Entenda a diferença entre adotar e apadrinhar: projeto transforma vida de crianças acolhidas
Conforme juíza, o Projeto Padrinho é uma oportunidade para a sociedade civil apoiar essas crianças
A solidariedade pode transformar a vida de crianças e adolescentes que vivem em serviços de acolhimento. Em Campo Grande, o Projeto Padrinho, que existe há mais de 20 anos, busca justamente criar essa ponte entre a sociedade e menores que aguardam uma nova oportunidade familiar, seja por meio da adoção ou do retorno à família de origem.

Em entrevista, a juíza Katy Braun do Prado, titular da Vara da Infância, Adolescência e do Idoso de Campo Grande e presidente da Associação Brasileira de Magistrados da Infância e da Juventude, explicou que o projeto nasceu da necessidade de oferecer às crianças acolhidas experiências de convivência afetiva e apoio fora do ambiente institucional.
Segundo a magistrada, embora os serviços de acolhimento do Estado sejam estruturados e ofereçam assistência adequada, o ambiente institucional não substitui a convivência familiar.
“Não é natural para uma criança crescer em uma instituição. O Projeto Padrinho é uma oportunidade para a sociedade civil apoiar essas crianças, oferecendo carinho, atenção e convivência”, afirmou.
Como funciona o Projeto Padrinho
O programa permite diferentes formas de participação da população. Pessoas interessadas podem procurar o fórum da comarca onde vivem e manifestar o desejo de se tornar padrinho ou madrinha.
Após orientações e uma avaliação inicial, os voluntários podem atuar de maneiras diferentes:
- Apadrinhamento afetivo: visitas, passeios e convivência com a criança ou adolescente;
- Apadrinhamento material: doações de roupas, material escolar, brinquedos ou auxílio financeiro;
- Apadrinhamento de serviços: oferta de atendimentos como reforço escolar, corte de cabelo, tratamentos de saúde e atividades educativas.
A juíza destacou que muitas crianças precisam mais do que itens materiais.
“Há aquelas que precisam principalmente do carinho de uma família, da oportunidade de conhecer uma rotina saudável, sem violência e baseada no amor”, explicou.
Afinal, qual é a diferença entre apadrinhar e adotar?
Durante a entrevista, a magistrada reforçou que o Projeto Padrinho não se confunde com o processo de adoção.
O apadrinhamento é temporário e funciona como uma rede de apoio enquanto a criança aguarda uma definição judicial, seja o retorno à família de origem ou a inserção em uma nova família.
Já a adoção é um processo jurídico definitivo, em que a criança passa a integrar oficialmente outra família como filho.
“Quando todas as possibilidades de retorno à família de origem são esgotadas, a criança passa a ter o direito de ganhar uma nova família”, explicou.
A importância da adoção consciente
A juíza também alertou sobre a necessidade de responsabilidade e reflexão antes de iniciar um processo de adoção.
De acordo com ela, o Tribunal de Justiça oferece cursos preparatórios para ajudar os pretendentes a compreenderem os desafios e responsabilidades envolvidos.
“É um período de reflexão para que as pessoas avaliem suas motivações e descubram se realmente desejam ter um filho ou se podem ajudar de outra maneira”, destacou.
Segundo a magistrada, a preparação psicossocial e jurídica é fundamental para garantir que a adoção seja feita com foco no melhor interesse da criança, especialmente porque muitas delas já passaram por situações de sofrimento e vulnerabilidade.
Como ajudar
Quem deseja participar do Projeto Padrinho deve procurar a Vara da Infância e Juventude da comarca onde reside para receber orientações sobre cadastro e participação. Para mais informações, basta CLICAR AQUI.
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