Constituição Brasileira ganha versão em língua milenar; saiba qual
Processo de tradução durou mais de um ano e foi acompanhada por moradores nativos do idioma
A Constituição Federal Brasileira (CFB) ganhou mais uma versão traduzida, após intensos trabalhos de tradutores e da comunidade local. Agora, o documento pode ser encontrado na escrita Kaiowá, com comunidades existentes em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

Com a novidade, indígenas da etnia Kaiowá deixam de enfrentar dificuldades para acessar as leis que garantem os direitos fundamentais.
O acesso à informação jurídica é uma ferramenta de transformação de estudantes. A acadêmica de direito Jhelice Franco de Souza já utiliza o documento traduzido na comunidade, para ajudá-los a compreender e exercer os próprios direitos.
“Eu me sinto muito privilegiada e muito honrada em participar desse projeto, porque em todo processo seletivo até a gente chegar aqui, teve uma importância muito grande, não só para minha trajetória acadêmica, mas também pessoal, por ter participado com organizações que respeitam a nossa comunidade”, destacou.

O processo de tradução durou mais de um ano. Em cada etapa, o trabalho era apresentado para moradores de três aldeias da região sul de Mato Grosso do Sul. Após validação da comunidade, o projeto foi concretizado. A iniciativa faz parte do programa Língua Indígena Viva no Direito.
“A proposta é fortalecer o diálogo entre as comunidades e o sistema de justiça, tornando as informações mais acessíveis e próximas da realidade local. E a gente vê de uma maneira extremamente positiva, que esse elemento que é central, especialmente em comunidades vulneráveis, que é o direito, seja traduzido oficialmente pelo estado brasileiro”, pontuou o procurador do Ministério Público Federal de MS, Marco Antônio Rufino.
Um dos desafios encontrados no processo de tradução foi encontrar significado para termos que não existem na língua kaiowá. Para isso, foi necessário debate, reflexão e participação coletiva para adaptar os conceitos complexos à realidade da cultura dos povos indígenas.
“Na tradução da Constituição, os pesquisadores indígenas foram adequando e vendo com os anciãos, com as pessoas da comunidade, que tipo de expressão poderia ser utilizada para que todo mundo pudesse compreender”, disse a tradutora Geniniana Barbosa.

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