/ Icas)

Qualquer pessoa pode participar, mesmo que nunca tenha visto o animal. A proposta é reunir informações sobre locais onde a espécie ainda ocorre, onde deixou de ser encontrada ou onde seria esperado registrá-la.

O questionário foi elaborado para alcançar não apenas pesquisadores, mas também moradores e trabalhadores do campo, como peões, brigadistas, proprietários rurais, cozinheiras, guias, técnicos e comunidades do Pantanal, do Cerrado e de áreas de transição entre os biomas.

Segundo o Icas, uma das maiores lacunas para a conservação do tatu-bola é a falta de dados atualizados sobre sua distribuição.

A coleta de informações ajudará a identificar onde a espécie ainda resiste e quais fatores podem estar associados ao seu desaparecimento regional.

O formulário está disponível online e pode ser respondido por pessoas com informações sobre a espécie em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Também é possível enviar registros pelo e-mail: registros.tatubola@gmail.com.

Os dados reunidos irão subsidiar a atualização do mapa de distribuição da espécie e contribuir para o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tamanduá-bandeira, Tatu-canastra e Tatu-bola, que será coordenado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) em maio de 2026.

Espécie em perigo

A iniciativa ocorre em um momento crítico para o tatu-bola. No último ciclo de avaliação da Lista Vermelha Nacional, divulgado em novembro, a espécie passou de “Quase Ameaçado” para “Em Perigo”, um agravamento de duas categorias.

A mudança está relacionada principalmente aos incêndios recorrentes desde 2020, que atingiram o Pantanal e áreas do Cerrado.

Estima-se que mais de 50% da área de ocorrência da espécie em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul tenha sido afetada pelo fogo nos últimos anos, o que levanta a hipótese de extinções locais.

Como identificar o tatu-bola

O tatu-bola ocorre na Argentina, Paraguai e Bolívia, e o Brasil representa o limite norte de sua distribuição. Em território brasileiro, a espécie está restrita aos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com registros principalmente no Pantanal, em áreas de transição Pantanal–Cerrado e em regiões ainda pouco monitoradas.

Um dos pontos centrais do questionário é evitar confusões na identificação, já que o tatu-bola é frequentemente confundido com o tatu-rabo-mole (Cabassous unicinctus).

O tatu-bola mede cerca de 30 centímetros, tem coloração marrom-clara e geralmente apresenta três cintas móveis na carapaça. Ele pertence ao gênero Tolypeutes, que reúne as únicas espécies de tatus capazes de se enrolar completamente, formando uma bola como estratégia de defesa.

Tatu bola X tatu de rabo mole
Diferença tatu-bola e tatu de rabo mole (Foto: Nina Attias/ Icas)

Diferentemente de outros tatus, o tatu-bola não utiliza a escavação de túneis como principal forma de proteção.

Já o tatu-rabo-mole é maior, medindo entre 35 e 45 centímetros, possui coloração acinzentada e cerca de 11 cintas móveis. Não consegue se enrolar totalmente.

Quando ameaçado, cava rapidamente o solo, formando túneis cilíndricos e montes de terra solta semelhantes a formigueiros.

Comportamento discreto

Tatu-bolinha
Tatu-bolinha (Foto: Nina Attias/ Icas)

O tatu-bola é uma espécie noturna e de hábitos discretos. Estudos conduzidos no Brasil indicam que o animal permanece ativo, em média, entre cinco e seis horas por dia, concentrando suas atividades na primeira metade da noite, fator que contribui para a dificuldade de registros visuais.

Pesquisas também apontam diferenças comportamentais entre machos e fêmeas. Machos adultos apresentam maior massa corporal e áreas de vida mais amplas, podendo sobrepor seus territórios com outros machos e fêmeas. Já as fêmeas não costumam compartilhar suas áreas de vida com outras fêmeas, independentemente da idade.

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