Ricos têm renda 27 vezes maior que a dos pobres no Centro-Oeste, aponta relatório

Apesar da liderança em escolarização superior, região enfrenta fragilidades em acesso a creches, saneamento e segurança alimentar

Ricos ganham 27,7 vezes mais que pobres no Centro-Oeste, segundo o Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025. O relatório, divulgado nesta quinta-feira (28) pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, mostra que a região lidera em escolarização superior, mas ainda enfrenta desigualdades profundas em renda, saúde, segurança alimentar e representatividade política.

Foram analisados 43 indicadores sobre acesso a direitos, serviços básicos e condições de vida no país.

As áreas temáticas abordadas incluem educação, saúde, renda, riqueza e trabalho, clima e meio ambiente, desigualdades urbanas e acesso a serviços básicos, representação política e no poder judiciário, segurança pública e alimentar.

Mato Grosso ganhou 57 mil moradores em um ano e chegou a 3,89 milhões de habitantes, 3º maior crescimento populacional do Brasil, aponta IBGE.(Foto: Reprodução)
Relatório aponta que o Centro-Oeste apresentou avanços na educação, mas desigualdades persistem.(Foto: Reprodução)

Na educação, a região se destacou com a maior taxa de escolarização líquida no ensino superior em 2024. No entanto, o acesso à educação infantil, para crianças de 0 a 3 anos em creches, ficou em 39,6%, acima da média nacional, mas abaixo das taxas do Sul e Sudeste. A disparidade racial no acesso à creche foi menor no Centro-Oeste em comparação com outras regiões.

Em renda e trabalho, as mulheres registraram crescimento no rendimento médio mensal real superior ao dos homens. Apesar disso, a concentração de renda continua alta: o 1% mais rico recebe 27,7 vezes mais que os 50% mais pobres. A taxa de desocupação foi de 4,7%. O rendimento médio das mulheres negras cresceu acima da média nacional, mas permanece o mais baixo entre os grupos analisados.

No meio ambiente, as emissões per capita de CO₂ aumentaram 3,8% entre 2019 e 2023, sendo que a mudança no uso da terra respondeu por 47,5% das emissões totais em 2023. Houve redução no número de pessoas vivendo em áreas de risco geológico entre 2023 e 2025.

Desigualdades no Centro-Oeste

Educação

Centro-Oeste lidera em escolarização no ensino superior em 2024, mas acesso a creches para 0 a 3 anos é de apenas 39,6%.

Renda

1% mais rico recebe 27,7 vezes mais que os 50% mais pobres; mulheres negras seguem com o menor rendimento médio.

Meio Ambiente

Emissões per capita de CO₂ cresceram 3,8% entre 2019 e 2023; mudança no uso da terra representa 47,5% das emissões.

Serviços Básicos

90,7% da população tem acesso à água potável, mas saneamento segue abaixo da média nacional.

Segurança Alimentar

7,6% vivem em insegurança alimentar moderada ou grave; desnutrição infantil atinge 3,8%, com maior impacto entre indígenas.

Saúde

Mortalidade infantil foi de 10 por mil nascidos vivos em 2023; causas evitáveis seguem altas, sobretudo entre homens e pessoas negras.

Na saúde, a taxa de mortalidade infantil em 2023 foi de 10,0 por mil nascidos vivos. A mortalidade por causas evitáveis permanece alta, especialmente entre homens e pessoas negras.

Quanto às desigualdades urbanas e serviços básicos, em 2022, 7,5% dos domicílios eram precários. O déficit habitacional foi agravado pelo custo elevado de aluguéis, que representa 59,6% do problema. Em 2023, 90,7% da população tinha acesso à água potável, acima da média da região Sul, mas o acesso ao esgotamento sanitário segue abaixo da média nacional.

Em segurança alimentar, 7,6% da população vivia em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave em 2023, com maior incidência entre pessoas negras. A desnutrição infantil foi de 3,8%, afetando mais crianças indígenas, e a desnutrição entre idosos atingiu 12,3%.

Em representatividade política e no Judiciário, a presença de mulheres no executivo municipal foi de 0,36 em 2024, e a de pessoas negras no legislativo municipal, 0,81. No legislativo estadual (2022), o índice de representatividade de mulheres foi de 0,16 — o pior do país — e de pessoas negras, 0,53.

ALMT, em Cuiabá. (Foto: Reprodução)
A representatividade feminina no Centro-Oeste é a pior do Brasil. (Foto: Reprodução)

O levantamento mostra que, embora haja avanços na educação superior e na renda das mulheres, desafios estruturais permanecem em educação infantil, saúde, segurança alimentar e representatividade política, e a desigualdade racial e de gênero continua sendo um problema crítico na região.

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