Mãe nunca foi à escola e filho trocou estudo pelo trabalho: qualificação e emprego desafiam candidatos em MT
A série exibida pela TV Centro América mostra como a falta de escolaridade limita oportunidades, enquanto empresas enfrentam dificuldades para encontrar mão de obra qualificada.
A falta de acesso à educação e a necessidade de trabalhar desde cedo ainda fazem parte da realidade de muitas famílias de Mato Grosso. A história de Valdinete Oliveira, moradora de Campinápolis (MT), que nunca frequentou a escola, e do filho, Rafael Oliveira, que deixou os estudos para trabalhar, mostra um dos desafios abordados pela série especial da TV Centro América “Me escute, porque eu decido”.
Valdinete conta que a infância foi marcada pelo trabalho na roça. Sem oportunidade de estudar, ela passou a vida trabalhando e hoje atua como empregada doméstica e faxineira.

“Meus pais nunca me colocaram na escola. A gente tinha que ir para a roça. Pode ser ruim, não sei, mas nunca estudei. Eu sou empregada doméstica, trabalho como faxineira. Tenho duas casas que trabalho dois dias em uma e outros dois dias em outra”, contou.
A falta de estudo também influenciou a trajetória do filho, Rafael Oliveira. Ainda jovem, ele precisou escolher entre continuar na escola ou começar a trabalhar para ajudar em casa e comprar as próprias coisas.

“Eu tinha que trabalhar, escolher, né? Serviço ou escola. Eu escolhi mais trabalhar mesmo, para ajudar em casa”, relatou.
Hoje, ele trabalha durante o dia em uma oficina e, à noite, faz entregas. A história da família mostra como a desigualdade pode começar ainda na infância e continuar afetando as oportunidades profissionais na vida adulta.

Falta de qualificação
Mato Grosso tem uma das menores taxas de desemprego do país, mas isso não significa que todos tenham facilidade para conseguir uma vaga. Em algumas regiões, o principal desafio passou a ser encontrar trabalhadores qualificados para ocupar os postos disponíveis.
Em Primavera do Leste (MT), por exemplo, o crescimento do agronegócio aumentou a procura por profissionais especializados. É o caso do operador de máquinas agrícolas, Vanderlan dos Santos, que destaca a importância de saber desempenhar diferentes funções.
“Hoje a mão de obra qualificada, nessa parte aí de uma pessoa que entende bem, caiu bastante. É bem poucos, na verdade”, afirmou.
Segundo ele, aprender mais de uma função também aumenta as chances de permanecer no mercado de trabalho. “Quando você aprende a fazer outras coisas, daí sempre você não para, né? Você faz um serviço, você pode ir em outro”, explicou.
A qualificação também abriu portas para Eliziane Maria Terres, que trabalha com manutenção de aeronaves. Ela fez o curso no Instituto Federal em Primavera do Leste e encontrou na especialização uma oportunidade profissional.
“Eu sempre gostei de aviação. Fiz a manutenção de aeronaves no Instituto Federal, em Primavera do Leste, aqui mesmo na cidade”, contou.
Para ela, a especialização faz diferença na hora de encontrar trabalho. “Quem se especializa tem serviço, tem emprego”, afirmou.
O segundo episódio da série, que abordará o tema segurança pública, vai ao ar nesta terça-feira (8).
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