Ofício das quebradeiras de coco babaçu vira patrimônio cultural do Brasil

Nova lei publicada no Diário Oficial reconhece a atividade tradicional de milhares de mulheres dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará como manifestação da cultura nacional.

O trabalho das quebradeiras de coco babaçu acaba de ganhar reconhecimento nacional. Foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Lei nº 15.431, publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (11), que reconhece oficialmente o ofício das quebradeiras de coco babaçu como manifestação da cultura nacional.

A nova legislação contempla as trabalhadoras dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará, regiões onde a palmeira de babaçu faz parte da história, da economia e da identidade de milhares de famílias. A lei entrou em vigor na data de sua publicação e representa uma importante conquista para comunidades tradicionais que há décadas lutam pela valorização de seus saberes e modos de vida.

Trabalho das quebradeiras de coco babaçu ganhou reconhecimento nacional. - Foto: Instituto Sociedade, População e Natureza/Peter Caton
Trabalho das quebradeiras de coco babaçu ganhou reconhecimento nacional. – Foto: Instituto Sociedade, População e Natureza/Peter Caton

Muito além de uma atividade econômica, o ofício das quebradeiras de coco babaçu está profundamente ligado à preservação ambiental e à cultura popular brasileira. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), essas comunidades são lideradas por mulheres que vivem em estreita relação com os babaçuais, mantendo práticas sustentáveis de extrativismo e proteção das florestas.

Conhecidas por se definirem como “filhas da mãe palmeira”, as quebradeiras aproveitam praticamente todas as partes do babaçu para a produção de azeites, sabonetes, carvão vegetal, artesanato, alimentos e diversos outros produtos que ajudam a sustentar suas famílias e movimentar economias locais.

Quebradeiras de coco babçu se definem como “filhas da mãe palmeira” - Foto: Instituto Sociedade, População e Natureza/Peter Caton
Quebradeiras de coco babçu se definem como “filhas da mãe palmeira” – Foto: Instituto Sociedade, População e Natureza/Peter Caton

Além do extrativismo, muitas dessas mulheres também cultivam arroz, milho, mandioca e feijão. Entre elas estão quilombolas, indígenas, agricultoras familiares e pescadoras, que encontram no babaçu uma fonte de renda e um símbolo de resistência cultural.

As quebradeiras de coco babaçu são reconhecidas ainda como guardiãs dos babaçuais. Os conhecimentos sobre manejo sustentável da floresta são transmitidos entre gerações, contribuindo para a conservação dos ecossistemas e para a manutenção da biodiversidade em áreas ameaçadas pelo avanço do desmatamento.

Coco babaçu. - Foto: Instituto Sociedade, População e Natureza/Peter Caton
Coco babaçu. – Foto: Instituto Sociedade, População e Natureza/Peter Caton

Ao longo dos anos, essas trabalhadoras se organizaram por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, entidade que reúne comunidades tradicionais dos quatro estados e atua na defesa dos territórios, do livre acesso aos babaçuais, da preservação das florestas em pé e da valorização econômica dos produtos derivados do babaçu.

O movimento também tem papel fundamental na luta pelos direitos das mulheres, pela autonomia econômica das comunidades e pelo reconhecimento da importância social, ambiental e cultural das quebradeiras de coco babaçu para o Brasil.

Com a sanção da nova lei, o país dá um passo importante para preservar uma tradição centenária que une cultura, sustentabilidade, geração de renda e protagonismo feminino, reforçando o papel das quebradeiras de coco babaçu como parte fundamental do patrimônio cultural brasileiro.

Leia mais

  1. Nova lei tenta frear degradação da Caatinga após perda de 42,8% da vegetação

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.