Com custo de R$ 45 mil por mês, instituto que acolhe mulheres com câncer em MT busca ajuda

Sem receber recursos públicos, espaço atende gratuitamente 42 mulheres de Cuiabá e Várzea Grande e oferece fisioterapia, psicoterapia, yoga e outras atividades.

Um instituto que acolhe gratuitamente mulheres em tratamento contra o câncer de mama em Cuiabá e Várzea Grande precisa de cerca de R$ 45 mil por mês para manter a estrutura funcionando. Sem receber recursos públicos, o Instituto Viva o Despertar lançou a campanha ‘Amigos do Coração‘ para arrecadar doações e garantir a continuidade dos atendimentos.

Mulheres em tratamento contra o câncer de mama participam de atividades no Instituto Viva o Despertar, que atende gratuitamente 42 pacientes de Cuiabá e Várzea Grande.
Mulheres em tratamento contra o câncer de mama participam de atividades no Instituto Viva o Despertar, que atende gratuitamente 42 pacientes de Cuiabá e Várzea Grande. – Foto: TVCA

Atualmente, 42 mulheres fazem parte da rede de acolhimento do Instituto Viva o Despertar. No local, elas são chamadas de “girassóis” e encontram atividades complementares ao tratamento médico, como fisioterapia, psicoterapia, yoga, meditação, massagens e hidroterapia.

Os atendimentos são gratuitos e realizados, em grande parte, por profissionais voluntários.

A gerente do instituto, Pamella Nascimento, explica que as doações da campanha podem ser feitas em qualquer valor e sem quantidade determinada de parcelas. “Essa campanha são doações em valores para o IVD. Qualquer valor, não temos estipulado quantas parcelas devem ser. O que puder ajudar”, explicou.

Apesar do trabalho dos voluntários, o espaço tem despesas fixas para continuar funcionando. Segundo Pamella, os aproximadamente R$ 45 mil mensais são usados para manter toda a estrutura necessária para receber as pacientes.

Acolhimento durante o tratamento

O Instituto Viva o Despertar não substitui o tratamento contra o câncer. As mulheres continuam sendo acompanhadas pela rede de saúde e encontram no espaço um suporte complementar para enfrentar as consequências físicas e emocionais da doença.

Para Luciene Borges, aposentada e uma das mulheres acolhidas, encontrar esse apoio fez diferença em um dos períodos mais difíceis da vida. Ela passou por cirurgia, quimioterapia e radioterapia. “Eu estava no fundo do poço quando cheguei aqui, estava perdida. Cheguei aqui, fui acolhida, amada. Foi uma coisa maravilhosa na minha vida”, contou.

Luciene também convive de perto com o impacto da doença na família. Uma irmã dela morreu de câncer de mama aos 42 anos.

Rita de Cássia de Jesus Souza destaca a importância do acolhimento e da troca de experiências entre mulheres que enfrentam o câncer de mama no Instituto Viva o Despertar.
Rita de Cássia de Jesus Souza destaca a importância do acolhimento e da troca de experiências entre mulheres que enfrentam o câncer de mama no Instituto Viva o Despertar. – Foto: TVCA

Rita de Cássia de Jesus Souza, técnica de enfermagem aposentada, está em tratamento há dois anos. Para ela, estar ao lado de outras mulheres que enfrentam situações semelhantes permite compartilhar sentimentos que nem sempre são compreendidos fora daquele ambiente.

“Lá fora ninguém entende a gente, nem mesmo a família, dependendo da situação. Nós estamos no mesmo barco”, afirmou.

Famílias também recebem apoio

O acolhimento foi ampliado para quem acompanha as pacientes. Familiares podem participar de rodas de conversa realizadas no instituto.

A psicóloga voluntária Renata Muller faz atendimentos individuais e, uma vez por mês, reúne pacientes e familiares. “Eles vivem esse desafio com elas, tendo que tomar decisões e sem apoio de ninguém”, explicou.

Na família de Rita, o marido e os filhos participam das rodas de conversa. “Os meus filhos e esposo não faltam à roda de conversa. Eles precisam saber que nossa vida mudou e nós precisamos deles também. Então, é um conjunto de entendimento, ajuda e cooperação”, contou.

Fisioterapia ajuda a recuperar movimentos

Entre as consequências do tratamento contra o câncer de mama estão limitações de movimento, especialmente entre mulheres submetidas à retirada de uma ou das duas mamas.

A fisioterapeuta voluntária Ana Paula Subtil atua há três anos no instituto e acompanha pacientes durante esse processo. “A maioria ou retirou a mama ou está em tratamento fazendo quimioterapia e tem dificuldade de movimentação do braço”, explicou.

Uma das pacientes atendidas é a aposentada Marilce Conceição da Costa, que precisou retirar as duas mamas durante o processo de tratamento. “A fisioterapia é muito boa porque a gente perde os movimentos e, do lado que você tira, perde movimento do braço. Então, a fisioterapia ajuda muito a gente nessa parte”, disse.

Para ela, recuperar o corpo também faz parte da caminhada após os procedimentos. “Tem que trabalhar seu corpo. Não só a mente, mas o corpo também, porque, se a gente não fizer isso, você perde a mobilidade”, afirmou.

Conhecidas como “girassóis”, mulheres com câncer de mama encontram acolhimento e apoio durante o tratamento no Instituto Viva o Despertar.
Conhecidas como “girassóis”, mulheres com câncer de mama encontram acolhimento e apoio durante o tratamento no Instituto Viva o Despertar. – Foto: TVCA

Campanha busca manter atendimentos

Uma das principais fontes de recursos do Instituto Viva o Despertar é o evento “Elas no Campo”. Neste ano, porém, os patrocínios ficaram abaixo do esperado, segundo a instituição.

Diante da necessidade de manter as despesas mensais, foi criada a campanha “Amigos do Coração”, que recebe contribuições de qualquer valor.

Mesmo sendo um espaço marcado pelo enfrentamento de uma doença que provoca medo e incertezas, Renata resume o instituto como um lugar onde diferentes sentimentos convivem.

“Aqui é um espaço onde às vezes tem muita tristeza, desespero, mas tem muita alegria também. É um espaço onde tem amor compartilhado. E onde tem amor compartilhado, tem felicidade, tem alegria”, concluiu.

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