Oficina gratuita ensina idosos a fazer pix e usar aplicativo GOV em MT

Curso reúne 40 participantes com mais de 60 anos para ensinar serviços digitais, Pix e uso do aplicativo GOV, além de orientar sobre golpes e fake news na internet em MT.

Quarenta idosos com mais de 60 anos participaram de uma oficina gratuita de educação tecnológica em Cuiabá, para aprender a usar o celular, acessar serviços públicos, fazer Pix e navegar com mais segurança pela internet. A atividade também orienta os participantes sobre como identificar golpes digitais e notícias falsas.

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O curso reúne conhecimentos básicos do letramento digital e também de segurança durante a navegação e utilização de recursos digitais. – Foto: Eliseu Isaias/TV Centro América

A oficina Educação Tecnológica 60 Mais é realizada em três aulas pelo Centro Universitário do SENAI em Mato Grosso. Os participantes são encaminhados pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, além de associações e centros de convivência de idosos.

Para muitos alunos, tarefas que parecem simples para quem já está acostumado com a tecnologia ainda representam um desafio. É o caso do aposentado Hélio Rodrigues, que conta que tem dificuldade para acessar alguns serviços digitais.

“É bem difícil. Esse negócio de aproximar a câmera, afastar a câmera, abrir o olho… Para entrar nesse tal de GOV, dizem que a gente precisa ter acesso, mas como vamos conseguir?”, questiona

Segundo Hélio, aprender a utilizar as ferramentas digitais também significa conquistar mais independência no dia a dia.

“Eu faço tudo sozinho. Minha esposa trabalha e meu filho faz faculdade. Esses cursos ajudam bastante, porque a gente precisa se virar”, afirma.

Pix trouxe mais autonomia

A aposentada Fátima Maria Araújo de Oliveira participou de uma edição anterior da oficina e conta que chegou ao curso sem saber utilizar o Pix. Depois das aulas, passou a fazer as próprias transações bancárias.

“No ano passado teve curso aqui e eu vim. Eu não sabia fazer Pix. Depois das aulas, aprendi e passei a mexer sozinha nas minhas contas. Hoje não preciso mais perguntar para ninguém”, relata.

Já Raimunda Nonata Gomes de Souza aprendeu a acessar o aplicativo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), consultar informações e navegar pelas ferramentas disponíveis.

“Aprendi muitas coisas. Agora sei entrar no aplicativo do INSS, salvar informações, fazer perguntas, sair e encontrar o que estou procurando. Antes eu não sabia fazer nada disso”, conta.

A aposentada Marizethe Teixeira Pezzin também destaca a dificuldade de aprender a utilizar recursos digitais apenas com a ajuda de familiares.

“Às vezes quero aprender alguma coisa e peço ajuda à minha filha. Ela está ocupada com o trabalho e acaba não conseguindo ensinar. Por isso, ter um espaço para aprender é importante”, explica.

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Durante o curso os participantes contam com o apoio de monitores que auxiliam na dinâmica do uso do aparelho digital. – Foto: Eliseu Isaias/TV Centro América

Curso também ensina a evitar golpes

Além de ensinar a utilizar aplicativos e serviços digitais, a oficina dedica parte das atividades à segurança na internet. O objetivo é fazer com que os idosos reconheçam situações suspeitas antes de fornecer dados, clicar em links ou realizar transferências.

A professora Adriana Siqueira explica que os participantes recebem acompanhamento durante as aulas e também levam para casa um material impresso para consultar posteriormente.

“Contamos com uma equipe de professores e alunos extensionistas que auxiliam os idosos durante as atividades. Eles também recebem material didático impresso para consultar depois e reforçar o que aprenderam em sala”, explica.

Para Isandir Oliveira de Rezende, presidente do Sindicato dos Aposentados e Pensionistas de Mato Grosso, a inclusão digital precisa começar pelo básico, já que cada vez mais serviços do cotidiano dependem da tecnologia.

“Hoje o IPTU é digital, o IPVA é digital e as operações bancárias também. Então precisamos ensinar o básico e, principalmente, conscientizar sobre como utilizar essas ferramentas com segurança”, afirma.

Segundo Isandir, um dos principais desafios é fazer com que os idosos consigam reconhecer os riscos que existem do outro lado da tela.

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A participante Neuza Campos Batista é uma das que já caiu em golpes digitais e hoje aprende maneiras de se proteger desse tipo de crime. – Foto: Eliseu Isaias/TV Centro América

A preocupação com os golpes também se refletem nos números. Segundo pesquisa realizada pelo IPESPE a pedido do Observatório Febraban e divulgada em junho de 2025, golpes do WhatsApp e do Pix são os mais comuns sofridos pelos brasileiros.

A experiência de quem já foi vítima mostra a importância desse tipo de orientação. A beneficiária do BPC Neuza Campos Batista conta que chegou a receber uma mensagem pelo WhatsApp de uma pessoa que se passava por sua filha.

Segundo ela, a mensagem pedia dinheiro e, mesmo sem a fotografia do perfil, Neuza acabou acreditando que se tratava da filha e caiu no golpe.

Tecnologia para garantir independência

Mais do que ensinar a mexer no celular, a proposta da oficina é ampliar a autonomia dos idosos em uma rotina cada vez mais digital. Serviços públicos, bancos, pagamentos e comunicação com familiares passaram a depender, em muitos casos, de aplicativos e plataformas virtuais.

Para os participantes, aprender a utilizar essas ferramentas significa não depender exclusivamente de filhos, netos ou outras pessoas para resolver tarefas cotidianas.

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