Aos 75 anos, eleitora volta a estudar para votar com mais autonomia em MT

Maria José Barros retomou os estudos décadas depois de deixar a escola e conta como a educação ajuda a compreender a política e escolher candidatos.

Aos 75 anos, Maria José Barros voltou à sala de aula depois de interromper os estudos ainda na adolescência. Além de aprender a ler e escrever, ela busca mais autonomia para compreender a política, avaliar os candidatos e confirmar sozinha sua escolha na urna. A trajetória dela ajuda a mostrar como a escolaridade pode influenciar o acesso à informação em um estado onde apenas 13,7% dos eleitores têm ensino superior completo.

Maria José deixou a escola aos 13 anos. Décadas depois, decidiu retomar os estudos e passou a enxergar o aprendizado como uma ferramenta importante para diferentes áreas da vida, inclusive para exercer o direito ao voto.

“Eu acho muito importante, porque a gente vai sabendo mais o que é política, o que tem lá na frente. Então, a gente vai aprender mais e vai ser melhor”, contou Maria José.

Aos 75, mulher retoma os estudos e muda a forma de escolher candidatos. - Foto: Reprodução
Gabriel Machado é estudante de medicina. – Foto: Reprodução

Educação amplia autonomia

Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), aprender a ler e escrever também pode significar conquistar independência para lidar com informações do cotidiano e participar das decisões políticas.

O professor Fábis Nascimento acompanha essa transformação e explica que a escolarização pode ajudar o eleitor a conferir o nome e o número do candidato e confirmar corretamente sua escolha na urna.

“Você vai ter mais autonomia e independência na hora de fazer seu voto. Pode levar uma colinha, ler o número e o nome do candidato e conferir na tela antes de apertar a tecla confirma”, explicou o professor.

Escolaridade do eleitorado de MT

Dados da Justiça Eleitoral mostram que os eleitores de Mato Grosso possuem trajetórias escolares diferentes. No estado, 27,1% declararam ter concluído o ensino médio, enquanto apenas 13,7% possuem ensino superior completo.

Outros 19,9% têm o ensino fundamental incompleto, 18,4% não concluíram o ensino médio e 5,4% possuem somente o ensino fundamental completo.

Gabriel Machado é estudante de medicina. - Foto: Reprodução
Gabriel Machado é estudante de medicina. – Foto: Reprodução

No Brasil, 27,9% do eleitorado tem ensino médio completo, 21,17% não concluiu o ensino fundamental e 3,48% é analfabeto.

Os dados mostram que pessoas com diferentes níveis de escolaridade participam da mesma eleição, mas podem ter formas distintas de buscar, selecionar e interpretar informações sobre política.

Como os eleitores buscam informação

A trajetória escolar também pode influenciar os recursos utilizados antes da escolha de um candidato. Gabriel Machado, de 23 anos, cursa medicina e conta que acompanha debates, analisa propostas e recorre aos livros de História para verificar informações políticas.

“É com a História, com o passado, que a gente aprende a corrigir os erros para o futuro. Eu acompanho os debates e as propostas dos candidatos, aquilo que se alinha ao que acho importante e, principalmente, aos direitos humanos”, afirmou Gabriel.

Aos 75, mulher retoma os estudos e muda a forma de escolher candidatos. - Foto: Reprodução
Christiany Fonseca é cientista política. – Foto: Reprodução

Segundo a cientista política Christiany Fonseca, a educação pode ampliar habilidades de leitura, repertório e compreensão de conteúdos mais complexos. A especialista ressalta, entretanto, que mais anos de escola não garantem automaticamente maior conhecimento político.

“A escolaridade interfere nos recursos que cada pessoa possui para buscar, selecionar, comparar e interpretar informações políticas. Mas essa relação não é mecânica. Mais anos de escola não garantem maior conhecimento político e também não protegem ninguém contra interpretações equivocadas”, explicou.

O Indicador de Alfabetismo Funcional de 2024 aponta que 29% da população brasileira entre 15 e 64 anos está em situação de analfabetismo funcional. O levantamento considera a capacidade de compreender, interpretar e utilizar informações escritas, numéricas e digitais no cotidiano.

Diante da diversidade do eleitorado, o desafio é garantir que informações claras e confiáveis cheguem a todos, permitindo que cada pessoa compreenda as propostas, avalie os candidatos e faça sua escolha de forma consciente.

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