Cacique Raoni volta à UTI em Sinop com suspeita de sepse após piora no quadro de saúde

Cacique de 94 anos apresentou vômitos, tosse persistente, dor abdominal e foi transferido de helicóptero para Sinop após agravamento do quadro clínico.

O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, voltou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop (MT), na tarde deste domingo (14).

Segundo informações repassadas por familiares e cuidadores, Raoni estava em sua residência, em Peixoto de Azevedo, onde recebia visitas de lideranças e pajés de seu povo, quando apresentou um episódio de vômito na manhã de sábado (13).

No domingo (14), o líder indígena voltou a vomitar outras três vezes. Ele também apresentou tosse persistente, dor abdominal e chegou a cuspir sangue. Como havia ingerido apenas o café da manhã e permaneceu sem se alimentar ao longo do dia, passou a sentir desconforto abdominal e apresentou piora do quadro clínico.

Cacique mato-grossense Raoni estrelou documentário indicado ao Oscar em 1979. — Foto: Acervo/Globo Filmes
Cacique mato-grossense Raoni estrelou documentário indicado ao Oscar em 1979. — Foto: Acervo/Globo Filmes

Diante da persistência dos sintomas e do comprometimento do estado geral, foi necessária a transferência aérea para Sinop, onde ele deu entrada no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros.

Ao chegar à unidade de saúde, Raoni apresentava sinais de desidratação, sonolência, abdômen distendido e ausência de urina. Ele foi submetido a avaliação médica e a uma ampla investigação diagnóstica, incluindo exames laboratoriais, hemoculturas, gasometria arterial e tomografias de crânio, tórax e abdômen.

Os exames iniciais identificaram alterações na função renal e marcadores compatíveis com um processo infeccioso grave. A principal hipótese diagnóstica é de sepse com foco pulmonar secundária a uma pneumonia broncoaspirativa, decorrente dos episódios de vômitos persistentes. Além disso, a tomografia de abdômen evidenciou um quadro de suboclusão gástrica.

O Cacique permanece internado na UTI sob monitoramento, recebendo hidratação venosa, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte intensivo. O estado de saúde é considerado grave, exigindo cuidados intensivos e monitoramento ininterrupto da equipe multiprofissional.

Diagnóstico

De acordo com o Dr. Douglas Yanai, médico que acompanha o cacique Raoni Metuktire, o líder indígena apresenta uma suboclusão gastrointestinal, agravada por uma hérnia diafragmática antiga, causada por um acidente há mais de 25 anos, que alterou a posição do estômago, intestino e fígado, deslocando parte desses órgãos para a região do tórax.

O quadro, que já vinha sendo monitorado, apresentou piora e motivou a internação mais recente, com indicação de cirurgia para restabelecer a passagem dos alimentos. Embora o procedimento pudesse ser realizado no hospital onde Raoni está internado, opção preferida pelo cacique pela proximidade com a família, as equipes médicas decidiram pela transferência para o Hospital São Paulo, da Unifesp, por considerar mais seguro diante da idade avançada e de outras condições de saúde, como DPOC, uso de marca-passo e insuficiência cardíaca.

Outras internações

A última internação do Cacique Raoni ocorreu no dia 16 de maio após apresentar uma nova indisposição clínica poucos dias depois de deixar o hospital, onde havia sido tratado de um quadro gastrointestinal. 

O lider índigena frequentemente enfrenta problemas de saúde nos últimos anos. No início de maio, ele já havia sido hospitalizado após sentir fortes dores abdominais, recebendo alta médica dois dias depois.

Em setembro de 2022, o cacique permaneceu internado por cinco dias no Hospital Dois Pinheiros após ser diagnosticado com bloqueio de ramo cardíaco.

Já em agosto de 2020, Raoni foi internado depois de testar positivo para Covid-19. Na ocasião, o Instituto Raoni Metuktire informou que ele apresentava quadro estável e não precisou de auxílio de aparelhos para respirar.

Ainda naquele ano, o líder indígena enfrentou outro momento delicado após a morte da esposa, Bekwyjkà Metuktire, vítima de complicações decorrentes de um AVC. Segundo o instituto, Raoni chegou a apresentar um quadro depressivo agravado pelo luto.

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