Após 46 anos, servidora consegue registro com nomes da mãe biológica e padrasto
Mudança reconhece oficialmente vínculos afetivos construídos ao longo da vida e corrige situação que se arrastava desde o nascimento.
Kelly Benedita Carvalho da Luz, de 46 anos, de Lucas do Rio Verde (MT), conseguiu mudar sua carteira de identidade e incluir os nomes da mãe biológica e do padrasto nos documentos, após mais de quatro décadas de espera. A decisão judicial foi aceita no sábado (11).

A monitora escolar passou a ter na certidão de nascimento os nomes de Vanda Maria de Carvalho Luz e José da Luz, o padrasto, que sempre exerceram os papéis de mãe e pai. Até então, o documento registrava os avós maternos, Lísia Fermina dos Santos Carvalho e José Paes de Carvalho (que faleceu em 2009), como pais.
Leia mais
Para ela, a mudança representa a correção de uma situação que se arrastava desde o nascimento. “Era algo que eu queria muito. Tive que comprovar, foi muito burocrático, mas contei com o apoio da Defensoria. Estou ansiosa para receber logo a certidão atualizada”, afirmou.
Como começou
A história começou em 1980, em Cuiabá, quando a família optou por registrar a criança como filha dos avós maternos, prática comum naquele contexto para evitar estigmas sociais.
Apesar do registro, a relação familiar seguiu o vínculo afetivo. Pouco tempo depois, a mãe de Kelly formou uma nova família, e o companheiro assumiu a criação da menina desde o primeiro ano de vida.
“Minha mãe e meus avós também não foram culpados. Minha avó agiu de boa-fé. Minha mãe conta que sofreu muito”, relatou Kelly.
Segundo ela, a decisão de buscar a regularização foi motivada, entre outros fatores, pelo crescimento dos filhos e pela preocupação com a situação legal da família, especialmente diante da idade avançada da avó.
A ação foi ajuizada em novembro de 2025 e resultou em um acordo homologado pela Justiça. Durante audiência de conciliação, os envolvidos reconheceram formalmente os vínculos familiares.
Com a decisão, o registro civil foi retificado, e Kelly passou a adotar oficialmente o sobrenome do pai socioafetivo. Os avós, que antes constavam como pais, passam a ser reconhecidos legalmente como avós.
Para Kelly, a mudança vai além da documentação. “Precisava muito regularizar minha vida afetiva com a minha vida jurídica. Meus pais ocupam o lugar mais sagrado no meu coração”, concluiu.
Mais lidas - 1 De graça e sem agendamento: o que é preciso para tirar o novo RG
- 2 Emissão do novo RG tem prazo; saiba as consequências para quem perder a data
- 3 CNH mais barata e com menos burocracia: veja o que muda
- 4 Campo-grandenses podem fazer novo RG de graça e sem agendamento; veja como
- 5 MST ocupa sede do Incra e cobra desapropriação de fazenda em MT
- 1 De graça e sem agendamento: o que é preciso para tirar o novo RG
- 2 Emissão do novo RG tem prazo; saiba as consequências para quem perder a data
- 3 CNH mais barata e com menos burocracia: veja o que muda
- 4 Campo-grandenses podem fazer novo RG de graça e sem agendamento; veja como
- 5 MST ocupa sede do Incra e cobra desapropriação de fazenda em MT