IBGE: crianças usam menos internet pela 1ª vez; idosos lideram crescimento
Uso da rede caiu entre brasileiros de 10 a 13 anos, enquanto pessoas com 60 anos ou mais registraram o maior avanço no acesso em 2025.
O comportamento dos brasileiros na internet começou a mudar. Enquanto crianças de 10 a 13 anos reduziram o uso da rede pela primeira vez desde o início da série histórica, os idosos com 60 anos ou mais foram o grupo que mais ampliou o acesso à internet em 2025. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre os idosos, o percentual de usuários da internet passou de 70,1% em 2024 para 74,5% em 2025, o maior crescimento entre todas as faixas etárias analisadas. Apesar do avanço, esse ainda é o grupo que menos utiliza a internet no país.
Já entre as crianças de 10 a 13 anos, o acesso caiu de 84,9% para 84,4%, marcando a primeira redução registrada pelo levantamento. Entre as pessoas que não utilizam a internet, os principais motivos apontados foram a falta de necessidade e preocupações com privacidade e segurança.

No total, 90,5% dos brasileiros com 10 anos ou mais utilizaram a internet em 2025, o equivalente a quase 169 milhões de pessoas. No ano anterior, esse percentual era de 89,2%.
Queda entre crianças é vista com bons olhos
Para a psicóloga clínica Jéssica Costa, especialista em defesa de direitos, a redução no uso da internet entre crianças pode representar um avanço importante para o desenvolvimento infantil.
Segundo ela, o ambiente digital expõe crianças a conteúdos para os quais ainda não possuem maturidade emocional, como notícias de guerras, violência e abusos, além dos riscos presentes em jogos online, onde adultos podem interagir com menores sem que eles consigam identificar situações de perigo.
“O próprio uso excessivo das telas deixa a criança mais ansiosa, imediatista e pode reduzir a conexão com a realidade. É muito benéfico que elas estejam se afastando um pouco desse ambiente”, avalia.

A psicóloga Fabiana Barbosa, especialista em Análise do Comportamento e fundadora do Medita Instituto de Psicologia Comportamental e Mindfulness, também considera o dado positivo. Para ela, a diminuição pode refletir uma maior preocupação das famílias com a segurança digital.
“O celular oferece recompensas imediatas e tem alto potencial de gerar dependência. Como o cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, isso pode favorecer comportamentos impulsivos, irritabilidade e baixa tolerância à frustração”, explica.
Segundo Fabiana, mesmo uma redução aparentemente pequena representa milhares de crianças passando mais tempo em atividades importantes para o desenvolvimento. “Isso significa mais espaço para brincar, conversar com os pais, conviver com outras crianças e desenvolver habilidades sociais que nenhuma tela consegue substituir”.
Internet aproxima idosos, mas exige cuidados
Se entre as crianças a redução é comemorada, entre os idosos o aumento do acesso também é visto como uma notícia positiva.
Para Jéssica Costa, a tecnologia tem se tornado uma ferramenta importante para aproximar famílias e oferecer mais autonomia às pessoas idosas. “Hoje muitos filhos incentivam os pais a terem celular para manter contato, fazer chamadas de vídeo e até acompanhar a rotina deles por meio de câmeras instaladas em casa. Isso favorece a comunicação e reduz o isolamento”, afirma.
Ela ressalta, no entanto, que o aumento da conectividade também exige orientação para evitar golpes financeiros. “Os idosos precisam aprender a usar a tecnologia com segurança. É importante não compartilhar senhas, desconfiar de mensagens suspeitas e entender que existem pessoas mal-intencionadas do outro lado da tela.”

Fabiana Barbosa acredita que a internet pode trazer benefícios cognitivos aos idosos quando utilizada de forma equilibrada. “O celular é uma ferramenta. Pode servir para aproximar famílias, estimular o cérebro com novos aprendizados e proporcionar momentos de lazer. O problema surge quando ele substitui completamente o contato presencial”, diz.
Segundo ela, manter relações sociais, praticar atividades fora das telas e utilizar a tecnologia de maneira consciente contribuem para preservar a saúde mental e reduzir o risco de doenças relacionadas ao envelhecimento. “O equilíbrio continua sendo a melhor estratégia, tanto para crianças quanto para idosos. A tecnologia deve ser uma aliada da qualidade de vida, e não substituir as experiências do mundo real”, pontua.
Leia mais
Mais lidas - 1 Sonho da casa própria: mais de 1,2 mil famílias entram na lista para sorteios de 2026
- 2 Minha Casa, Minha Vida: prefeitura convoca aprovados para entrega de documentos
- 3 Ação Cidadania chega a Terenos neste sábado; estrutura já está sendo montada
- 4 Bazar tem roupas e celulares a partir de R$ 10 em Campo Grande
- 5 Colina Douradas: inscritos terão nova chance em sorteio de 500 casas
- 1 Sonho da casa própria: mais de 1,2 mil famílias entram na lista para sorteios de 2026
- 2 Minha Casa, Minha Vida: prefeitura convoca aprovados para entrega de documentos
- 3 Ação Cidadania chega a Terenos neste sábado; estrutura já está sendo montada
- 4 Bazar tem roupas e celulares a partir de R$ 10 em Campo Grande
- 5 Colina Douradas: inscritos terão nova chance em sorteio de 500 casas