Mãe de 8 filhos se recusa a sair de área de risco em Poconé: 'para onde eu vou?'

Prefeitura prometeu auxílio de R$ 900, mas moradora Agda de Moraes Costa, de 37 anos, questiona medida temporária.

A moradora de Poconé (MT) Agda de Moraes Costa, de 37 anos, mãe de oito filhos, resiste em sair da casa em que mora na Avenida Francisco Guia Souza “Chico Gil”, anteriormente conhecida como Porto Alegre, sem antes receber o auxílio proposto pela prefeitura, no valor de R$ 900.

Além dos filhos, ela também tem seis netos e diz que não pretende sair, mesmo com a atuação da polícia e de assistentes sociais que estão indo até as casa com os documentos de retirada das casas.

Ela tem a casa na região, mas mora no Pantanal com os filhos. A casa ela mantém para quando precisa ir até a cidade para fazer exames e, por isso, não quer deixar o lar que construiu.

“Gastei muito dinheiro para construir e agora querem nos tirar daqui. Prometeram e pagar R$ 900 por um ano, mas e depois, para onde eu vou? Eles tinham que dar uma casa para nós ir”, disse ao Primeira Página.

Agda afirmou ainda que chegou a ir até a sede da Secretaria de Assistência Social, onde foi informada de que, caso não assinasse o termo, o documento poderia ser assinado pelos próprios assistentes sociais. Ela também relatou que outros moradores acabaram assinando por medo de represálias, já que policiais têm acompanhado as equipes de assistência nas visitas às residências. Veja vídeo:

Mãe de Poconé falou que não quer sair de casa para morar de aluguel. – Vídeo: Reprodução

O pagamento do auxílio foi garantido por meio de uma lei publicada no Diário dos Municípios do dia 9 de março.

Risco de desabamento

A retirada dos moradores ocorrerá porque estudos apontaram área de risco em um trecho da avenida causada pela atividade garimpeira e hoje pode provocar o desabamento na região.

O relatório identificou cerca de 15 moradias construídas próximas a uma cava de mineração desativada. As casas estão situadas em um trecho de aproximadamente 264 metros, com distâncias variando entre 39 e 72 metros da área de escavação.

O local da escavação, que atualmente integra o parque temático da cidade, já foi utilizado inclusive como fonte de captação de água, e moradores relataram a existência de buracos e áreas que receberam aterro com material orgânico.

Ainda segundo o relatório, embora não tenham sido identificadas, de forma geral, patologias estruturais graves nas edificações, uma das residências apresentou histórico de subsidência, ou seja, afundamento parcial do solo. Há também indícios da existência de túneis antigos na região, possivelmente escavados para extração mineral artesanal, o que pode contribuir para a instabilidade do terreno.

O Primeira Página procurou o prefeito de Poconé Eduardo de Queiroz Moraes, o Dr. Jonas (Podemos), mas não teve resposta até a publicação.

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