Menina de 6 anos de Cuiabá luta contra o tempo à espera de transplante de coração
Melissa Emorge de Arruda está internada em Curitiba, intubada e conectada a um equipamento de ECMO; família faz apelo pela doação de órgãos
Aos 6 anos, Melissa Emorge de Arruda, de Cuiabá, enfrenta uma corrida contra o tempo à espera de um transplante de coração. Internada no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), a menina está intubada e recebe suporte por meio de Oxigenação por Membrana Extracorpórea (ECMO), equipamento que auxilia temporariamente as funções do coração e dos pulmões enquanto a família aguarda a chegada de um órgão compatível.
A mãe da criança, Angelita Emonge, contou que os problemas de saúde começaram em maio deste ano, quando Melissa teve uma miocardite viral provocada pelo parvovírus B19. Segundo ela, a inflamação provocou a dilatação do coração da filha.

Inicialmente, Melissa fazia acompanhamento médico em Cuiabá. Com a piora do quadro, porém, a família foi encaminhada para Curitiba, onde funciona o serviço especializado em cardiologia pediátrica. Melissa chegou à capital paranaense em 24 de julho e foi avaliada por uma cardiopediatra. Depois, foi encaminhada ao setor de insuficiência cardíaca e transplantes do Hospital Pequeno Príncipe.
“No dia 3 de agosto, ela foi internada na enfermaria. A gente estava acompanhando o quadro dela, mas aí foi se agravando. Já na segunda, dia 10, nós fomos para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) cardiopediátrica. Ontem, pela manhã, ela foi entubada e, à tarde, passou pelo procedimento de inserção do ECMO, que é o coração artificial. Esse coração artificial serve para mantê-la, nesse momento, estável, até esse coração chegar. Mas é uma máquina e ela tem prazo”, explicou Angelita.
O equipamento retira o sangue do corpo, realiza a oxigenação e a retirada de gás carbônico e devolve o sangue ao organismo, dando suporte temporário às funções cardíacas e pulmonares.
Família faz apelo pela doação de órgãos
Diante do quadro da filha, Angelita e o marido, iniciaram uma campanha para conscientizar outras famílias sobre a importância da doação de órgãos.

A mãe reconhece que a possibilidade de um transplante nasce em um momento de profunda dor para outra família, mas espera que uma decisão pela doação possa dar uma nova chance de vida à filha.
“A gente entende que alguém vai estar passando por um momento de muita dor, mas a gente também está. É uma forma de essa família dizer esse sim e fazer com que esse doador permaneça junto com a gente, fazendo a Melissa crescer, se desenvolver e ser a criança alegre que ela é.”
Antes de adoecer, Melissa levava uma rotina ativa. Segundo a mãe, praticava muay thai e jiu-jítsu e sempre foi uma criança alegre e cheia de energia. “Sempre foi uma menina muito ativa, muito alegre. E ela está lutando muito nesse momento.”
Angelita afirma que a filha recebe acompanhamento de uma equipe especializada, mas que o tempo é determinante enquanto ela permanece dependente do suporte da ECMO.
Além de Melissa, segundo a mãe, outras crianças internadas no Hospital Pequeno Príncipe também aguardam transplantes. “Essa semana, graças a Deus, duas crianças foram transplantadas, uma na segunda-feira e uma ontem. A gente está com fé em Deus que a próxima vai ser a Melissa.”
A campanha criada pela família reforça que a doação não se restringe ao coração. Outros órgãos também podem representar uma nova chance para crianças que aguardam transplantes.
“Seja doador. Fale com sua família. Diga sim à vida”, diz a mobilização compartilhada pelos pais de Melissa.

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